A Noiva do Diabo - Capítulo 159
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159: Oriana… Que Belo Nome Ela Tem 159: Oriana… Que Belo Nome Ela Tem Quando Oriana entrou no quarto de Arlan, ela o observou caminhar em direção à sua mesa de trabalho improvisada, que tinha papéis espalhados pela superfície.
‘Ele vai trabalhar a noite toda? Por que está trabalhando durante uma viagem? É apenas a primeira noite.’
Em vez de sentar para trabalhar, ela o viu recolhendo todos os papéis e organizando-os em pilhas.
‘Devo oferecer ajuda?’ Ela mudou de ideia. ‘Acho que não estou autorizada a tocar documentos reais. Da última vez, ele ficou bravo quando toquei em um.’
Oriana observou-o em silêncio se movimentando pelo quarto, escolhendo diminuir sua presença o máximo que podia para não perturbá-lo. Embora frequentemente ela fosse vítima dos caprichos do príncipe, havia uma coisa que Oriana respeitava em Arlan, e isso era a sua ética no trabalho.
Quando se tratava de assuntos importantes, Arlan nunca ficava parado ou brincava. Ele se transformava em uma pessoa diferente, uma pessoa confiável, uma pessoa digna de admiração e confiança.
Assim que terminou de organizar as pilhas de documentos, ele caminhou em direção à cama, deixando sua atendente confusa.
‘Espere, ele não disse que ia trabalhar? Ele mudou de ideia? Ele vai dormir?’
Oriana se moveu por hábito. Quando o príncipe subiu em sua cama, ela se aproximou para cobrir seu corpo com uma coberta. Ela também apagou as lâmpadas, deixando apenas as cortinas abertas para preencher o quarto com uma fraca luz prateada de luar.
Oriana lentamente puxou uma cadeira para o lado de sua cama. Desta vez, ela não estava fazendo isso pela causa de seu mentor ou de seu trabalho, mas sim por ela mesma.
Por razões insondáveis, a presença de Arlan a confortava. Imaginar que um dia ela ficaria voluntariamente ao lado do príncipe para passar a noite, era algo totalmente absurdo.
‘É por causa daquele pesadelo…aquela voz horrível me chamando de Esmeray…’
Oriana esfregou o rosto cansada ao relembrar seu estranho sonho recorrente. Esta noite foi a pior de todas.
De repente, seus olhos se arregalaram ao lembrar de uma memória específica.
‘Oriana, acorde!’
Uma segunda voz também apareceu desta vez, interrompendo o sonho e ajudando-a a escapar de suas garras.
‘O Príncipe Herdeiro… ele…?’
As sobrancelhas dela se franziram.
‘Por que eu sinto que ele me chamou de Oriana em vez de Orian? Estou enganada? Deve ser isso, certo? Não tem como ele ter descoberto que sou uma mulher e que meu nome verdadeiro é Oriana. Até mesmo o vovô só me chama de Ori. Não pode ser…’
Depois de um tempo, ela começou a bocejar novamente, adormecendo em sua cadeira apesar da falta de intenção. Talvez fosse a baixa temperatura, ou talvez a quietude da noite. Talvez fosse a visão do príncipe dormindo pacificamente, ou a combinação de estresse e fadiga em seu corpo. Seja qual for a causa, venceu o seu medo de voltar a dormir.
Depois de ouvir sua respiração suave e estável, Arlan abriu os olhos. Normalmente ele não se incomodaria, mas não podia fingir que não a viu tremendo por causa do frio. Embora houvesse uma lareira, de onde Oriana se encontrava, o calor mal a alcançava.
Pegando a colcha extra desacada em uma cômoda, ele decidiu cobri-la com ela.
Nem um minuto depois, ele a viu agarrar instintivamente a colcha ao redor do ombro, e seu semblante ficou mais relaxado.
Arlan pensou em levá-la para cama, mas decidiu o contrário. Tanto quanto possível, ele queria manter os limites de mestre e servo, temendo o resultado de repetir aquele incidente ébrio em seu quarto.
Vendo seu pequeno corpo confortável naquela grande cadeira, ele voltou para a cama e tentou retomar o sono. Ou pelo menos, tentou.
Seu pensamento vagou para aquela noite em que ele dormiu enquanto a segurava em seus braços. Embora estivesse incrivelmente embriagado na ocasião, havia vislumbres de memórias que o atingiam de tempos em tempos.
O momento em que ela entrou em seu quarto, a satisfação de vê-la retornar, a parte em que a puxou para seus braços, a intimidade que compartilharam…
As palavras dela, ‘Vamos dormir’, eram uma melodia para ele, que não tinha conseguido dormir bem durante a semana inteira que ela esteve fora. Uma vez que ele a levou para a cama, o calor de seu pequeno corpo em seus braços, juntamente com aquele doce cheiro dela, acalmou seus nervos à flor da pele.
Sua próxima memória foi que, em um estado semi-acordado, ele sentiu Oriana saindo antes que seu dia começasse. Uma mulher de cabelos compridos saindo apressada do quarto, sem nem ao menos se virar para olhar para ele.
Ele preferia agir como se não lembrasse de nada. Sua identidade de gênero era um segredo que Oriana guardava em primeiro lugar, e ele respeitava isso. Era melhor manter o status quo.
