A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 426
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Capítulo 426: Ela Não Foi Executada
Hades
O nome aumentou a tensão, mas não necessariamente de forma aversiva.
Kael falou primeiro. “O que ele fez?”
Ela realmente deu uma risada amarga, um som retirado da parte mais sombria do seu coração. “O que ele não fez?”
Kael se manteve equilibrado, investigando mais. “Temos tempo.”
Isso era uma mentira, mas eu sabia que era melhor não interromper. Eu duvidava que seu nome fosse mesmo Daliah — não que eu tivesse acreditado nela desde o início.
“Por que seria de sua preocupação? Vocês são Lycans. O inimigo.”
Embora a última parte carecesse de convicção.
“Duvido que o inimigo teria resgatado você e trazido você para encontrar seus… parentes.”
Não havia como rebater esse fato.
“Seus constantes Gammas ultrapassadores de fronteiras são a razão pela qual há conscrição. Seu povo poderia ter recuado anos atrás, mas vocês se recusam.” Sua voz vacilou ligeiramente, embora o veneno em seu tom permanecesse.
“Você perdeu alguém para Darius?” Kael perguntou.
Ela não falou. Isso foi resposta suficiente.
Ela engoliu, seus olhos se chocando com os meus. “Eu só preciso de respostas. Sem mentiras, sem segredos. Estamos cansados de caminhar no escuro.”
E sem saber para onde você está caminhando. Talvez eu tenha me tornado sensível o suficiente às emoções dos outros para ler o que estava em sua mente. Eve me mudou para isso, eu percebi. O desejo em meu peito ficou afiado o suficiente para cortar, mas mantive minha voz neutra. “Vou lhe dizer o que você quer, e você o deixa ir.”
Mas eu sabia que Kael poderia facilmente dominá-la. Ela tinha uma criança em seus braços, parecia embriagada, faminta. Eu ouvi seu estômago roncar pelo menos três vezes nos últimos trinta minutos. Então, embora ela tentasse agir de forma durona — ela era durona, com a maneira como ela havia se movimentado ao redor de Kael — aquela força estava desgastada pela desolação.
Mas parecia que eu havia desenvolvido empatia, pois duvidava que seria capaz de olhar Eve nos olhos sabendo que causei mal a uma vítima confusa, ignorante, mal informada da tirania de Darius. Isso seria mais uma vitória para a desprezível desculpa de criatura.
Seus ombros caíram ligeiramente. “Nós vamos morrer?” Ela forçou as palavras como um rosnado, mas elas caíram planas, dissolvendo-se em algo semelhante a um gemido. “O segundo verso daquela maldita profecia — é verdade, ou é propaganda para nos incitar?”
Eu hesitei, ainda observando-a. Assim que abri a boca—
Ela continuou, como se estivesse convencida de que eu não estava pronto para dar a ela o que queria. “Todo dia já é uma luta de merda. O trabalho não paga nada. Eu trabalho como uma condenada por migalhas, apenas esperando que um dia as coisas melhorem. Vou voltar para a escola, conseguir um diploma, finalmente nos dar uma vida digna depois que a conscrição tirou nossos pais.” Sua voz vacilou antes de endurecer ao aço. “Então estou ouvindo sussurros de um maldito apocalipse. Alguma merda de Lua de Sangue. E Deus me livre de cortar meu pé por nada.”
A ameaça brilhava em seu olhar, temperada com frágil esperança. “Me diga a verdade. É tudo em vão? Nós vamos morrer?”
“Sim. Vocês todos vão morrer.”
Kael arrancou as palavras da minha boca.
Um suspiro abafado escapou dela, seu aperto afrouxou — mas apenas o mínimo — e Kael entrou em ação.
Ele se moveu antes que o eco do suspiro dela morresse. Seu corpo avançou rapidamente, a mudança ondulando através dele no meio do passo, e quando ela piscou, sua garra estava apenas sob sua mandíbula, a curva afiada roçando sua garganta. O menino choramingou, mas Kael não vacilou. Sua voz caiu, gutural, com borda de ferro.
