A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 236
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236: Agente Duplo 236: Agente Duplo Hades
“Diga-me!” ela exigiu, a voz completamente quebrada.
“Você também vai matar o Elliot?”
“O quê?”
“Você também vai matar o Elliot?” ela exigiu novamente. “Ele está nos seus braços, não está? É por isso que você fingiu se importar com ele.”
“Pare com isso. Pare com isso agora!” eu gritei, minha voz de repente rouca enquanto me virava para Felícia.
O vídeo parou.
E por um momento, o mundo deixou de girar.
O silêncio que se seguiu foi sufocante.
Eu podia ouvir o sangue correndo nos meus ouvidos, o pulsar do meu coração como tambores de guerra em um campo vazio.
Kael estava pálido, congelado, incapaz de me olhar nos olhos.
Montegue — imóvel como pedra, seu rosto indecifrável, mas os punhos cerrados ao lado do corpo traíam a tempestade que ele lutava para conter.
E Felícia…
Felícia estava sorrindo.
Aquele sorriso condescendente, frio, vitorioso.
“Você…”
“Eu disse que não toquei nela.” Ela disse sem emoção.
“Você a provocou,” eu sibilei, “você tentou manipular a culpa dela contra ela mesma, plantando memórias falsas na mente dela porque ela está vulnerável…”
Felícia bateu palmas, já não condescendente, mas sua boca se retorceu de desprezo. “Você realmente não entende, entende? Ela é um ponto cego tão grande que você nem conseguiu ver.”
Eu dei um passo em direção a ela, cada músculo tenso contra o desejo de deixar mais uma pessoa se juntar a Morrison.
“Você acusou minha esposa… você a chamou de—”
“Assassina!” ela cuspiu, os lábios tremendo. “Porque é isso que ela é. Ela matou Danielle!”
Antes que eu pudesse reagir, Montegue — o sempre estoico Montegue — se moveu.
Um estalo agudo cortou o ar quando sua palma se conectou com a bochecha de Felícia.
O som ecoou como trovão.
Ela cambaleou para trás, os olhos arregalados, a mão voando ao rosto. Sua respiração engasgou — e então seu peito se encheu de soluços raivosos e dolorosos.
Lágrimas brotaram em seus olhos, mas elas não eram suaves.
Eram amargas. Furiosas.
“Então aquela garota também tem você?” ela cuspiu entre os arfares, sua voz áspera e irregular.
Ela riu — alta e aguda, à beira da loucura.
“A Besta da Noite estava na sua frente o tempo todo e você não sabia.”
Seus ombros sacudiram enquanto ela limpava o rosto, seu olhar se tornando selvagem.
“Mas eu não te culpo,” ela sussurrou, sua voz trêmula.
“Eu estava lá.”
Sua respiração prendeu, seus olhos distantes.
“Eu fui a sobrevivente.”
E então sua voz se quebrou completamente.
“Eu a vi com meus próprios olhos!”
Ela apontou um dedo trêmulo para o vídeo pausado na tela.
“Eu reconheço a assassina da minha irmã!”
Eu dei um passo à frente, cada músculo gritando de contenção.
“Tenha muito cuidado, Felícia,” eu avisei, minha voz baixa e sombria. “Fazer acusações infundadas contra minha companheira — contra minha rainha — vai te custar a vida.”
Mas ela apenas explodiu em outra risada amarga e maníaca.
“Você ainda não entende, entende?”
Suas pupilas estavam dilatadas de raiva e dor.
“Está nos olhos dela!” ela gritou. “Na força dela! A forma como seu poder distorce a realidade ao redor dela! A maneira como ela rasga as coisas como se fossem papel! Isso não é apenas uma maldição ou um acidente, Hades.”
Ela deu um passo cambaleante em minha direção, seus olhos vítreos, febris.
“A única razão pela qual você não vê isso é porque você deixou ela te encantar!”
Sua voz se quebrou, elevando-se ainda mais.
“O quanto você realmente a conhece, hein, Hades?!”
Eu cerrei meus punhos até que minhas garras romperam a pele.
“Basta!” eu rugi, o poder crepitando pelo quarto como relâmpago.
