A Mascote do Tirano - Capítulo 110
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110: A única coisa pela qual ela espera todos os dias 110: A única coisa pela qual ela espera todos os dias Aries permaneceu em seu quarto no dia seguinte, emburrada como uma princesa mimada. Mas isso não era para ganhar simpatia de Dexter. Ela estava em seu quarto porque falou sério quando disse que viveria quieta como um rato morto.
Nos primeiros três dias em que ela seguiu Dexter, ela fez questão de que ele sentisse sua presença. Mesmo que ficasse à distância e não fizesse nada de importante além de segui-lo, isso já era o suficiente para ela. Seu objetivo era deixar Dexter saber que ‘sua irmã’ estava naquele lugar.
“Senhora, Sua Senhoria vai ficar preocupado se você não se alimentar direito.” A voz preocupada da jovem empregada penteando os cabelos de Aries a trouxe de volta ao momento atual. “Você ainda está se recuperando e…”
“Não quero ouvir mais nada de você,” saiu uma voz fria, olhando para o reflexo do servo no espelho da penteadeira. Este último baixou a cabeça e apertou os lábios, continuando a pentear os cabelos de Aries delicadamente.
‘Me desculpe,’ Aries se desculpou em seu coração, pois estava simplesmente seguindo o caráter de Daniela em sua cabeça.
Ela não podia pintar Daniela como alguém pura de coração de ouro. Aries acreditava que alguém que era bom demais para ser verdade era muito mais perigoso. Ela aprendeu sua lição com aquele homem; o homem que também era bom demais para ser verdade, mas acabou arruinando seu país e ela.
Além disso, pelo que Dexter lhe contou, Daniela parecia adorável e carinhosa com Dexter, mas também um pouco terrível. Embora ele não tenha especificado nada, Aries queria estar o mais perto possível dos pequenos detalhes que o marquês lhe contou sobre sua irmã.
“Não mencione o nome dele.” Aries quebrou seu silêncio com uma voz melancólica, chamando a atenção do servo. “É melhor ele ficar naquele lugar. Pelo menos, ele pode usar a distância como desculpa para não visitar sua única irmã.”
“Minhas desculpas, minha Senhora.”
“Apenas não faça isso de novo, a menos que eu diga para fazer. Conheça seu lugar.” Ela olhou mais uma vez para a jovem empregada, vendo esta última assentir.
O silêncio então se fez na sala até a empregada terminar de servir Aries. Assim que esta última foi preparada para ir para a cama, a jovem empregada, que vinha ajudando Aries desde o primeiro dia no solar, se despediu.
CLICK
Aries soltou um suspiro profundo assim que ouviu o clique da porta. Ela olhou para ela só para se certificar de que estava fechada antes de desabar na cama.
“É um pouco exaustivo,” ela sussurrou, com os braços espalhados na cama, olhos no teto. “Mas eu estou lentamente pegando o jeito.”
Agir como alguém e permanecer no personagem o dia todo era difícil. Mesmo quando não havia ninguém olhando, Aries permanecia no personagem para que não houvesse deslizes. Apenas à noite, quando sabia que ninguém iria incomodá-la novamente, ela desmontaria a máscara que estava usando.
‘Se ele não me ver em uma semana, terei que forçá-lo.’ Ela assentiu, com um plano meticuloso em mente, caso ficar em seu quarto não funcionasse com Dexter. Afinal, ela já havia previsto que Dexter não cairia nisso assim tão cedo. Mas ela estava sendo paciente, já que tinha que confiar no processo.
Seus olhos amarguraram suavemente ao pensar mais sobre isso. Agora mesmo, ela estava planejando enganar Dexter, que não havia feito nada de errado com ela. E ela pensava nisso casualmente, como se fosse algum tipo de projeto. Embora fosse inofensivo de certa forma, Aries estava ciente de seu coração.
“Você está se tornando aos poucos exatamente como eles, Aries.” — assim como aquelas pessoas que usariam outras pessoas para o seu próprio interesse.
“Mas então, se eu não fizer isso, nunca alcançarei a justiça que busco.” Aries soltou o ar, descansando o braço sobre seus olhos. “Apenas pense em todas aquelas coisas que eles fizeram com você. Aqueles atos atrozes que até agora me assombram… é um milagre que eu tenha sobrevivido todos esses anos.”
Houve um longo silêncio no quarto enquanto ela ouvia suas respirações profundas. Aries nunca esqueceria. Mesmo que quisesse esquecer, aquele homem (o príncipe herdeiro do Império Maganti) fez questão de que ela nunca se esquecesse dele.
“Preciso ser Daniela. Eu sou Daniela. Aries morreu naquele dia em que fugiu de sua jaula,” saiu num sussurro, apertando as mãos em punho enquanto seu maxilar se tensionava. “Aries já estava morta há muito tempo; eles a assassinaram. Daniela… ela entraria em sua terra e, como um parasita… lentamente os mataria por dentro. Ela vingaria a mim.”
Na primeira vez que Abel propôs esse plano, Aries sentiu-se um pouco conflitante a respeito. Parecia surreal para ela. Bem, por que Abel iria contra um país poderoso só por causa de uma pessoa? Abel poderia ser um tirano louco, mas não era um governante sem sentido.
Ele podia ser irracional e brincalhão às vezes, mas essa era uma grande decisão para Haimirich. Então Aries não queria desperdiçar essa oportunidade.
Ela não queria que o povo de Abel derramasse sangue em uma guerra por ela. Ela tinha um plano diferente e tinha que ter sucesso, não importa o quê. Essa era a única maneira de salvar os exércitos imperiais de Haimirich de marcharem para aquela terra.
“Pensarei nisso mais tarde, depois que Dexter acreditar…”
KNOCK KNOCK
Aries interrompeu-se, afastando o braço dos olhos para o balcão. Ela apoiou o cotovelo para se levantar, vendo um corvo batendo o bico contra o vidro.
“Abel,” ela sussurrou e um sorriso sutil dominou instantaneamente seu rosto. Aries se apressou a tirar as pernas da cama para abrir a varanda e receber a carta de Abel.
Faziam três dias desde que ela o viu pela última vez. Mas, todas as noites, ele nunca se esquecia de escrever para ela. Ela ficou agachada enquanto abria o pergaminho.
[ Você quer se casar comigo? ]
Uma gargalhada instantânea escapou de seus lábios, olhando para o corvo antes de acariciá-lo. “As cartas do seu mestre são as únicas que eu aguardo todos os dias.”