A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 526
Capítulo 526: A Frente Final
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Alvorada
Era como se um peso esmagador tivesse sido levantado quando o sol finalmente se revelou. Seus raios filtravam-se através dos buracos na tenda em que Eve tinha sido forçada a ficar. A névoa vermelha lentamente cedia ao puro e dourado brilho do sol.
Eve não pôde deixar de soltar um profundo suspiro de alívio enquanto o calor sufocante do veneno vermelho recuava. Ela se levantou com pernas trêmulas, dores percorrendo seu corpo. Mas ela ignorou, acariciando seu ventre ainda plano.
“Querem ver o sol?” ela perguntou a seus filhotes, cambaleando em direção à abertura. Ela pressionou o comunicador conectado à estação de Ellen então. Não houve resposta. Não houve resposta na última uma hora.
O temor entupia sua garganta—Silverpine tinha sobrevivido, Ellen e Cain tinham sobrevivido? Victoriana havia prometido informações em breve, mas isso foi há meia hora.
Ela conseguia ouvir comemorações lá fora.
Alívio. Alegria. Sobrevivência.
Ela empurrou a aba e entrou no que parecia ser um dia completamente novo.
O acampamento estava vivo.
Gammas se abraçavam, alguns chorando, outros rindo, alguns simplesmente de pé ao sol com os rostos voltados para cima.
A Lua de Sangue tinha passado.
Eles tinham sobrevivido.
Eve avançou, sua mão ainda descansando protetivamente sobre seu ventre.
Gallinti a viu primeiro. Seu rosto se abriu em um sorriso aliviado. “Luna! Você não deveria—”
“Estou bem,” Eve disse, dispensando-o com a mão. “Eu só precisava ver. O sol.”
Ela olhou para cima.
E pela primeira vez em três dias, o céu estava azul.
Sem névoa vermelha. Sem calor opressor. Sem radiação vazando pela atmosfera.
Apenas—céu.
Lindo. Claro. Seguro.
Lágrimas escorreram pelas bochechas de Eve.
“Conseguimos,” ela sussurrou.
Gallinti assentiu. “Conseguimos.”
Ao redor deles, o acampamento estava avaliando os danos. Contando baixas. Cuidando dos feridos.
Mas havia esperança agora.
A Lua de Sangue tinha acabado.
O pior estava atrás deles.
A mão de Eve moveu-se para seu peito, sobre seu coração.
Sobre o vínculo.
Hades.
Ela conseguia sentir ele. Distante. Exausto. Mas vivo.
E—
Se movendo.
Rápido.
Vindo em direção a ela.
O fôlego de Eve prendeu.
“Ele está vindo,” ela sussurrou.
Gallinti olhou para ela. “O Alfa?”
“Sim.” A voz de Eve estava firme. “Ele está—”
Então ela sentiu.
Através do vínculo.
Não exaustão.
Urgência.
Medo.
Advertência.
Os olhos de Eve se arregalaram.
“Algo está errado,” ela disse.
A expressão de Gallinti mudou imediatamente. “O quê? O que é?”
“Eu não—” Eve parou, sua mão pressionando mais forte contra seu peito. “Ele está—ele está com medo. Por mim. Por—”
Um chifre soou à distância.
Não era de Obsidian.
Era de Silverpine.
O sangue de Eve gelou.
“Não,” ela sussurrou.
Gallinti já estava em movimento, gritando ordens. “POSIÇÕES! SILVERPINE CHEGANDO! TODAS AS UNIDADES PARA AS ESTAÇÕES DEFENSIVAS!”
Os gritos de alegria morreram.
Substituídos pelo som de armas sendo agarradas, armaduras sendo amarradas, soldados exaustos forçando-se a ficar de pé.
De novo.
Eve olhou para o horizonte.
E os viu.
Lobos.
Centenas deles.
Frescos. Descansados. Enormes.
A força principal de Silverpine com a marca de Malrik gravada em seus corpos.
Aqueles que estavam sendo mantidos de reserva.
Guardados para isso.
Para quando Obsidian estivesse mais fraca.
Quando achavam que tudo tinha acabado.
As mãos de Eve se fecharam em punhos.
“Não,” ela disse novamente, mais alto dessa vez. “Não agora. Não quando estamos tão perto—”
Mas eles continuaram vindo.
E no flanco direito e esquerdo, ela os viu.
Cabelo preto preso, com seus olhos verdes brilhando à distância.
Felícia.
À direita, cabelo arenoso e olhos castanhos brilhando com diversão predatória era nada menos que o Beta de Darius, James.
Mas mesmo assim seu exército se espalhava mais, crescendo em números que Eve nunca achou possível no final de uma guerra de três dias como esta. Eles estavam sem munição, mas não sem Gamma.
