A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 245
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245: Minha Condenação em Seu Olhar 245: Minha Condenação em Seu Olhar Eve
A mão dela me soltou.
Tropecei para trás, o peito arfando, minha palma batendo na parede atrás de mim para me apoiar. “Amelia…”
As pupilas dela dilatavam rápido. Ela caiu de joelhos, segurando a lateral da cama para se manter de pé.
Ainda estava consciente—mas tremendo.
Eu me aproximei dela, meu instinto anulando a razão. “Eu não queria—oh Deusa—o que eu—”
Ela agarrou meu pulso com a pouca força que lhe restava. Sua respiração era rasa. Seus lábios mal se mexeram.
“Corra.”
Então, seus olhos rolaram para trás.
Seu corpo convulsionou.
“AMELIA!” eu gritei, tentando estabilizá-la, tentando pegar qualquer coisa—meu telefone, seu pulso, qualquer coisa—qualquer coisa.
A porta se abriu atrás de mim.
Homens. Armados. Armas prontas.
Eu congelei.
A cena estava errada—terrivelmente, tragicamente errada. Eu estava segurando ela. Ela estava tremendo. Havia uma seringa em sua perna.
Eu sabia o que eles viam.
Eles viam a mim.
Eles viam uma ameaça. Um monstro. Uma besta que havia machucado sua preciosa terapeuta.
“Não,” eu murmurei. “Não—vocês não entendem—ela tentou—ela me atacou!”
Eles não abaixaram as armas.
Eles avançaram.
Mais perto. Me encurralando.
As memórias ressurgiram.
As correntes.
Os gritos.
As acusações.
Você é amaldiçoada.
Você é maligna.
Você não é dos nossos.
Não de novo.
Não.
Eu não sobreviveria novamente.
Meu lobo já estava na superfície.
A voz de Rhea rosnou na minha mente. “Eles não vão ouvir. Não agora. Sobreviva.”
E eu me libertei.
Eu gritei—mais alto do que jamais havia gritado—e me transformei.
A besta irrompeu de mim como fogo em folhas secas.
E dessa vez…
Eu não corri.
Eu lutei.
O grito que saiu da minha garganta despedaçou tudo.
Não era apenas som—era dor. Fúria. Sobrevivência.
E ecoou pelos corredores como um grito de guerra.
Eu me transformei no ar.
Ossos estalaram. Pele rasgou. Pelagem floresceu pelos meus membros como chamas sobre pergaminho.
Rhea assumiu o controle.
E nós não corremos.
Nós avançamos.
O primeiro guarda tentou me prender contra a parede. Eu o agarrei pela frente de seu colete e o joguei do outro lado da sala. Ele colidiu com uma estante, se amassando como papel.
Um segundo avançou. Eu desviei de seu taser e o atingi nas pernas, derrubando-o. Eu não matei. Não mordi. Mas eu não fui delicada.
Mais três entraram correndo.
Eles não estavam usando prata. Eu podia sentir—o platina não penetrava fundo o suficiente. Ardia, mas não me atrasava. Eles não sabiam o que eu era. Ainda não.
Eu avancei, colidindo com um deles com o ombro, arrancando-lhe o ar. Um disparou—errou. Outro recarregou—muito devagar. Eu passei por ele, saindo pela porta e—
Descendo as escadas.
As escadas longas e em espiral da torre pareciam intermináveis. Pisadas retumbavam atrás de mim. Gritos. Xingamentos. Passos em perseguição.
“Ela está indo para a saída!”
“Bloqueiem os níveis inferiores!”
As balas zuniam perto de minhas orelhas, e eu me abaixei. Uma rasgou meu ombro. A dor ardente me fez tropeçar, mas eu continuei me movendo.
Um lobo me atacou no patamar.
Nós atravessamos o corrimão, rolando dois andares abaixo, colidindo contra a borda da escadaria. Eu gemi, dei um chute forte e o lancei de cima de mim.
