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A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 321

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Capítulo 321: Ela

Eve

O sorriso de Felícia não desapareceu. Se algo, ele se aguçou.

“Minha primeira tentativa”, ela disse, “foi uma lâmina no estômago. Diretamente. Profunda o suficiente para sangrar, mas não matar—ainda não. Deixei a impressão digital de Leon no punho enquanto ainda tinha força. Só para o caso de ninguém se importar o suficiente para enterrá-lo comigo.”

Eu me retei. O quê?

“Mas isso era apenas parte disso”, ela continuou, sua voz envolta em seda podre. “Porque Leon não cairia apenas com um golpe. Ele era muito refinado. Muito amado. Então eu coloquei a segunda tentativa em ação.”

“Qual segunda tentativa?” Eu perguntei cautelosamente.

O sorriso dela se alargou.

“Danielle.”

Eu pisquei.

“Eu estava alimentando ela com migalhas”, disse Felícia. “Palavras suaves, trêmulas. Olhares que demoravam demais. Rachaduras sutis na atuação de esposa perfeita. Não o suficiente para alertá-la, mas suficiente para plantar a semente. Dei a ela a chave para seu santuário. Sabendo que ela investigaria.”

Ela se inclinou para frente.

“Porque quando chegasse a hora—quando eu ‘morresse’—Danielle, a santa, buscaria justiça. Ela levaria isso para Hades. E Hades… levaria o resto, especialmente depois de descobrir que o assassino queria sua querida esposa.”

O silêncio rugiu entre nós.

“Se as coisas tivessem ocorrido do jeito que eu queria”, ela sussurrou, “a reputação de Leon teria se despedaçado. Hades, o homem que ele mais invejava, teria tomado tudo. Seu posto. Seu nome. Seu futuro. Seu lugar. Porque conhecendo Hades, ele o despedaçaria pelo que ele havia feito. E olhando para o que ele fez à mulher que amava por um crime que ela não cometeu, eu estava no caminho certo.”

As palavras me atingiram como uma bofetada.

“Você planejou se matar”, eu respirei, “e incriminá-lo.”

Ela fez um aceno lento. “Não teria sido difícil. Apenas precisava morrer da maneira certa.”

Piedade se enrolou dentro de mim como uma lâmina girando lentamente. Para ela considerar isso—deve ter sido um inferno. Mesmo para ela.

“Eu pensei que você não queria morrer.”

Felícia piscou, então sorriu—suave, muito suave. “Eu não queria. Não para sempre. Eu só queria me tornar algo inesquecível. Um nome. Um fantasma com um propósito. Como Danielle agora assombra o enredo, mesmo que ela não esteja enterrada.”

Então ela perguntou.

Sua voz quase infantil.

“Danielle está morta?”

A pergunta me fez parar. Minha boca se abriu. Fechou.

“Sim…” eu disse lentamente. “Ela está morta.” Onde ela queria chegar com isso?

Felícia inclinou a cabeça. “Mas ela está realmente? Verdadeiramente morta?”

“Do que você está falando?”

“Os mortos nunca morrem de verdade”, ela murmurou. “Não quando vão do jeito certo. Do jeito injusto. Do jeito trágico. Esse tipo de morte permanece. Ela desperta mágoa. Piedade. Vingança. Ela move os vivos a agir.”

Seus olhos agora brilhavam. Sem piscar.

“Por Danielle morta, Hades rasgou seu amor em pedaços e fez você comer as partes. Isso é poder. Isso é permanência.”

Eu engoli, gelo subindo pela espinha.

“Se eu tivesse morrido como planejei, seria o rosto das abusadas. As injustiçadas. Eu teria um memorial em cada ala feminina da região. Minha mãe teria fundado uma fundação em meu nome. E o mundo de Leon?”

Ela reclinou-se, o sorriso se alargando.

“Apodreceria. Lentamente. Publicamente. Enquanto seu pai, Lucas, assistia seu filho favorito se desintegrar.”

Ela riu, o som era leve demais, divertido demais.

“Louco, né?”

Eu não respondi.

Porque era.

Mas também… não era. Era Felícia afinal. Depois do que ela tinha feito com Elliot…

No entanto, eu não podia deixar de sentir por ela. Havia muitos mais vilões na história, mas assim como ela foi injustamente abusada, ela havia abusado de uma criança também, roubado a vida da mãe dele e separado uma criança de seu único pai vivo.

Por um longo momento não disse nada. Apenas a encarei—essa mulher, esse destroço de história e veneno e desilusão.

Porque os deuses me ajudem, eu senti algo.

Não perdão. Não entendimento.

Mas empatia.

Um lampejo disso. Um tremor sob o aço em minha espinha.

Porque o que ela descreveu não era loucura—era dor. Dor apodrecendo, implacável, torcendo em performance. Em mito. Em legado.

E ainda assim…

“Você deve estar surpreso,” Felícia disse de repente, voz leve. “Esse tinha sido meu plano.”

Eu a olhei bruscamente.

“Mas não foi assim que terminou.”

Seus olhos brilharam, e por um segundo, a loucura se dissipou.

“Eu sei,” eu disse. “Você os matou em vez disso. E usou-me.”

O sorriso que tocou seus lábios dessa vez foi quase triste. Quase.

“Mas eu não teria sido capaz de fazer isso se ela não tivesse me procurado.”

Eu congelei.

Ela.

A palavra me atingiu como uma pedra nas costelas.

“Quem?” Eu perguntei em silêncio, minha voz mal um sopro.

O olhar de Felícia ergueu-se. E pela primeira vez desde que entrei na cela, seus olhos fixaram-se nos meus com clareza surpreendente.

“Ela disse ser uma amiga,” ela disse. “De Silverpine. Das Alturas Lunares.”

Meu sangue virou gelo.

