A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 517
Capítulo 517: 10 Horas Restantes
Eve
A escuridão ao meu redor não era ameaçadora. Paz era uma constante. Eu navegava pelo espaço como se tivesse caminhado por seus corredores toda a minha vida. Eu estava caminhando há um tempo, apenas contente em sentir a serenidade.
O silêncio zumbia como uma canção, o ar não possuía temperatura: nem quente nem frio.
Eu alcancei coisas que não podia ver, elas se estendendo e acariciando meus dedos em troca.
O vazio ecoava na minha mente, ele também estava em branco de um jeito que não me incomodava. Minha alma cantava uma melodia estranha que eu me encontrava cantarolando junto.
Balancei minha cabeça de um lado para o outro, meu corpo sendo puxado para um ponto que eu não conhecia. Os leves puxões no meu peito não eram desagradáveis—mais como uma cócega.
Continuei a cantarolar, preenchendo o silêncio com uma melodia que não sabia como me lembrava.
De repente, a melodia se quebrou e caiu.
E, assim como isso, o espaço atemporal e sem forma em que eu me encontrava começou a me pressionar com uma pressão que era física. Foi mais fundo e muito mais assustador do que isso.
O medo não pulsava constantemente como um coração batendo, nem diminuía.
Não, ele abriu caminho através da calma que eu tinha experimentado, despedaçando a harmonia e deixando algo contorcendo-se através da minha pele, gritando na minha cabeça.
Bati as mãos sobre meus ouvidos e tentei trazer a tranquilidade de volta à existência.
A voz gritante estava sem corpo—um coro caótico do qual eu não podia entender.
Então cessou, como o fim abrupto de uma canção assombrosa.
Então o zumbido retornou—não de mim. À distância, alguém mais produzia o som.
Eu não estava sozinha.
Assim que o pânico recuou, segui a liderança do estranho e cantarolei a melodia que ele conhecia tanto quanto eu. Segui a melodia até a voz.
A escuridão se afastou, lentamente a princípio, então em grandes camadas. A luz que resultou não me fez apertar os olhos.
Então eu vi a fonte da melodia, o estranho—mas suas costas estavam voltadas para mim.
“Quem é você?” Eu perguntei.
E antes que eu me preparasse, ele se virou.
Metade de seu crânio havia sumido.
—
10:43:16
Alvorada
Os olhos de Eve se abriram abruptamente.
Ela ofegou—um som bruto, violento—seu corpo inteiro se sacudindo.
A dor explodiu em suas costas, suas costelas, seu abdômen. Tudo gritava.
Mas ela estava acordada.
Viva.
“Eve!” Uma voz. Perto. Apressada. “Ela está acordada! Tragam os Deltas—agora!”
Mãos em seus ombros, estabilizando-a.
A visão de Eve turvava, tentando focar. A tenda. Equipamentos médicos. Deltas se movimentando ao redor dela.
E ao lado dela—
Um Gamma. Um dos soldados de Hades. Seu rosto pálido de alívio.
“Luna,” ele suspirou. “Você—você voltou.”
Eve o encarou, seu peito arfando.
Então ela sentiu isso.
O puxão.
Profundo em seu peito. Insistente. Doloroso.
A Corrente de Fenrir.
Estava puxando-a. Forte. Desesperado.
Como se algo—alguém—estivesse puxando do outro lado.
Hades.
“Onde—” A voz de Eve falhou. Ela engoliu, tentou novamente. “Onde está Hades?”
A expressão do gamma mudou. Hesitação. Medo.
“Luna—”
“Onde ele está?”
O rosto do gamma se contorceu. “Presa de Gelo. Ele foi para a Presa de Gelo ajudar com os ferais primordiais. Houve—” Ele parou. Engoliu em seco. “Houve uma bomba. Ele—”
O coração de Eve parou.
“Ele está vivo?”
Silêncio.
“ELE ESTÁ VIVO?”
“Sim,” o gamma disse rapidamente. “Sim, Luna. Ele está vivo. Os Deltas estão cuidando dele. Mas—” Sua voz falhou. “É grave. Os relatórios dizem que é realmente grave.”
Eve o encarou.
Então ela olhou para si mesma.
Seu corpo estava curado—na maior parte. O ferimento aberto em suas costas estava fechado, tecido regenerado, costelas reconstruídas. Mas ela estava fraca. Muito fraca.
“Ajude-me a levantar,” Eve disse, sua voz rouca.
