A Mascote do Tirano - Capítulo 78
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78: Juro… ele não era louco 78: Juro… ele não era louco [AVISO: O CONTEÚDO A SEGUIR CONTÉM UMA NARRATIVA PERTURBADORA. PROCEDA COM CAUTELA.]
O suave clique da porta ao fechar trouxe nada além de silêncio no salão de jantar. Abel soltou uma respiração superficial, encarando a longa mesa de jantar repleta de convidados mortos.
Diferentemente da atmosfera desinteressada que o cercava na presença de Isaiah, sua expressão era apenas… morta. Ele não sabia o que sentir sobre esta noite. Ele viu isso chegando, embora não tão cedo. Mas ele sabia que Aries iria embora… já que ele mesmo planejou sua partida.
Mesmo assim, havia apenas este vazio que ela deixou em seu coração podre. Um vazio que não seria preenchido tão facilmente. Na verdade, era impossível.
“Raiva?” ele sussurrou, esparramando a mão em direção a um prato vazio.
CLANG!
Abel derrubou o prato, estilhaçando-o para ver se isso o faria sentir-se levemente melhor. Um prato foi seguido por mais, se quebrando no chão um após o outro. E ainda assim, ele não sentia nada.
Em seguida, ele pegou os talheres, esfaqueando o bife restante em seu prato. Como um garoto tendo um acesso de raiva, o prato quebrou ao meio enquanto ele esfaqueava o bife repetidas vezes. Sua expressão permanecia a mesma.
Nada. Ele estava apenas ficando ainda mais chateado.
“Violência?” ele se perguntou, deixando os talheres caírem enquanto escaneava a longa mesa. Abel colocou as mãos na superfície da mesa, empurrando-se para cima lentamente. Ele usou sua cadeira como um degrau até que se levantou em cima da mesa.
“Acordem, todos!” ele bateu palmas e exclamou, chutando o pote de servir para o lado. Ele inclinou a cabeça para a pessoa onde o pote aterrissou, suspirando quando o cadáver não se mexeu nem um músculo.
“Como você pode ser tão frágil?” ele franziu a testa, aproximando-se do homem, que tinha o rosto enterrado no prato à sua frente. Abel puxou nonchalantemente o cabelo do homem para trás, clicando a língua com a horripilante visão da cavidade ocular vazia do homem.
“Certo… você está bem morto, hein?” ele suspirou, soltando o cabelo do homem que instantaneamente caiu no prato, de rosto para baixo. Abel levantou-se mais uma vez, com as mãos na cintura.
“Não está funcionando,” ele sussurrou, correndo a mão pela cabeça. “Não está… funcionando.”
Abel fechou seus olhos enquanto sibilava, peito movendo para dentro e para fora pesadamente. Quando ele tomou outra respiração profunda, ele abriu seus olhos devagar.
“Aries…” seus olhos brilharam, presas deixando-se conhecer. “… todos vocês conhecem Aries?”
Ele olhou fracamente da esquerda para a direita, chutando todos os pratos e comida em seu caminho conforme marchava no meio da longa mesa. Ele afrouxou sua gravata borboleta, esticando o pescoço para os lados.
“Aries… claro, vocês ouviram falar dela.” Ele riu, dando de ombros nonchalantemente enquanto conversava com os mortos. “Afinal, ela é minha alma gêmea. Haha! Aposto que ela vai se contorcer se eu disser isso…”
Ele fez uma pausa no meio da mesa, franzindo a testa. Ele olhou para baixo na pessoa que se inclinava contra a cadeira, olhos caindo no buraco em seu peito.
“O quê?” ele perguntou do nada, levantando uma sobrancelha para a pessoa já morta. Ele sorriu de lado, dando um passo à frente, apenas para pisar em seu rosto pálido. “Você está dizendo que ela não vai reagir já que ela não vai me ouvir dizer isso? Você tem muita audácia.”
Abel chutou friamente a pessoa imóvel até que ela recuou. Apesar disso, apenas o breve baque do corpo e cadeira foi ouvido. Nenhum grito ou resmungo. Bem, o homem já estava morto com aquele buraco faltando em seu peito.
Enquanto o silêncio penetrante retornava, Abel olhou ao redor mais uma vez. Seus olhos escureceram, o lado de seus lábios curvado para cima maldosamente.
