A Mascote do Tirano - Capítulo 185
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185: Não o insulte desse jeito! 185: Não o insulte desse jeito! “Você não voltou para o Haimirich.”
Aries provocou, sentada na outra ponta da banheira com os braços cruzados, olhos fixos no homem na outra ponta. Abel estava com os braços estendidos sobre a borda, com as sobrancelhas levantadas.
“Eu voltei.”
“Não, você planejou voltar,” ela corrigiu no que acreditava ser o que ele realmente quis dizer. “Você não pode ir e voltar de Maganti para o Haimirich em tão pouco tempo.”
Abel soltou uma respiração rasa e deu de ombros. “Eu voei.”
“Voou?”
“Sim.”
“Tipo, com asas?” ela perguntou, só para vê-lo assentir sem uma segunda hesitação, deixando-a sem palavras por um momento. “Você está dizendo que tem asas? E você voou daqui para o Haimirich? O que você é? Um anjo?”
Ele sorriu descrente com o nariz enrugado. “Querida, não me insulte assim! Demônios também voam!”
Desta vez, Aries fechou os olhos enquanto respirava fundo. Ela já estava acostumada a Abel usando essa desculpa ridícula, pensando que essa era a forma dele desviar sua atenção. Se ao menos ela soubesse que ele não estava mentindo; Abel de fato voava.
“Tudo bem, seja como for.” Ela balançou a cabeça como se isso ajudasse a clarear sua mente. “Vamos apenas dizer que você fez isso, certo? E sobre o Haimirich, Abel? Como você pode deixar seu império e ir para outro apenas para…”
“Apenas para fazer o quê?” Abel inclinou a cabeça para o lado. “Apenas para transar? Correção. Eu não transei com você. Eu fiz amor com você e isso é cem vezes mais importante que o Haimirich.”
“Seu povo! E quanto a eles?” ela enfatizou, arregalando os olhos para fazer seu ponto.
“Bem, e quanto a eles, querida?”
“Ugh… como você pode — nossa!” Aries massageou a têmpora.
Além de Joaquim, que estava ‘drogado’, como Abel havia dito a ela, ter Abel em Maganti só indicava problemas. Mesmo que ele fosse capaz, como ele poderia invadir um lugar — um palácio imperial, para ser preciso — sem nenhum convite oficial?
Se Abel fosse morto neste lugar, ninguém sequer saberia! O Império Maganti certamente usaria isso como desculpa para invadir o Império Haimirich.
Enquanto Aries massageava as têmporas de olhos fechados, Abel simplesmente a observava em silêncio. Ele já havia expressado que não queria falar sobre o Haimirich com Aries, sabendo que essa seria sua preocupação. No entanto, ela não acreditaria nele sobre alcançar o Haimirich e então voltar para Maganti.
Não que ele não entendesse o argumento dela, mas na verdade não havia realmente nenhum problema com o Haimirich. Ele trabalhou dez vezes mais só para resolver as coisas no Haimirich antes de partir, então aqueles que foram deixados no comando não precisavam tomar grandes decisões por conta própria.
‘Eu não precisava fazer isso e deixar o Haimirich morrer…’ ele pensou, abaixando o olhar antes de levantá-lo de volta para ela. ‘… Eu não preciso mais disso, mas você…’
Abel fechou os olhos e esticou o pescoço de um lado para o outro, ignorando os murmúrios e queixas dela. Quando ele abriu os olhos, um brilho cintilou neles enquanto seu olhar pousava instantaneamente sobre ela.
“Aries,” ele chamou, pondo um ponto final em seus resmungos. “Querida.”
Ele agarrou as bordas da banheira, se puxando enquanto deslizava para mais perto dela. Quando estava a apenas duas palmos de distância dela, procurou por seus olhos e os fitou de forma incrivelmente terna… e perigosa.
“Eu te disse no passado, você não quer seu nome dentro da minha cabeça,” saiu uma voz rouca e sombria, inclinando o rosto para frente, olhos trancados nos dela. “No entanto, não só você deixou seu nome ser conhecido por mim, você viveu dentro da minha cabeça, vandalizando todo espaço enquanto escrevia seu nome em cada canto que você via.”
Abel tocou sua têmpora levemente. “Você tem que assumir a responsabilidade.”
