A Mascote do Tirano - Capítulo 144
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144: Quem te mandou? 144: Quem te mandou? Como um costume matrimonial acordado por ambos os impérios, Aries teria que viajar sem tirar seu véu em público e sempre, a todo momento, ficar sozinha. A menos que precisasse da assistência de sua dama de companhia. Ninguém poderia acompanhá-la na carruagem, enquanto o enviado do Império Maganti e os soldados do Império Haimirich protegessem sua carruagem com suas vidas.
Qualquer coisa poderia acontecer no caminho, então a segurança era rigorosa, escoltada somente pelos cavaleiros de elite de ambos os impérios.
“Ele realmente não me despediu,” Aries sussurrou, deslizando o dedo na cortina para espiar. “A noite está prestes a cair.”
Ela lentamente recolheu a mão ao ver que entrariam numa cidade para descansar durante a noite. Um suspiro superficial escapou de seus lábios, recostando-se, inclinando a cabeça para trás, olhos fechados. Seu vestido pesado era a menor das suas preocupações.
Seria uma viagem muito longa e ela teria que permanecer dentro da coragem o tempo todo. Seria melhor se Gertrude estivesse com ela.
“Eu me sinto um pouco triste…” ela expirou, pensando que após seu casamento, mal teve tempo de trocar por algo mais ‘confortável’ e se despedir de todos. “… ainda sinto falta dele.”
Seu relacionamento com Abel era um caminho pedregoso. Mesmo quando compartilhavam noites e dias apaixonados, sempre havia algo que disparava na cabeça do outro que os enlouquecia por alguma coisa. Levou bastante tempo até começarem a confiar completamente no coração um do outro.
Ainda assim, Aries sentia falta de Abel. Ela não podia evitar.
Não importava como passavam cada dia juntos como se fosse o último, o vazio em seu coração estava se tornando distinto. Talvez isso fosse porque ela não tinha nada mais o que fazer além de pensar—não sobre Abel, mas sobre aquele lugar, o Império Maganti. Então, sua mente automaticamente desviava para Abel, já que ele era a melhor coisa que aconteceu com ela… e ele também era lindo. Ele era a distração perfeita.
“Maganti…” Aries olhou para baixo, encarando o anel de jade em seu dedo indicador. Ela o acariciava com o polegar, olhos caindo até que estivessem parcialmente fechados.
“Ainda parece surreal,” ela adicionou em voz baixa.
Embora Aries estivesse se preparando para seu retorno ao país do marido, ainda não tinha completamente se dado conta disso. Mesmo neste exato segundo, ela ainda não conseguia acreditar que isso estivesse acontecendo. Havia momentos em que se perguntava se isso era simplesmente um sonho ou um pesadelo.
“Eu nem sei o que sentir ainda.” — havia apenas muitas emoções lutando em seu coração, brigando pela dominância. “Eu nem sei por onde começar…”
Sua expressão resignada gradualmente se intensificou. Sua garganta se moveu enquanto ela engolia, tomando um fôlego profundo, polegar ainda acariciando o anel de jade.
“Mas eu sei muito bem quem será o primeiro.” Ela piscou elegantemente, desviando os olhos do seu anel. “Inez Imperial.”
Aries apoiou seu queixo contra seus nós dos dedos ao mencionar o nome daquela mulher. Já fazia um tempo desde que ela falou o nome de alguém no passado. Mas ela já tinha os nomes anotados. Todos… naquele lugar que tiraram proveito e se deleitaram com sua miséria pagariam um por um.
Inez, a mimada nona princesa, seria a primeira.
No mencionado império, o príncipe herdeiro não foi o único que colocou Aries no inferno. Aries… ela não passava de um brinquedo, que o príncipe herdeiro podia deixar seus irmãos pegarem emprestado. Ela nem queria pensar no que eles a faziam fazer ou no que faziam com ela.
Mas Inez… era a pior.
“Hah… Mal posso esperar para encontrá-la,” Aries murmurou, os olhos brilhando de desprezo, pensando naquele sorriso presunçoso no rosto da mulher e em sua risada maldosa.
Ela permaneceu em silêncio por um longo tempo até que a carruagem parou. Aries arqueou uma sobrancelha ao ouvir uma batida, seguida pela voz de um homem, dizendo a ela que haviam chegado à primeira parada.
Aries não respondeu, sabendo que não precisava. ‘Logo…’ ela proferiu internamente antes de Gertrude vir para ajudá-la na casa nobre, que acomodaria a comitiva de Aries durante a noite.
*****
“Minha senhora, se precisar de mim, eu…”
“Gertrude.” Aries lançou um olhar para Gertrude, sentada na beira do colchão. A outra ainda estava de pé, mãos sobre o abdômen, com a cabeça levemente abaixada.
“Você não precisa se preocupar tanto. Estou bem.”
Gertrude comprimiu os lábios e baixou o olhar. Ela estava ciente dos planos de Aries, mas apenas o conhecimento geral. Então, ela não podia deixar de se preocupar com muitos fatores.
“Estivemos na estrada o dia todo. Você também deve descansar. Não quero que adoeça logo antes de chegarmos à casa do meu marido,” a voz de Aries era suave e amável, mas por trás de seus olhos gentis escondia-se algo arrepiante.
“Então, por favor, durma bem, Sua Alteza.” Gertrude mostrou um sorriso fraco antes de se curvar, se retirando sem fazer barulho.
click…
Aries piscou com ternura ao ver a porta se fechar com um suave clique. Um suspiro superficial escapou de seus lábios, virando a cabeça na direção da janela. Era uma coisa boa que a influência de Dexter se estendesse até o último país do Império.
Ela não precisava procurar por pousadas, porque em cada cidade, um aliado do líder aristocrata, Aries seria recebida como convidada.
“A influência do Irmão é ainda mais incrível quanto mais penso nela,” saiu um sussurro, sorrindo, antes de se aconchegar para dormir.
Devido a uma viagem cansativa, não demorou muito para ela adormecer.
A noite estava silenciosa, mais plácida do que qualquer outra noite. Conforme a noite se aprofundava e sua respiração ficava mais pesada, o som de um suave rangido vindo da janela soou incrivelmente alto. O vento suave soprava para dentro de seu quarto ao mesmo tempo em que um pé tocava o chão.
No escuro, a imponente figura se aproximou cuidadosamente de Aries, que dormia sem som em sua cama. Uma mão se aproximava lentamente de sua garganta, mas no segundo em que seu hálito tocou a pele dele, seus olhos se abriram.
Aries não desperdiçou um milissegundo enquanto instantaneamente enrolava suas pernas ao redor do braço dele, pulando em cima dele, logo após tirar uma adaga de baixo do travesseiro. Um brilho reluzia em seus olhos, encarando o intruso como uma fera incomodada durante seu sono.
“Quem te mandou?” saiu uma voz trêmula, cheia.
“Meu… libido.”
Ela piscou duas vezes ao ouvir a voz familiar de Abel acariciando seus ouvidos. O lado de seu lábio se curvou brincalhão, mão na frente da garganta, segurando a lâmina da adaga que quase perfurou seu pescoço.