A Mascote do Tirano - Capítulo 153
153: Prelúdio 153: Prelúdio “Sua Alteza.”
Aries olhou para cima, vendo o rosto preocupado de Gertrude enquanto segurava sua mão. Só então ela percebeu que estava coçando o ombro que Joaquim beijou mais cedo enquanto estava mergulhada na banheira. Seus lábios já estavam um pouco inchados enquanto tentava limpar os vestígios daquele homem.
“Por favor, deixe-me ajudá-la, Sua Alteza,” Gertrude ofereceu, guiando a mão de Aries na borda da banheira. Esta apenas apertou os lábios e olhou para baixo.
Gertrude se moveu e sentou-se no pequeno banquinho fora da banheira, os olhos cheios de preocupação. Ela havia passado quase um ano servindo Aries, e essa era a única vez que testemunhara sua mestra agir tão perturbada. Ou melhor, carregar o olhar de alguém que estava embriagado de sede de sangue; Aries estava começando a assustá-la e a preocupá-la.
“Gertrude,” chamou Aries, dobrando os joelhos para apoiar as mãos sobre eles. “Você sabe de onde Sua Majestade me recolheu, certo?”
Os olhos de Gertrude se acenderam com amargura, esfregando as costas de Aries suavemente. “Sim, Sua Alteza.”
“Antes de encontrar o Abel… Eu estava nesse lugar,” continuou Aries, mas Gertrude já sabia disso. A outra não conhecia os detalhes, mas apenas a palavra ‘troféu de guerra,’ era suficiente para dar uma vaga ideia do que Aries havia passado.
“Aquele homem, Joaquim, com quem eu proferi meus votos matrimoniais, massacrou minha família e meu povo e me fez assistir à morte deles, um após o outro,” ela murmurou coisas que nunca havia contado a ninguém além do Abel. Ela confiava em Gertrude pois esta havia provado sua lealdade a Aries. “Eu nunca pensei que torturar alguém não exigisse dor física. Torturar e matar uma pessoa por dentro é muito pior — é entorpecedor.”
“Minha senhora…”
“Eu vou matá-lo.” O fôlego de Gertrude ficou preso, e ela olhou ao redor por instinto, já que ainda não estavam acostumadas com o lugar e não sabiam se alguém estava ouvindo e ouviu os comentários de Aries. “Eu vou começar de dentro também e lentamente roer meu caminho para fora de sua pele. Ele nem mesmo saberá disso até eu fazê-lo.”
Aries riu baixinho enquanto Gertrude franzia a testa preocupada. “Hah… sério. Estou tremendo.” Ela olhou para sua mão em seus joelhos, tremendo incontrolavelmente. Talvez fosse o pesadelo da noite passada sobre Davien ou apenas a energia deste lugar que estava infectando seu coração como um parasita. De qualquer forma, Aries não podia deixar de sentir essa catarse fervendo por dentro, pronta para seu momento justo de ser liberada.
“Minha senhora, eles podem ouvir você.” Gertrude respirou com cautela, um pouco assustada com Aries. Mesmo assim, entendeu de onde ela vinha. Não havia passado vinte e quatro horas desde que pisaram aqui, e Gertrude já tinha uma má impressão sobre o lugar e as pessoas neste palácio imperial.
“Me ouvir?” Aries olhou para Gertrude e sorriu maliciosamente. “Tem alguém aí?!” ela gritou, quase dando um ataque cardíaco em sua empregada pessoal.
“Minha senhora!”
“Haha! Oh, Gertrude!” ela riu enquanto se inclinava para trás, passando a mão pelos cabelos loiros enquanto se encostava na banheira. Seus cabelos pendiam para fora da banheira, inclinando a cabeça para trás, olhos em Gertrude.
“Mesmo que eu grite aqui dentro, ninguém vai ouvir. Acredite em mim, eu sei, afinal, meus gritos no passado não alcançaram ninguém.”
“Mas minha senhora, sua situação agora e antes é diferente.”
Aries balançou a cabeça com os lábios fechados. “É a mesma coisa, Gertrude.” Ela pressionou os lábios e os estalou, respirando pela boca.
“Honestamente, eu poderia ter feito isso antes. Isso… vingança, quero dizer. Eu sei que poderia fazê-lo, mas não fiz,” ela expressou, pensando no passado e no presente. Se Aries realmente tivesse querido no passado, ela se tornaria alguém por quem Joaquim enlouqueceria. Mas ela não fez.
Não era que essa ideia não tivesse passado pela cabeça dela. Na verdade, passou tantas vezes que ela perdeu a conta. A única razão pela qual ela não recorreu a tais meios era que… Aries tinha certeza de que se mataria assim que terminasse. Ela não teria mais um propósito depois que todos no Império Maganti estivessem mortos.
“Se eu tivesse feito isso no passado, não teria a oportunidade de conhecer ele.” Ela sorriu e deu um olhar para Gertrude. “Eu nunca encontraria o Abel. Meu irmão, Senhor Conan, você e Minerva.”
“Minha senhora…”
“Agora, eu sei, mesmo que eu endoideça, alguém endoidecerá comigo.” Aries lentamente desviou o olhar de Gertrude enquanto seus olhos brilhavam maliciosamente. “Eu acho que isso é mais uma coisa pela qual devo agradecer a Deus, você não acha?”
Ela olhou para Gertrude mais uma vez e viu a outra baixar a cabeça. Ela riu, lambendo os lábios em seguida enquanto cantarolava.
“Você tem medo de mim, Gertrude?” perguntou Aries, sentindo a vibração das mãos de sua empregada em seus braços.
Gertrude olhou para Aries enquanto continuava a limpar seus braços. “Estaria mentindo se dissesse que não estou com medo de você. Você me lembra o imperador, minha senhora.”
“Hah. Abel. Faz sentido, já que ele me influenciou em muitas coisas.” Aries balançou a cabeça, manifestando o espírito de seu amante apenas para que pudesse sentir-se libertada. Abel era um espírito livre e Aries sentia vontade de sair de sua concha e abraçar a pequena loucura que vinha escondendo.
“Também estou preocupada que você faça algo impensado,” Gertrude acrescentou. “Eu sei que você é capaz, e eles merecem retribuição por todas as atrocidades que cometeram. Mas ainda estou preocupada.”
Aries olhou para ela mais uma vez e sorriu. Embora Gertrude não tenha dito em voz alta, Aries entendeu a mensagem. Gertrude estava preocupada porque se importava. Não que Aries estivesse sendo complacente, mas uma das muitas vantagens que tinha neste lugar era… ela viveu aqui tempo suficiente para conhecer as pessoas que moravam aqui.
“Não se preocupe, Gertrude. Eu não vou colocar você e Minerva em perigo.”
“Minha senhora, não é isso que…”
“Shhh.” Aries colocou o dedo na frente dos lábios, fazendo sinal para Gertrude ficar em silêncio. “Melhor assim. Enfim, prepare meu vestido mais bonito. Estarei esperando pessoas, as curiosas, e impressionar alguém é meu objetivo.”