Seu estômago caiu quando, dos homens, ferais se juntaram à batalha—junto com ferais maiores. Esses, pelo seu andar e pelo modo como seus olhos nunca se desviavam do acampamento, eram mais alertas e inteligentes comparados aos seus semelhantes.
Esses eram os que Eve havia sido informada.
Os Prime Ferals.
Eram maiores que qualquer lobo no campo, e eram mais do tamanho dela, como havia sido relatado antes.
Ela apertou os olhos, antes de receber um par de binóculos.
Colocou-os nos olhos, vendo-os em melhor detalhe e começou a contar e, com mais números que encontrava, mais seu estômago se apertava, mais e mais até sentir-se quase desfalecer.
Esse tinha que ser seu último front, todas as forças convergidas, prontas para entrar em Obsidian a qualquer custo. E com esses números, parecia que não tinham sofrido quaisquer baixas do lado deles, como Obsidian sofreu.
As divisões e forças que Obsidian havia combatido antes pareciam um teste comparado ao que Eve via agora.
Ela fez uma horrível constatação, sua respiração travando enquanto alguém pegava os binóculos dela, a voz da pessoa muito abafada por seus pensamentos furiosos para ser instantaneamente reconhecida.
“Eles vão nos atravessar,” ela murmurou, quase entorpecida, mesmo enquanto o terror rasgava seu coração—suas garras cravando e fazendo-a sangrar mais uma vez. “Temos que chamar uma convergência de todas as divisões agora. Não há tempo. Eles precisam chegar aqui agora.” Eve sempre soube que a população de Silverpine era muito maior que a de Obsidian, mas quando era mais jovem, o que não tinham em tamanho, compensavam em força e ferocidade.
Eve só podia esperar que fosse o suficiente para salvar Obsidian.
Eles continuavam avançando. Eve sintonizou na voz. “Luna.”
Ela levantou o olhar para encontrar o de Victoriana. “Seu marido precisa falar com você.” Na mão dela havia um comunicador. Ela o ofereceu a Eve.
A mão de Eve tremeu, aceitando o comunicador e colocando-o no ouvido. Ela apertou o botão.
“Meu amor.” A voz dele chegou pela linha.
Seu peito ficou apertado demais para seu coração agitado, seu pulso latejando enquanto seu corpo todo respondia à voz dele antes mesmo de abrir a boca. “Hades.”
“Eu sei que isso pode ser estranho.” Pelo modo como a voz dele estava distorcida, ela podia dizer que ele estava voando pelo ar, e ela levantou a cabeça instintivamente, procurando por ele entre as nuvens.
“O que está acontecendo?”
“Eles já deveriam ter vindo em cheio agora. O exército final de Darius. Eles serão grandes e intimidadores, e nada como estamos lutando há dias.”
Eve abaixou o olhar e observou o exército à espera. “Eles estão aqui e são exatamente como você descreveu. Como você sabia?”
“É uma longa história,” ele respondeu. “Mas estou indo para Silverpine. Recebi informações e sei onde conseguir o chifre—aquele que Vassir te contou. Aquele que é a fonte de seu poder. Vou cortar sua conexão com ele e torná-lo impotente para que possamos finalmente vencer isso.” A frágil esperança na voz dele cortou fundo em Eve.
Eve puxou o vínculo entre eles, o vínculo de companheiros dessa vez, esperando que ele sentisse a confiança que ela tinha nele e que isso lhe desse mais força. “Traga-o para casa, meu amor,” ela disse, olhando o formidável exército do outro lado. “Daremos tempo para você.”
Houve silêncio na outra linha antes da voz dele parecer distante pelo fone de ouvido. “Eu sei que você vai querer lutar com eles. Não há nada que eu possa fazer quanto a isso. Mas juro pela vida de nossas meninas que vou cortá-lo a tempo. Você vai sobreviver. Elas vão sobreviver. Eu prometo.” A voz dele falhou antes de endurecer. “Eu te amo.”
Eve tentou conter a emoção que ameaçava dominá-la, mas suas palavras saíram roucas com lágrimas engasgadas. “Eu te amo mais.”
O comunicador ficou offline.
Justo quando uma figura voadora passou em um redemoinho selvagem e vermelho pelo céu, bloqueando o sol—o vermelho retornando por apenas um segundo antes de desaparecer.
“Luna, olhe!” Gallinti gesticulou, apontando para o inimigo.
Eve seguiu seu dedo, justo quando ele surgiu à vista enquanto o exército se abria para ele. Eve colocou os binóculos nos olhos.
Sobre o maior Prime Feral estava um homem—o Alfa, o maior monstro de todos.
Darius Valmont havia chegado e, vindo para flanqueá-lo, estavam dois vampiros.