Mas a histeria de Felícia apenas se aprofundou.
“Ela é a morte em seda!” ela soluçou. “Ela é a besta! Vocês todos acham que ela é quebrada e frágil — mas é uma máscara! Sempre foi uma máscara!”
Ela arfou por ar.
“Ela matou minha irmã… e ela vai destruir esta alcateia.”
Seu sussurro final gelou o quarto.
“E a pior parte?”
Ela deu um sorriso distorcido através das lágrimas.
“Você vai permitir.”
Minha raiva transbordou, fervendo por minhas veias como metal fundido.
Eu dei um passo à frente, o chão sob meus pés rachando com a pressão da minha aura. Minha visão escureceu nas bordas, sombras se curvando e contorcendo como serpentes ao redor de minhas pernas.
“Você acha que eu permitiria que algo ameaçasse esta alcateia?” eu rosnei, minha voz mal humana. “Você acha que eu permitiria que alguém — até mesmo ela — ferisse o que é meu?”
Mas mesmo enquanto eu dizia isso… parte de mim sabia.
Eu permitiria.
Pelos deuses, eu permitiria.
E Felícia viu isso.
Seu sorriso se transformou em uma risada amarga e vazia.
“Você permitiria.”
Meu peito subia e descia, a fúria rugindo dentro de mim. Mas me recusei a deixar a acusação ficar sem resposta.
“Chega dessa loucura! Você destila veneno porque está se afogando em dor, mas eu não permitirei que você difame ela!”
Ela limpou as lágrimas com uma mão trêmula e me olhou com ódio despedaçado.
“Então explique isso, Hades! Ela tentou te matar uma vez antes — nunca se perguntou o que mais ela esconde?”
Eu congelei.
As sombras ondularam, respondendo à tempestade dentro de mim. Minha mão se transformou, os dedos alongando-se, escurecendo em um tentáculo inky com garras pulsando de intenção letal.
Eu dei mais um passo, meu braço erguido, apontado para sua garganta.
Mas antes que eu pudesse atacar —
Ela puxou algo.
Um saco selado hermeticamente.
Dentro — um pequeno cartão de memória.
Ela o ergueu entre dedos trêmulos. Seu rosto pálido, mas seus olhos queimavam de triunfo.
“Ela te contou sobre isso?”
Eu congelei, o coração batendo em meu peito.
O quarto ficou em silêncio.
“O que é isso?” eu exigi.
“Adivinhe, Hades.”
“Fale, Felícia,” Montegue finalmente falou, sua voz ofegante de choque e antecipação. “Chega desses jogos.”
“Não é óbvio?” Os lábios de Felícia se curvaram em um sorriso trêmulo, sua respiração irregular de fúria e triunfo.
“É para troca de informações,” ela arfou. “Sou uma agente dupla para Obsidian. Você acha mesmo que fiquei apenas descansando nesta gaiola dourada? Não. Tenho reunido todos os segredos, cada sussurro — e isso…” Ela sacudiu levemente o saco selado, o cartão de memória brilhando sob as luzes. “…isso é a prova. Eu até tenho razões para acreditar que ela estava por trás do sequestro do meu filho, e mesmo assim você olha para mim como se eu fosse a vilã?”
Seus olhos brilharam.
“Prova de que você se casou com o monstro que destruiu o seu mundo.”
Minha mandíbula ficou tão tensa que ouvi algo estalar.
Mas por mais que eu quisesse descartá-la como louca… eu vi isso.
O medo em seus olhos.
O pavor em seu olhar.
A tensão em seus ombros.
Isso não era só manipulação.
Ela acreditava nisso.
Eu arranquei o saco da mão dela, meus dedos se curvando ao redor dele, trêmulos de contenção.
Antes que eu pudesse aniquilá-la com meu olhar, a voz de Montegue cortou o silêncio denso.
“Chega,” ele disse.
Seu autocontrole havia retornado, seu tom frio e afiado, como a lâmina de uma navalha.
“É improvável,” ele admitiu, “mas para garantir que todas as possibilidades sejam analisadas…”
Seus olhos encontraram os meus — sua expressão composta, indecifrável.
“O sangue da princesa será testado contra o encontrado na cena.”