Mas ele tinha um arrependimento.
‘Eu queria ter acordado mais cedo do que ela. Eu poderia ter visto seu rosto emoldurado por seu longo cabelo. Perdi essa oportunidade por pouco.’
Então ele percebeu o quanto estava preocupado com ela quando estava tendo um pesadelo e acabou chamando-a pelo seu nome verdadeiro – Oriana.
‘Acredito que ela não se lembra de eu chamando-a de Oriana, caso contrário ela teria adivinhado que eu sei que ela é uma mulher. Tenho que ser cuidadoso.’
Ele fechou os olhos enquanto um pequeno sorriso se formava em seus lábios.
‘Oriana… que nome bonito ela tem.’
—–
Quando Oriana acordou, seu corpo sentiu um pouco de desconforto, suas pernas dormentes e seus ombros rígidos como esperado. Uma descoberta a deixou desanimada.
A dormência agora era uma dor familiar – o que significava que seu corpo tinha, de certa forma, se adaptado a adormecer sentada.
Quando ela estava prestes a se alongar, percebeu que seu corpo estava coberto por uma colcha.
‘Não me lembro de me cobrir com isso.’
Ela olhou para a cama à sua frente e viu Arlan dormindo profundamente.
‘Ele fez? Umm, parece que sim.’ Ela removeu a colcha, levantou-se e a dobrou sem fazer nenhum barulho. Ela deixou-a na cadeira e voltou para seu próprio quarto. ‘Preciso me arrumar antes que ele acorde.’
Enquanto Oriana estava lavando-se, ela relembrou brevemente os eventos da noite anterior. O pesadelo horrível, como o príncipe a acordou, como ela se agarrou nele e o encharcou de lágrimas, bem como a calorosa consideração dele depois…
Sem perceber, essas memórias trouxeram um sorriso terno ao seu rosto.
‘Eu não sabia que ele também podia ser considerado. Esses gestos gentis, eu nunca esperava recebê-los dele.’
Renovada e cheia de energia, Oriana ansiava por ver o príncipe mais tarde. Ela estava curiosa. Ele fingiria indiferença ou mudaria a maneira como a tratava?
Quando ela saiu de seu quarto, encontrou Neil prestes a entrar no alojamento de Arlan. Aparentemente, ele e Damien já tinham começado a trabalhar.
“Orian, que bom que chegou. Sua Alteza disse que deseja jantar sozinho em seu quarto. Pode informar a cozinha?” Neil instruiu.
Ela voltou depois de algum tempo com a refeição do príncipe. Depois que os criados da estalagem trouxeram a comida para o quarto dele, eles não se demoraram e retornaram à cozinha. Damien e Neil deixaram os cuidados com Arlan a cargo de Oriana, já que tinham outros assuntos para cuidar, deixando a dupla sozinha.
Ela assistiu Arlan comer calmamente. Mesmo se os olhares deles se cruzassem, ele agiria como de costume, mostrando que nada havia mudado para ele depois do incidente da noite anterior.
Uma pessoa normal tentaria puxar um papo, talvez perguntasse como a outra pessoa estava se sentindo, mas não havia tal gesto atencioso aqui.
Era como se a noite passada não tivesse acontecido.
‘Eu pensei que nos aproximamos um do outro, mas acho que era tudo na minha cabeça’, não pode deixar de suspirar. ‘Não acredito que chorei nos braços deste homem apático. Ele deve ter se deixado levar pelo calor do momento. Ele nunca foi amável para começar.’
Até o momento das preparações para a partida da delegação real, Imbert foi ao quarto de Arlan.
“Sua Alteza, estamos prontos para partir.”
Arlan olhou para Oriana. “Recolha todos esses pergaminhos e leve-os para minha carruagem.”
Oriana fez o que foi mandado e seguiu-o com a papelada empilhada nos braços. Quando eles chegaram à carruagem, o príncipe ordenou, “Vou ler todos esses pergaminhos na carruagem. Não os perca.”
Isso bastou para ela entender seu significado implícito. Ela teria que viajar com ele cuidando de seus documentos de trabalho. Depois que ele subiu na carruagem, Oriana seguiu-o meio sem vida para dentro.
Assim que o meio de transporte começou a se mover, Arlan falou, “Dê-me um pergaminho.”
“Qual, Sua Alteza?”
“Escolha qualquer um.”
Ela pegou um aleatório e o entregou a ele. Seus olhos rapidamente escanearam o conteúdo e devolveu a ela. Ela estava preparada para passar um segundo pergaminho para ele, mas esperava em vão o próximo movimento dele, pois suas expectativas não se concretizaram.
‘Ele não disse que ia ler esses? Estou segurando todos esses documentos à toa? Ele está me tratando como uma mesa ambulante?’
“Você vai estragá-los se continuar segurando. Coloque-os no chão,” ela o ouviu ordenar em resposta à sua crescente impaciência.
Resignada, ela os colocou de lado. ‘Não tem importância. Ele está sendo um chato novamente, mas pelo menos, agora posso me sentar mais confortavelmente.’
Ela observou Arlan olhando pela janela em silêncio.
‘Me pergunto o que se passa na mente dele. É tão difícil entendê-lo.’
Assim continuou a viagem, com Oriana acompanhando o Príncipe Herdeiro em sua carruagem o tempo todo.