A Mascote do Tirano - Capítulo 765
Capítulo 765: Parece com casa
Aries uma vez perdeu o controle de sua vida e depois o recuperou quando alguém lhe ofereceu uma mão amiga. Não era uma mão amiga que a abençoaria e limparia de seus pecados, mas era a mão manchada do diabo.
No entanto, essa foi a única mão amiga que a alcançou naquele momento. Portanto, ela a aceitou.
Jamais em seus sonhos mais selvagens imaginou que essa seria a decisão mais linda de sua vida. Pode não ser certa aos olhos dos outros ou mesmo aos olhos de Deus, mas foi o pesadelo mais deslumbrante ao qual ela voltaria repetidas vezes.
Não apenas Abel a salvou das garras daquele príncipe herdeiro diabólico do Império Maganti, como também a tratou melhor do que ela jamais poderia ter esperado. Abel não tentou apagar seu passado doloroso. Em vez disso, as memórias que ele criou com ela superaram o inferno pelo qual ela passou.
Ele devolveu o controle que ela uma vez perdeu, dando-lhe a liberdade de tomar decisões desde as mais simples, como escolher qual vestido usar, até decisões maiores, como modificar a lei. Ele mostrou a ela a beleza da vida, mesmo que ele próprio não pudesse enxergá-la.
A vida que ele buscava, a maneira como queria ser tratado e tudo mais. Abel deu tudo o que ele mesmo não conseguia ter para ela. Ele deu tudo de si sem condições.
“Tudo o que consigo pensar agora é em rasgar esse vestido e jogar tudo em você da cabeça aos pés. Não gosto do jeito que ele te veste como uma boneca, querida.”
Como ele sabia? Para sobreviver todos esses anos sem ele, ela teve que agradar Máximo à sua própria maneira. Talvez ela tenha escolhido um caminho diferente e não tenha permanecido teimosa, assim como quando foi mantida cativa no Império Maganti, mas Aries fazia seu “futuro marido” feliz ao deixá-lo bombardeá-la com presentes e vestir-se do jeito que ele queria.
Ela odiava isso, mas se conseguisse suportar, não tinha objeções. O vestido não era apenas o problema, mas como um simples vestido a lembraria das correntes que a prendiam a Máximo.
“Então… vai tirá-los?” ela sussurrou, apertando o peito enquanto mantinha os olhos nele. “Pode?”
Abel ficou em silêncio, olhando profundamente em seus olhos. “Você não pode fazer isso sozinha?”
“Não posso.”
“Por quê?”
“Eu te disse…” Aries pressionou os lábios em uma linha fina. “… o problema está mais profundo do que na superfície.”
Não eram necessárias palavras para seus comentários aparentemente vagos. Ele também não fez mais perguntas, engolindo a tensão frustrante em sua garganta.
“Que frustrante…” ele sussurrou, alcançando o colar em seu pescoço. “… que eu nem posso te tocar, mesmo quando você está nua agora. Tenho que me conter só porque minha libido não é o mais importante agora.”
Assim que essas palavras saíram de sua boca, o colar se quebrou com um leve puxão. Não havia intenção maliciosa em seus olhos ao pegar pedaços e fragmentos dos acessórios extravagantes dela antes de usar a pontas afiadas de seus dedos para rasgar o vestido.
Tudo o que ela vestia foi removido lentamente, peça por peça, até que seu corpo estivesse nu. Aries manteve os olhos baixos, observando como as mangas de seu vestido desciam de seus ombros até os pulsos. Quando ele terminou, ela ergueu o olhar de volta para ele.
“Naquela noite, há dois anos…” ela começou, mas foi interrompida quando um dedo se pressionou em seus lábios.
“Vamos tomar banho. Estou cheirando mal.”
Aries mordeu levemente o canto interno do lábio inferior, vendo-o dar a ela um breve sorriso. Um suspiro raso escapou de seus lábios, e ela assentiu em concordância.
Dito isso, Aries segurou a mão dele enquanto ele a guiava até o banheiro. No caminho, ela não conseguiu evitar olhar ao redor do corredor vazio. Não precisava de muito tempo para pensar ao ver aquele design de interior estranho e antigo.
Esse lugar… parecia exatamente com sua casa no Império Haimirich. Era a mesma réplica da Mansão Proibida.
‘Parecia lar,’ ela sussurrou em sua mente, fixando o olhar nas costas dele. Sua expressão suavizou, seus olhos caíram na mão que segurava a dela. ‘Espero que isso não seja apenas outro sonho.’
Tendo experimentado pesadelos e vislumbrado diferentes caminhos da vida, Aries tinha uma linha clara entre visão e realidade. Exceto por este. Isso porque toda vez que alucinava sobre ele, Aries sempre se iludia pensando que era real até que a visão ou sonho terminasse.
Portanto, não importava o quão realistas fossem os acontecimentos, ela não estava totalmente certa de que isso não era mais uma de suas ilusões. Contudo, ela esperava que isso fosse real.
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Não havia ninguém nesta mansão para preparar um banho quente para os dois. Mas eles conseguiram e agora estavam sentados na mesma banheira. Aries abraçava os joelhos, com as costas apoiadas em um lado da banheira, os olhos fixos no homem oposto a ela.
“Saí de Haimirich sem nem mesmo tomar um banho decente.” Abel passou os dedos pelo cabelo úmido, levantando uma sobrancelha ao notar o olhar fixo dela. “Hmm?”
Aries apenas piscou, descansando o queixo no topo dos joelhos. Ela não disse nada, mas apenas continuou olhando para ele, sem desviar os olhos, nem por um instante. Ela até se esforçava para não piscar, mas mesmo quando perdia, piscava o mais rápido que podia.
“Hmm?” Abel soltou outro som curioso, aproximando-se e diminuindo a distância entre os dois. Ele abaixou a cabeça até ficarem no mesmo nível dos olhos. “O que foi, querida?”
Ela não respondeu imediatamente, mas quando seus lábios se separaram, uma observação aparentemente aleatória escapou de seus lábios.
“Duas noites atrás, a noite estava especialmente fria e silenciosa. Nem o fogo na lareira foi suficiente para me dar o calor que busco,” ela disse em um tom suave, mantendo o olhar naqueles belos olhos que refletiam seu rosto. “Mas eu adormeci em paz. Você sabe por quê?”
Abel inclinou a cabeça para o lado, testemunhando como seus lábios se curvaram em um breve sorriso.
“Você estava lá comigo,” ela continuou. “Você me manteve aquecida.”