A Mascote do Tirano - Capítulo 194
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- Capítulo 194 - 194 Terapia 194 Terapia Aries ficou com Conan por um tempo
194: Terapia 194: Terapia Aries ficou com Conan por um tempo, mas não demorou muito, pois as pessoas começariam a procurá-la. Ela terminou o dia como de costume, trabalhando na tarefa a qual deveria dar atenção, e então foi para o Palácio Safira. Embora não tivesse visto Joaquim durante o dia, Aries estava ciente das atuais adversidades no palácio interno e fingiu não ser afetada por isso.
“Bem-vinda de volta, Sua Alteza.” Gertrude a recebeu com uma reverência educada, junto com os servos, assim que Aries retornou. Aries acenou, e esse foi o sinal para Gertrude segui-la enquanto ela caminhava pelo corredor que levava ao seu quarto.
“Eu pedi para alguém trazer meu animal de estimação para cá. Onde ele está?” Aries perguntou sem tirar os olhos do corredor.
“Ele está no quarto ao lado de Sua Alteza.”
Aries assentiu com a resposta de Gertrude. “Leve-me até ele. Eu gostaria de acariciá-lo depois de um longo dia de trabalho.”
“Sim, Sua Alteza. Por aqui, por favor.”
Com isso, Gertrude guiou Aries pelo caminho enquanto os outros servos seguiam atrás. Quando chegaram ao quarto perto de Aries, ela olhou para os servos atrás, mas não disse nada. Em vez disso, deixou Gertrude abrir a porta para ela antes de entrar.
Assim que pisou dentro do quarto, sua expressão se tornou severa. Curtis estava preso numa pequena gaiola no canto do quarto.
“Eu vou deixá-lo sair —”
“Não é necessário, Gertrude. Fique aí e não deixe ninguém entrar.” Aries nem sequer olhou para Gertrude enquanto caminhava em direção à gaiola.
Essa gaiola a fez lembrar da gaiola onde a trancavam, fazendo seu coração apertar, mas não o suficiente para paralisá-la completamente. Se algo, isso apenas acendeu sua determinação para salvar Curtis.
Agachando-se fora da gaiola, Aries sorriu e baixou a cabeça para ver Curtis. Ele estava todo encolhido, tentando se encaixar perfeitamente naquela pequena gaiola. A julgar pela aparência, Curtis já estava acostumado com aquela gaiola e parecia bastante aconchegado lá dentro.
“Olá. Eu voltei,” sussurrou ela, chamando a atenção de Curtis. “Me desculpe por terem te colocado de volta aqui. Venha tomare chá comigo.”
Aries abriu a porta, que nem estava trancada, mas Curtis nem tentou escapar. Uma leve amargura surgiu em seus olhos, mas ela manteve o sorriso forçado no rosto enquanto estendia a mão.
“Vamos, Curtis.”
Curtis a olhou sem dizer uma palavra e olhou para a mão dela antes de se arrastar para fora. Assim que ele se aproximou da mão dela, encostou a cabeça na palma dela e então olhou para cima.
“Também estou feliz em te ver, Curtis.” Ela sorriu, acariciando sua bochecha e a roçando com o polegar. “Mas o que eu te disse? Não se arraste mais, certo? Pode ficar de pé direito?”
Já que ele não respondia mais, Aries segurou seus braços e tentou ajudá-lo a ficar de pé para que ele pudesse andar sobre os pés. No entanto, enquanto fazia isso, Curtis segurou seus braços delgados e tremeu, caindo em seguida de joelhos e arranhando seu braço.
THUD!
“Sua Alteza!” Gertrude gritou por instinto, vendo o arranhão no braço de Aries. No entanto, assim que ela deu um passo, sua respiração falhou e ela congelou com o olhar que recebeu de Aries.
Aries desviou seu olhar dela e então voltou para Curtis, apenas para ver o terror nublando suas feições. Um suspiro se escapou de seus lábios, agachando-se mais uma vez.
“Está tudo bem,” ela tranquilizou com um sorriso. “Não estou brava. Vamos, vamos tentar novamente, hmm?”