“Vocês todos acham que eu sou louco?” ele perguntou com uma risada seca. “E concordam que ela está melhor sem mim?”
Abel balançou a cabeça levemente, rindo com seus lábios fechados. Ele passou as mãos pelo cabelo, risadas crescentes mais altas e sinistras.
“Claro, eu sou… não!” ele riu, batendo palmas entretido. “Ahh… Eu simplesmente quero vê-la. Por que ela partiu tão cedo?” ele limpou o lado dos lábios, respirando pela boca. “Minha querida… minha Aries…”
Com um homem em pé em cima da mesa, rindo enquanto convivia com os mortos, a visão dele era verdadeiramente aterrorizante. Abel estava louco, de fato. Mas aqueles que o conheciam discordariam. Isso era apenas o nível um.
Mas eles estavam certos de que ele enlouqueceria em alguns meses. Por quê? Porque ele disse isso. Havia apenas uma razão para ele perder a cabeça. Isso seria se seus inimigos não fossem tão fascinantes quanto ele pensava.
“Querida…” Abel lentamente se ajoelhou, curvando-se para dentro enquanto suas ondas de risada diminuíam. “… é melhor você não aparecer na minha frente novamente.”
Se Aries aparecesse na frente dele, Abel certamente não a deixaria ir. Uma ou duas oportunidades eram seu limite. Ele não seria tão gentil na próxima vez. Mesmo que ela acabasse o odiando, ele já estava acostumado com o ódio das pessoas. Adicionar mais um odiador ao número não era grande coisa.
No final, Abel se encontrou deitado na mesa, olhos no teto. Ele não sabia por quanto tempo ele estava ali deitado, mas ninguém o interrompeu. Ninguém se atreveria a chegar perto dele, sabendo que poderiam acabar sendo um objeto de teste para saciar a turbulência no coração do imperador.
“Sua Majestade.” Abel piscou quando ouviu a voz de Isaiah não muito distante. “Os servos desertaram o palácio Rosa.”
Isaiah encarou o perfil de Abel depois de entregar a notícia, mantendo seu silêncio. Esta foi a primeira vez que Abel agiu tão angustiado e estressado por alguém. Também foi a primeira vez que ele viu Abel tão triste. Não era óbvio porque o imperador escondia muito bem por trás da fachada louca.
“Por que todos desertaram o palácio Rosa?” Abel perguntou, fazendo as sobrancelhas de Isaiah se franzirem. “Eles não querem cuidar de Aries?”
“Sua Majestade, ela já partiu do palácio.”
“Ah… certo…” Abel piscou fracamente, apertando os lábios em uma linha fina. “Ela partiu.”
“Sua Majestade.”
“Isaiah, me dê sua espada.” Ele virou a cabeça lentamente para a direita, olhos instantaneamente pousando em seu ajudante. “Ou apenas corte minha garganta.”
Isaiah franziu a testa, olhos escurecendo diante do pedido do imperador. No entanto, ele não recusou Abel enquanto andava para frente, entregando uma adaga em vez disso. Abel olhou para a adaga em sua mão nonchalantemente.
“Eu disse espada.” Seus dedos lentamente fecharam em torno do cabo da adaga.
“Uma adaga é suficiente, Sua Majestade.”
Abel clicou a língua, ajudando-se a se sentar. Ele olhou para baixo na adaga em sua posse, esfaqueando sua coxa sem piscar. Isaiah apertou os dentes, olhos fixados na adaga fincada na coxa de Abel.
“Não doeu,” Abel sussurrou em decepção, puxando a adaga, apenas para esfaquear seu estômago. Isaiah só pôde apertar os dentes, observando Abel se esfaquear repetidamente: ombro, braço, mão, pernas, pescoço, rosto até que o sangue jorrava profusamente de Abel. O som de carne e sangue ecoando.
“Droga…” Abel bufou, sangue encharcando suas roupas de todas as facadas que ele infligiu em si mesmo. Ele estava tão insensível às feridas físicas que elas empalideciam em comparação com a dor em seu coração.
“Não está funcionando.” Abel finalmente jogou a adaga ensanguentada para longe, arrastando-se para fora da mesa. “Aries?” ele chamou, afastando-se do salão de jantar em direção ao palácio Rosa.
“Aries! Venha! Estou sangrando!” ele gritou, arrastando os pés, deixando rastros de sangue para trás. “Aries? Aries!”