O gamma hesitou. “Luna—”
“Ajude-me a levantar.”
Ele alcançou seus braços, ajudando-a a se equilibrar enquanto ela tentava se sentar.
Suas pernas tremiam. Cederam.
Ela desabou de volta na cama, ofegante.
“Luna, você está muito fraca—” o gamma começou.
“Então vou engatinhar,” Eve rosnou, tentando novamente.
A aba da tenda se abriu com um estrondo.
Gallinti e Victoriana entraram apressados, rostos tensos de alarme.
“O que diabos está acontecendo?” Victoriana exigiu, olhos varrendo Eve. Então, para o gamma: “Por que ela está acordada e tentando se mover?”
O gamma flincheu. “Ela—ela perguntou sobre o Alfa. Eu apenas—”
“Você contou a ela?” A voz de Gallinti era afiada, cortante. “No estado dela?”
O rosto do gamma ficou pálido. “Eu não pensei—”
“Claramente,” Gallinti retrucou.
“Não,” Eve disse, sua voz quieta mas firme. Ela olhou para Gallinti, depois para Victoriana. “Eu já sabia.”
Ambos congelaram.
“O quê?” Victoriana disse lentamente.
“Eu sabia,” Eve repetiu. Sua mão pressionou contra o peito, sobre o vínculo. “Eu senti. A atração. Algo está errado com ele.” Seus olhos prenderam-se em Gallinti. “O que aconteceu com o rosto dele?”
A expressão de Gallinti se fechou.
A mandíbula de Victoriana se apertou.
Eles trocaram um olhar carregado.
“Eve—” Victoriana começou.
“O que aconteceu com o rosto dele?” A voz de Eve aumentou, pânico permeando.
“Uma bomba,” Gallinti disse silenciosamente. “Amarrada a um dos ferais primordiais. Hades quebrou a compulsão e—” Ele parou. “Ela detonou. À queima-roupa.”
A respiração de Eve engasgou.
“O rosto dele—” A voz de Gallinti era áspera. “O lado esquerdo está—desaparecido. Parte do crânio. Os Deltas estão cuidando dele, mas—”
Eve se moveu.
Ou tentou.
Ela balançou as pernas para o lado da cama, tentou ficar de pé—
Suas pernas cederam novamente. Ela caiu no chão com força, ofegante.
“EVE!” Victoriana avançou, pegando-a antes que ela pudesse desabar completamente. “Pare! Você não pode—”
“Eu preciso chegar até ele,” Eve disse, sua voz se quebrando. “Eu preciso—ele está morrendo—”
“E você também vai morrer se não descansar,” Victoriana disse firmemente, puxando Eve de volta para o catre. “Você não está em condições de ir a lugar algum.”
“Eu não me importo!” Eve lutou contra o aperto dela. “Me deixe ir—”
“Não.”
“Victoriana—”
“Não, Eve.” A voz de Victoriana era dura. “Você está muito fraca. Você mal consegue se sentar. Você acha que vai conseguir chegar a Presa de Gelo? Você vai desabar no meio do caminho e então o quê? Teremos dois pacientes críticos em vez de um?”
“Eu vou rastejar se precisar!” Eve gritou, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. “Eu vou—”
“Pense nos filhotes, Eve!”
Eve congelou.
Silêncio.
Ela olhou fixamente para Victoriana, com a respiração presa na garganta.
“O quê?”
A expressão de Victoriana suavizou, apenas um pouco. “Os filhotes, Eve. Você está grávida.”
O mundo de Eve virou de ponta cabeça.
“Eu estou—o quê?”
“Gêmeos,” Gallinti disse calmamente. “Os Deltas descobriram enquanto estavam te curando. Você está carregando gêmeos. E o fato de você estar viva—que eles estão vivos depois do que aconteceu com você—” A voz dele quebrou. “É um milagre, Eve. Mas é frágil. Se você se esforçar agora, se tentar se mover antes de seu corpo estar pronto—”
“Você pode perdê-los,” Victoriana concluiu. “E nós poderíamos perder você. De novo.”
Eve os encarou.
Então, lentamente, sua mão moveu-se para seu abdômen.
Pressionou contra ele.
E ela os sentiu.
Fracos. Pequenos. Frágeis.
Mas estavam lá.
Duas pequenas vidas. Brilhando. Se segurando.
Seus filhotes.
Os filhotes de Hades.
Um soluço rasgou sua garganta.