“Sim. Você vai morrer.”
As palavras aterrissaram como uma lâmina, cruéis em sua precisão. Seus joelhos quase cederam, mas ele se inclinou, forçando-a a manter o olhar.
“Mas não por causa de nós,” ele rebateu. “Porque é isso que Darius quer. Cada último de vocês apodrecendo no chão. Ele escondeu a verdade do segundo verso porque não precisa de vocês preparados. Ele precisa de vocês ignorantes. Ele precisa de vocês indefesos.”
Seu fôlego disparou, raso, irregular.
Kael pressionou a ponta da sua garra apenas o suficiente para fazer uma gota de sangue—apenas o suficiente para que ela sentisse. “Quando a Lua de Sangue chegar, cada idiota desprotegido e ignorante nestas cidades sofrerá. Seus ossos se quebrarão de dentro para fora, suas veias se rebelarão contra você, cada célula do seu corpo se despedaçará. A morte virá como mercê—rápida somente se você tiver sorte.”
Seus olhos se arregalaram, seus lábios se abriram, mas nenhum som saiu. Ela tremia, a faca na sua mão balançando.
“E isso,” Kael sussurrou asperamente, seu fôlego quente contra sua orelha, “é a verdade pela qual você está implorando.”
A força drenou de suas pernas. A lâmina escorregou de seus dedos e bateu no cascalho. Ela se afundou contra ele, o garoto agarrado entre eles como se fosse o único âncora que lhe restava.
Kael deixou que ela desmoronasse, mas sua garra permaneceu em sua garganta, implacável, sua voz baixa, porém fervendo.
“Você quer a verdade?” Suas palavras cortavam mais afiadas do que o talon pressionando sua pele. “Então ouça. A Rebelião Eclipse é para Silverpine. Cada gota de sangue que eles derramaram, cada risco que tomamos—é para seu povo. O único clã de lobisomens que ainda se importa se você vive ou morre.”
Seus lábios tremiam, seu fôlego irregular, mas ela não conseguia olhar para outro lado.
“E tudo que você tem ouvido?” ele rosnou. “Cada sussurro de traição, cada história de monstros que rompendo fronteiras e conscrição feita nobre? Mentiras. Torcidas até que preto pareça branco. Darius nos pintou como demônios para que você nunca questione quem é o verdadeiro açougueiro. Ele precisa de você desinformado. Ele precisa de você dócil. Ele precisa de você… falsamente aliviado.”
Seu aperto no menino vacilou como se as palavras em si pesassem em seus braços.
“Essa é a verdade pela qual você tem se esforçado,” Kael rosnou, as bordas de sua voz brutais com convicção. “Você queria saber por que o mundo parece estar apodrecendo sob seus pés? Porque está. E ele é quem está segurando a pá.”
Kael sendo rude era raro, mas nunca era crueldade.
Por um longo momento, ela não disse nada. Apenas o som de sua respiração irregular preenchia o ar.
Finalmente, Kael afrouxou a garra de sua garganta, embora a sombra dela permanecesse tão pesada quanto suas palavras.
Kael se afastou dela e a deixou desmoronar. Ele se virou para mim. “Vamos.”
Mas a mulher se moveu, ficando de pé. “Leve-nos com você.”
Antes que eu pudesse sequer reagir, Kael girou sua cabeça em sua direção, o pescoço quase quebrando. “Brilhante. Vamos arrastar uma esmolada e seu filhote através das linhas inimigas. Devemos pintá-los como alvo também enquanto estamos nisso?”
Ela piscou, expressão abatida, mas sua testa se franziu com determinação. “Eu tenho informações. Eu não sou inútil.”
“As informações são tão confiáveis quanto todas as suas palavras esta noite têm sido?” Kael retrucou.
A culpa cruzou seu rosto, resposta suficiente.
“Mas eu sei de algo.” Sua voz firmou-se. “A Gêmea Amaldiçoada, Eve Valmont não foi executada naquele dia.”