“Ela parecia jovem,” Felícia continuou. “Tão jovem quanto você. Bonita, eu acho. Voz doce. Inteligente, também. Ela tinha um plano. Disse que queria acabar com meus inimigos. Que tudo que precisava de mim… era sangue.”

Meu coração começou a bater forte.

Não.

Não, não podia ser.

“Ela pediu o sangue deles,” Felícia murmurou. “Disse que ajudaria a ‘marcar’ os responsáveis. Foi assim que ela chamou — marcar.”

Meu estômago revirou.

Meus joelhos ameaçaram fraquejar.

Um frasco.

Uma garota.

Um plano que já havia começado a desfazer tudo.

“Ela sabia,” Felícia sussurrou, sua voz quase reverente. “Ela sabia sobre as surras. As correntes. Os abortos. Ela disse que Leon não era o único monstro na corte de Obsidian. Ela disse que poderia consertar isso.”

Ela olhou para mim novamente, e lá estava — calma, assustadora sinceridade.

“Ela me deu esperança.”

Minha garganta estava apertada demais para falar. Meus pulmões pesados demais para respirar.

Porque eu sabia.

Eu sabia.

O frasco. O sangue. A propaganda. Os sussurros. O timing.

Não era apenas qualquer um.

Era Ellen.

Minha irmã.

Aquela que assistiu eu cair. Que esteve ao lado dos que me rejeitaram após me incriminarem.

Ela foi a que alimentou o fogo de Felícia.

Ela foi a que iniciou esta guerra muito antes de eu sequer saber que fazia parte dela. Ou talvez ela fosse apenas uma intermediária para algo mais complicado.

Felícia inclinou a cabeça.

“Um lobisomem ajudando um lycan?” ela ponderou. “Preposteroso, não é?”

Então sua voz caiu para algo solene. Algo cruel.

“Mas ela disse que sabia o que tinha acontecido. Ela sabia sobre tudo.”

A cela girou.

Minha visão escureceu nas bordas.

Porque de alguma forma, de algum jeito, Ellen encontrou seu caminho na sombra de Felícia.

E juntas — elas desmantelaram tudo.

Os olhos de Felícia não suavizaram.

Se algo, eles ficaram mais aguçados. Claros.

“Ela me ajudou a acabar com eles,” ela disse calmamente. “Aquela mulher. Quem quer que ela fosse. Ela me deu o fogo. O sangue. O mapa. Eu só tinha que seguir o estrago.”

Um suor frio escorreu pela minha espinha.

A voz de Felícia caiu, espessa e cheia de algo mais sombrio que o luto. “Matar Danielle… isso não fazia parte do plano original. Não realmente. Mas a depravação tem um jeito de chegar ao topo quando você a deixa ferver por tempo suficiente.”

Suas mãos estremeceram contra as algemas, lentas e pequenas, como o eco de um gesto fantasma.

“Todos aqueles anos de inveja,” ela murmurou. “Todo aquele ressentimento. Observando-a deslizar pela vida, intocada. Mesmo quando ela quebrou — ela quebrou lindamente.”

Então ela olhou para mim.

E o que vi em sua expressão não era loucura.

Era inveja.

Mordida bruta e sem arrependimento.

“Você,” ela disse, uma acusação silenciosa. “Um animal drogado e delirante. Uma besta. E mesmo assim você a puxou dos destroços daquele carro.”

A memória atravessou meu peito.

“Eu vi você,” ela continuou, a voz se apertando. “Vi você se transformar e sangrar e rasgar seu corpo para chegar até ela. E ela — ela estendeu a mão para você. Ela te tocou. Ela te acariciou.”

Seu riso era baixo e sem alegria.

“E você deixou.”

Eu não disse nada. Não consegui.

Felícia inclinou-se para frente, as correntes chacoalhando enquanto ela fazia isso.

“Ela deu à luz sozinha, você sabe. Eu assisti de onde estava escondida. Ela não gritou. Ela não chorou. Como eu fiz quando perdi meus bebês. Ela apenas fez. Como se não fosse nada. Como se fosse um privilégio.”

Ela cuspiu as próximas palavras.

“Foi fácil demais para ela. Tudo foi fácil demais para ela.”

O peso do seu ódio era sufocante.

“Os deuses,” Felícia sussurrou, “deram a ela tudo. Beleza. Devoção. Proteção. Poder. Uma família que chorou por ela, lamentou por ela, adorou-a. Eles nem puderam enterrá-la. Ela nunca foi punida. Não realmente. Não como eu.”

Seus olhos se fixaram nos meus novamente.

“Diga-me, Eve. Por que ela deveria ter tudo isso? Por que ela deveria ter tudo que eu nunca tive?”

Eu engoli seco, raiva e horror subindo pela minha garganta.

Porque eu sabia o que ela estava prestes a dizer.

“Eu tive que acabar com ela,” Felícia disse. “Eu tive que. Se eu não podia ser Danielle, então eu garantiria que ninguém mais visse seu brilho novamente.”

Meu estômago revirou.

Ela sorriu.

“Essa era a única forma de eu importar.”

E de repente, eu entendi por que ela perguntou se Danielle estava realmente morta.

Porque para Felícia, a morte não era o fim.

Era a coroa. O monumento. A arma.

Ela não queria apenas que Danielle morresse.

Ela queria roubar seu brilho pós-morte.

Mas mesmo na morte, Danielle ainda brilhava da forma como a morte desfazia todos os envolvidos. Na forma como Hades quebrou, Na devoção de Montegue por ela, E mesmo nos olhos verdes vigilantes de Elliot e em seu silêncio assombroso.

“Então diga-me,” eu finalmente encontrei minha voz, mais firme do que pensei que poderia ser no momento. “O que você fez com o filho dela?”

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