“Não,” ela sussurrou. “Não, eu—eu não sabia. Eu não—”
“Nós sabemos,” Victoriana disse gentilmente, ajoelhando-se ao lado do catre. “Mas agora você sabe. E agora você precisa descansar. Por eles. Por você mesma.” Ela fez uma pausa. “E por Hades. Porque se você morrer tentando chegar até ele, o que você acha que isso fará a ele?”
As lágrimas de Eve caíram mais intensamente.
Porque Victoriana estava certa.
Se ela morresse—se ela perdesse os filhotes—
Hades se quebraria.
“Eu só—” A voz de Eve falhou. “Eu preciso vê-lo. Eu preciso saber que ele está—”
“Ele está vivo,” Gallinti disse firmemente. “E ele está lutando. Os Deltas dizem que ele está estável. Crítico, mas estável. E ele permanecerá assim enquanto você permanecer segura. Entendeu?”
Eve fechou os olhos, novas lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
O laço puxou novamente. Forte. Desesperado.
Estou aqui, ela pensou, enviando as palavras pela conexão. Estou viva. Estou segura. Só—por favor. Aguente firme.
Por um momento, o puxão diminuiu.
Apenas ligeiramente.
Como se ele a tivesse ouvido.
Eve exalou tremulamente.
“Tudo bem,” ela sussurrou. “Tudo bem. Eu vou—eu vou descansar.”
Os ombros de Victoriana relaxaram de alívio. “Obrigada.”
Gallinti assentiu, sua expressão suavizando. “Vamos mantê-la informada. A cada hora. Eu prometo.”
Eve assentiu em silêncio.
Ela se deitou na cama, sua mão ainda pressionada contra o abdômen, sentindo o leve tremor da vida sob sua palma.
Dois filhotes.
Ela estava carregando dois filhotes.
E Hades—
Hades estava morrendo.
Mas ele estava vivo.
E ela também.
E seus filhos também.
Segure firme, ela pensou novamente, enviando pelo vínculo. Todos nós. Apenas segure firme.
—
09:54:08
Muralha de Ferro
Eles voltaram, e o céu mudou de vermelho para carmesim, a visibilidade diminuindo mais de um nível.
Um enxame de vampiros, circulando.
Mas desta vez—
Mais.
Muito mais.
Kael estava na borda da tenda de comando, binóculos erguidos, e seu sangue gelou.
“Quantos?” Voss perguntou, a voz tensa.
Kael não respondeu imediatamente. Ele estava contando. Tentando contar.
Cinquenta. Setenta. Cem.
Mais de cem.
“Demais,” Kael finalmente disse, abaixando os binóculos. Sua mandíbula firme. “Eles não estão mais nos testando.”
O rosto de Voss ficou pálido. “Este é o verdadeiro ataque.”
“Sim.”
Ao redor deles, as forças da Muralha de Ferro estavam se agitando—verificando armas, reforçando posições, olhos no céu escurecendo.
O cheiro foi o primeiro a atingir.
Aquele mesmo fedor rançoso de sangue apodrecido, mas agora mais forte. Mais espesso. Quase sufocante.
Kael levantou os binóculos novamente.
Os vampiros estavam descendo.
Mais baixos desta vez. Mais próximos.
E eles não estavam apenas carregando ferais.
Alguns deles estavam armados—armas toscas, porretes com espinhos, lâminas presas aos corpos.
“Eles estão se engajando,” Kael disse, sua voz afiada. “Não é um ataque relâmpago. Eles estão descendo.”
“TODAS AS UNIDADES, POSIÇÕES DE COMBATE!” Voss rugiu no rádio. “VAMPIROS A CAMINHO! PREPAREM-SE PARA ENGAGEMENTO DIRETO!”
O acampamento irrompeu.
Gammas se transformando. Artilharia girando para o céu. Rifles erguidos.
A mão de Kael moveu-se para sua arma.
Os vampiros desceram baixo—seis metros. Quatro metros e meio. Três metros.
E então eles atacaram.
A primeira onda chocou-se contra as defesas da Muralha de Ferro como um furacão.
Garras rasgando carne. Presas cravando-se em gargantas. Asas batendo nos soldados, derrubando-os.
Tiros explodiram—um rugido ensurdecedor enquanto a Muralha de Ferro contra-atacava.
Balas atravessaram asas coriáceas, destroçaram pele vermelha. Vampiros gritaram—sons agudos, inumanos—e caíram do céu.