“Abel, você está me assustando.” Aries colocou o punho em seu peito tatuado, se inclinando para trás enquanto ele parecia que morderia seu pescoço se ela não cedesse. O homem parecia alguém… a pessoa que a acolheu. Sua aura, seus olhos e apenas o seu tom eram como um choque frio de água, lembrando-a de que tipo de pessoa ele era até pouco tempo atrás.
Abel não mudou. Ele mudou seus modos, mas ele sempre seria Abel. Alguém que era como uma bomba-relógio e colocaria o mundo em chamas se alguém o irritasse do jeito errado.
“Querida, é um erro se você pensa que não deve.” Ele piscou, estudando o rosto dela antes de erguer o polegar para acariciar sua bochecha. “Se você está preocupada com o Haimirich, eu mesmo vou incendiá-lo para você não ter mais que se preocupar com isso. Não me afaste, eu não estou mentindo.”
Aries mordeu o lábio interno, baixando o olhar enquanto soltava uma respiração rasa. “O povo… a vida das pessoas tem valor.”
“Você está dizendo que seu marido e todos neste maldito palácio têm valor? Você sente pena deles?”
“Não, mas —”
“Sem mas, querida. Uma vez que você matou alguém, você matou. Fim de conversa. Suas mãos estão sujas. Guerras são apenas a desculpa para fazer um assassino parecer uma coisa boa, concedendo a pessoa que matou mais o título de herói,” ele explicou em um tom consciente, sem adoçar nem o menor detalhe. “Matando o príncipe herdeiro, a família real e seu povo, você acha que o Maganti vai se tornar um lugar melhor? Querida, você já saiu deste lugar? Você viu as pessoas além das muralhas do castelo? O que você faria se visse os sorrisos das pessoas nas ruas?”
“Mesmo que você diga, houve partes neste lugar que incitariam a ira pública, você não pode parar isso. Pobreza, prostituição, o mercado negro, e todas essas coisas nunca terão fim, querida. Isso é o que os humanos chamam… a triste verdade; a verdade é sempre triste e dura, a razão pela qual as pessoas não gostam dela,” ele acrescentou com a mesma convicção, olhando diretamente nos olhos dela.
Aries apertou os lábios, sem palavras diante de suas declarações. Ela não podia argumentar contra isso. Como ela poderia argumentar contra a verdade? Era isso que realmente o fazia diferente dos demais e também assustador. Enquanto todos estavam rindo e falando sobre diplomacia, tratados e similares, Abel falaria sobre as mentiras deles.
As mentiras e hipocrisias de todos… incluindo as dela. Sem exceções.
“Você é sempre tão teimosa, querida.” Abel acariciou as lâminas dos ombros dela com a parte de trás dos dedos, relembrando o tempo em que também teve uma discussão com ela sobre a queda de Rikhill. Aries ainda não havia superado o hábito de romantizar suas ações. Essa não era a intenção dele quando ele propôs essa ideia de vingança.
“Você está tentando mudar minha mente agora?”
“Não.” Ele balançou a cabeça e acariciou o queixo dela. “O que estou dizendo é, coisas como… pessoas não deveriam influenciá-la. Você tinha uma opção; ou você e seu povo caído ou o Maganti — o Maganti inteiro. Não há meio termo, querida. Para mim, é a opção entre você e o Haimirich. Eu estou aqui. Você não é tola para não entender qual escolhi.”
“É você,” ele continuou encaixando o queixo dela. “Mas caso você tenha que decidir no futuro entre você e eu, escolha o último. Sempre escolha a si mesma, querida. Assim como você escolheria a si mesma sobre o povo do Império Maganti. Hmm?”
O medo inicial que ela sentiu lentamente diminuiu, substituído por um sentimento inexplicavelmente inquietante que ela não conseguia verbalizar. No final, Aries franziu a testa enquanto mordiscava os lábios, baixando a cabeça até que sua testa estava descansando no ombro dele.
“Você fala de forma tão cruel,” saiu uma voz abafada enquanto ele ria, envolvendo os braços ao redor dela.
“Ah, querida, eu não quis te chatear dessa forma.” Ele acariciou suas costas, tranquilizando-a para fazê-la se sentir um pouco melhor. “Devo te fazer se sentir melhor? Eu sei um jeito.”