A Mascote do Tirano - Capítulo 107
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107: Ela estava com medo do que havia dentro de sua cabeça e alma 107: Ela estava com medo do que havia dentro de sua cabeça e alma Quando Aries acordou no dia seguinte, ela sorriu amargamente enquanto acariciava o espaço vazio ao seu lado. Não era a primeira manhã sem Abel, mas parecia ser.
Era quase inacreditável.
“Não faz muito tempo, eu fico aliviada sempre que acordo sem ele,” ela sussurrou, suspirando enquanto ajeitava a mão nas dobras do lençol. Ela ainda podia sentir o calor fraco que ele deixou e seu cheiro distinto no lençol branco e em seu corpo.
Aries sorriu, sabendo que esses eram as provas de que Abel esteve com ela a noite passada. “Não estou tão chateada quanto pensei que estaria,” ela murmurou movendo-se para mais perto do espaço onde ele se deitou a noite passada enquanto segurava o cobertor.
Como Abel entrou e saiu não importava para ela. O homem era Abel; ele podia fazer o que quisesse. Invadir o espaço pessoal ou a propriedade de alguém era moleza para ele. Tudo que ela tinha em mente era que ela conseguiria se virar nesse lugar, devagar mas com certeza.
Aries rolou na cama, acordou um pouco cedo demais antes que as empregadas viessem para atendê-la durante o dia. Quando se deitou de costas, olhando para o teto, Aries franzia a testa.
“Estou…” ela mordeu a língua, concentrando-se no pensamento súbito em sua cabeça. “… obcecada?”
Ela não gostava do termo, mas quanto mais pensava em suas ações, a loucura que se avolumava em seu peito com a ideia de Abel estar com outra mulher era algo que nunca tinha sentido antes. Ela tinha ficado com raiva. Mas era diferente porque também se sentia um pouco ferida.
“Não, não, é claro que não estou.” Aries balançou a cabeça para tirar esse pensamento da cabeça. “Isso não…”
Uma vez mais, ela deixou sua fala morrer enquanto encarava o teto. Se Abel não tivesse vindo a noite passada, ela tinha certeza que a semente da dúvida em seu coração cresceria significativamente. Mas como era óbvio que ele não faria isso, ela se sentiu mais calma e aliviada agora.
“Será que eu amo Abel?” ela se perguntou, e nem piscou ao responder rapidamente, “não, eu não amo.”
Não era amor. Amor… era algo que ela tinha uma péssima imagem. O amor era a palavra que todos usavam, que eventualmente levava àquela tragédia.
“Eu quero que ele morra? Abel… você pode viver sem ele, Aries?” ela perguntou novamente, reavaliando seu estado de espírito, não de coração. Desta vez, seus olhos amoleciam em amargura enquanto suspirava na resposta que ela chegou.
“Abel não pode morrer… nas mãos de alguém que não sejam as minhas.” Ela estava bem se Abel morresse pelas mãos dela, mas definitivamente não estava tranquila se ele morresse nas mãos de outra pessoa.
Talvez ela tenha se tornado lentamente uma pervertida depois de passar dias e noites com ele. Mas isso era o que estava claro para ela. Não que ela quisesse matá-lo, mas ela era capaz de fazer o extremo se ele a machucasse.
“E eu não me sinto culpada por isso,” ela murmurou, esticando os braços enquanto mantinha os olhos no teto. “Ele sente o mesmo?” ela perguntou. “Quer dizer, Abel… ele sente o mesmo agora?”
Se ela fosse responder por ele, a resposta era cinza. Abel era o homem que poderia queimar um país inteiro de um dia para o outro e nem sequer piscaria. Ele tentou matá-la antes, mas nunca o fez. Ele até expressou seu arrependimento por não tê-la matado várias vezes.
“Então ele não pode me matar mais?” ela inclinou a cabeça antes de o lado dos seus lábios se curvarem para cima. “Eu duvido. Com a razão adequada, tenho certeza de que ele pode me matar… afinal, matar alguém não significa necessariamente tirar seu último suspiro. Eu sei porque… eu já estive morta.”
Aries concordou com um aceno antes de ouvir uma batida na porta. Ela desviou o olhar para a porta, ouvindo a voz juvenil de uma mulher perguntando se ela já estava acordada. Seus lábios se entreabriram mas ela acabou não respondendo.
“Certo… Agora eu sou Daniela,” ela murmurou, se ajudando a levantar enquanto entrava no personagem da Daniela que tinha em sua cabeça. Assim que se sentou, percebeu um pedaço de pergaminho de relance, deitado na mesa de cabeceira. Aries virou a cabeça, rastejando para tirar a rosa de cima do papel.
[ Eu tive uma boa noite, minha Aries. Pense em mim a cada segundo de cada dia, pois farei o mesmo. Mantenha contato.
O avô dos seus netos,
Batata. ]
Aries riu enquanto acariciava o apelido que ele usava com seu polegar. Então moveu sua atenção para a rosa, guiando-a até seu nariz e inspirou seu aroma fresco.
“Se ele estava tentando ser discreto, ele não deveria ter escrito meu nome.” Ela sacudiu a cabeça, mas então encarou seu nome que ele escreveu à mão. “Mas novamente… já que todos vão me chamar de Daniela, eu agradeço que haja uma pessoa que me lembre que eu sou Aries.”
Agora seu dia estava verdadeiramente completo. Ela não dormiu muito bem, mas teve uma boa manhã. Com seu ótimo humor, Aries esticou os braços antes de jogar as pernas para fora da cama. Ela então escondeu a carta em uma das gavetas, trancando-a.
“Vou guardá-la aqui por enquanto e arranjar um pequeno baú mais tarde.” Ela concordou, ainda segurando a rosa na mão. “Agora… hora de ser Daniela.”
Aries respirou fundo antes de lançar um olhar para a porta. Mas em vez de abri-la para a empregada do lado de fora, Aries caminhou em direção à varanda enquanto quebrava o talo da rosa. Quando chegou à varanda, colocou a rosa sobre a orelha e sentou-se no parapeito.
“Que dia bom.” Seus pés fora do parapeito balançavam para frente e para trás, sorrindo quando ouviu a porta do seu quarto ranger abrindo.
“Minha senhora?” chamou uma empregada enquanto espiava cuidadosamente sua cabeça pela porta de vidro que conectava o quarto à varanda.
Aries respirou fundo antes de voltar a cabeça e sorrir docemente. “Bom dia.”
Essa seria a marca de Daniela: despreocupada, travessa, teimosa, mas doce. Alguém que não era simpática, mas também difícil de desgostar. Uma pessoa que os homens gostariam de proteger e desejar, especialmente alguém que via essa radiância como um desafio.