Então eu ouvi.
“Os olhos dela! Olhem para os olhos dela!”
Um instante de silêncio. Então—
“Ela não é uma lobisomem! Ela se transformou em uma lycan! Usem balas de prata—platina não funciona!”
O pânico subiu.
Meu sangue virou gelo.
Agora eles sabiam.
E estavam se preparando para causar danos reais.
O alarme soou pela instalação, ecoando pela escadaria como trovão.
“Besta em fúria. Evacuem imediatamente. Bloqueio em efeito.”
As portas se fecharam com força. Luzes piscavam vermelhas. Mais agentes saíram dos corredores, alguns meio transformados, outros já em forma de lobo. Uma enxurrada de pelagem, dentes e armas.
Eu tentei não matar.
Eu me abaixei. Cortei. Empurrei. Soquei.
Outra bala atingiu meu lado—prata. Eu gritei enquanto queimava, a dor era diferente de tudo, levando calor até meus ossos. Eu cambaleei, a visão escurecendo por um instante.
Mas eu tinha que me mover.
Eu tinha que.
Outro corredor. Mais dois lobos avançaram.
Eu saltei. Por cima deles. Atravessando uma fileira de cadeiras. Derrapando em uma curva.
Lycans corriam em pânico, se transformando e escapando, outros correndo para seus quartos.
Desviar deles desperdiçaria ainda mais o pouco tempo que eu tinha.
Então eu vi.
A parede de vidro no final do corredor.
O lado de fora.
A única saída.
Sem tempo para pensar.
Eu disparei.
As balas passaram cortando por mim. Uma atingiu minha coxa. Outra se alojou em minhas costas. Eu gritei quando meus pés deixaram o chão—
E a janela se despedaçou.
O vidro explodiu ao meu redor em uma chuva de facas brilhantes.
E então—
Impacto.
O chão me atingiu como um caminhão.
A dor gritou pela minha perna. Algo quebrou—definitivamente um osso. Talvez mais. Eu não podia dizer.
Eu rolei. Gemendo. Forçando-me a ficar de pé com membros trêmulos.
Sangue pingava da minha pelagem, mas eu corri.
Passando por carros buzinando. Civis gritando. Lycans se transformando em terror para fugir do meu caminho.
Eu manquei, meio pulando, mal conseguindo manter o equilíbrio.
Mas então—
Eu parei.
Um carro. Elegante. Familiar.
O cheiro dentro era inconfundível.
Hades.
Meu coração disparou.
Ele saiu.
Calmo. Frio.
Eu congelei, no meio de um passo.
Meu lobo recuou o suficiente para que eu voltasse à forma humana, tremendo, ensanguentada e ofegante.
“Hades,” eu sussurrei. “Eu não—ela tentou—”
Ele cruzou o espaço em três passos e me puxou para seus braços.
E eu desmoronei.
Colapsei contra ele, cada músculo falhando, cada respiração falhando.
“Eu não…” tentei novamente. “Por favor…”
Mas ele não disse uma palavra.
Seu aperto em mim se intensificou.
E então—
A picada.
Uma leve ferroada.
Meus olhos se arregalaram.
Minha respiração congelou.
Eu olhei para o rosto dele.
Seu lindo, amado rosto.
Não havia tristeza nele.
Apenas raiva tão potente que senti o gelo se espalhar pelas minhas veias—a minha condenação refletida nas profundezas de seus olhos.
Em sua mão…
Uma seringa.
E o líquido dentro?
Púrpura vívido.
Nerexilina.
“Não,” eu engasguei, o horror me atingindo como uma onda.
Ele não piscou.
“Você deveria ter continuado correndo,” Hades disse com frieza, sua voz carregada de veneno que fez meu coração afundar.
E então—
Tudo ficou imóvel.
A paralisia me atingiu instantaneamente.
E tudo que eu pude fazer…
Foi cair.