Desta vez, Curtis estava receoso de se aproximar dela novamente, vendo os arranhões vermelhos em seus braços. No entanto, ela dobrou os dedos e esperou por ele pacientemente. Então ele se arrastou hesitante em direção a ela mais uma vez.
Seus olhos se suavizaram, segurando seu braço mais uma vez. “Não tenha medo de tentar, está bem? Estarei aqui a cada passo do caminho e não importa quantas vezes você caia.” Ela encorajou com voz suave, ajudando-o a se levantar, mas sem sucesso.
Curtis havia vivido rastejando como um animal, então andar como seres humanos normais se tornou uma luta para ele. Mas Aries estava determinada a ajudá-lo. Ela tinha tempo, e não ficou em seu escritório além do horário porque queria poupar um tempo para ajudar Curtis.
Eles tentaram e tentaram, levantando-se apenas para desabar no chão com um baque. À medida que faziam isso, os arranhões em seus braços aumentavam. Gertrude, que estava testemunhando isso, não pôde evitar de cobrir os lábios, segurando a respiração, sentindo pena de ambos.
Embora Aries não tenha revelado seu relacionamento com Curtis, ela não foi lenta em concluir que este homem, que chegou numa gaiola por volta do almoço, era alguém querido no coração de Aries. Era desprezível. Gertrude já considerava este lugar desprezível por tolerar tal ato desumano a um ser humano, mas ao presenciar esta situação, não pôde deixar de pensar em todas as piores coisas que Aries suportou nesse lugar.
Se esse jovem chamado Curtis havia se transformado assim, que tipo de inferno Aries suportou? Já era um milagre Aries estar sã… ou será que ela está? De qualquer forma, isso estava lentamente partindo o coração de Gertrude enquanto lágrimas brilhavam em seus olhos.
“Isso mesmo… você está indo bem, Curtis.” Aries animou no mesmo tom paciente, ajudando Curtis pela enésima vez. “Você está se saindo bem. Quase lá.”
Seus braços tremeram junto com o aperto dele, assistindo Curtis endireitar os joelhos com grande dificuldade. Seus olhos brilhavam de antecipação, enquanto Gertrude torcia por eles em silêncio.
“Quase… quase…” ela disse e segurou Curtis pela cintura quando seus joelhos quase cederam, mantendo-o firme ao seu lado com um sorriso orgulhoso no rosto. “Você foi ótimo, Curtis. Isso é o suficiente por hoje.”
Curtis simplesmente se segurou nela, com suores brotando de sua testa e costas. Devido ao seu corpo magro e quase desnutrido, não foi uma tarefa árdua carregá-lo pela cintura. Gertrude também ajudou até que ambos Aries e Curtis se sentassem no longo canapé.
“Estou tão orgulhosa de você, Curtis.” Aries bagunçou seu cabelo enquanto ele se sentava direito pela primeira vez em muito tempo. Ela podia ver a genuína maravilha e o leve desconforto que ele sentia enquanto estava sentado, mas ela ignorou isso. Deixá-lo se agachar como de costume não o ajudaria.
“Gertrude.” Aries expirou, retirando a mão da cabeça de Curtis enquanto fixava sua atenção em Gertrude. Desta vez, no entanto, sua expressão suave lentamente desapareceu, substituída por severidade e frieza. “Traga alguns lanches para Curtis — lanches saudáveis que ele possa apreciar e… leve essa gaiola para o jardim.”
“Sim, Sua Alteza.” A resposta de Gertrude foi rápida, sabendo que apenas a visão daquela gaiola só traria dor e terríveis memórias, não apenas para Curtis mas também para Aries. Mas, antes que ela pudesse executar a ordem, Aries falou novamente.
“E reúna todos, servos e cavaleiros, no jardim, incluindo aqueles que entregaram Curtis no Palácio Safira.” Gertrude inconscientemente segurou a respiração, sentindo a intenção assassina emanando das costas de Aries como um grito silencioso. “Qualquer um que recusar esta ordem será punido de acordo.”
“Si — sim, Sua Alteza.” Ela gaguejou, tendo este pressentimento de que as coisas ficariam sangrentas naquela noite, e Gertrude, pela primeira vez, embora aterrorizada por Aries, não estava assustada por ela.