A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 234
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234: Implicações Desastrosas 234: Implicações Desastrosas Eve
A mulher grávida mal teve tempo de gritar antes que eu a atingisse, jogando-a contra o veículo com um estrondo metálico. Minhas mandíbulas pairavam a poucos centímetros de sua garganta, respiração quente e irregular.
Ela lutava contra mim, mas meu peso não era algo que ela pudesse suportar. Suas mãos se transformaram em garras, suas presas e nariz se alongaram, formando o focinho de um lobo marrom — mas ela ainda não era páreo.
“Isso não fazia parte do acordo!” ela gritou para mim com frustração, suas palavras misturadas aos rosnados. “Eu não sou o maldito alvo! Não ouse me tocar!”
Mas então —
Outro batimento cardíaco.
Fraco. Vacilante.
Não o dela.
Eu congelei.
Lentamente, tremendo, abaixei minha cabeça e pressionei minha orelha contra sua barriga. Minha respiração engasgou, meu nariz roçou contra sua pele, buscando… esperando… desesperado para sentir aquele pequeno pulso, aquele frágil tremor de vida.
Nada.
Minha testa se franziu. Confusão misturada à frustração, fome em conflito com instinto. Soltei um gemido baixo e sufocado.
Onde estava o filhote?
Um som abafado captou minha atenção — um gemido, fraco e quebrado.
Vindo de dentro do carro.
Levantei minha cabeça bruscamente, as narinas dilatadas. Pulei sobre o veículo destruído, as garras rasgando profundamente o aço retorcido. Espiando dentro da cabine esmagada, eu a vi.
Outra mulher.
Presa sob o metal entortado, tremendo, seu rosto marcado por sangue e lágrimas.
“Por favor…” ela soluçou, sua voz mal mais que um sussurro. “Meu bebê. Por favor, não machuque meu bebê.”
Seu cheiro me atingiu como um raio — medo, dor e algo puro.
Pressionei minha orelha contra sua barriga.
Lá.
Um batimento cardíaco.
Pequeno. Forte. Vivo.
Minha respiração saiu em um tremor, e algo ancestral, algo instintivo e selvagem despertou em meu peito.
Minha pata levantou devagar, garras brilhando à luz do luar — e desceu em um arco decisivo sobre a mulher grávida…
Meus olhos se abriram de repente, os restos do pesadelo agarrando-se a mim como correntes. A visão do sonho desapareceu, deixando para trás apenas a pele encharcada de suor, membros tremendo e o eco ensurdecedor de gritos que não eram reais — mas haviam sido.
Minha respiração veio em arfadas descompassadas. O gosto de sangue ainda revestia minha língua. Metálico. Espesso. Real.
Eu olhei para baixo.
Minhas mãos tremiam violentamente. Dedos trêmulos. Unhas cobertas por algo escuro e ressecado. Sangue. Por toda parte. Sob minhas unhas, espalhado pelos braços, manchando minha pele.
Meu estômago revirou. Mal consegui chegar ao banheiro antes de vomitar, vomitando até não restar mais nada além de soluços secos. Meus joelhos cederam, e eu desabei no chão de mármore, o mundo girando ao meu redor.
Pedaços. Todos os pedaços se encaixaram — e com eles veio o peso esmagador da verdade.
Os corpos. Os lobos. Homens. Não apenas inimigos. Vidas.
E Danielle.
Eu havia sentido o cheiro dela. Ouvido sua voz. Ouvido o batimento cardíaco.
Eu não apenas me lembrava — eu havia visto tudo acontecer diante de mim como se fosse uma filmagem à qual agora eu tinha acesso.
Minha visão ficou turva novamente, lágrimas quentes queimando minhas bochechas enquanto eu enterrava meu rosto em minhas mãos manchadas de sangue.
“Eu sou um monstro,” engasguei, as palavras saindo de mim como vidro quebrado. Minha voz era estranha — áspera e rouca, não minha.
“Eu tirei vidas,” sussurrei. Meu peito se fechou sobre si mesmo, sufocando sob o peso da culpa. “Eu tirei…”
O pensamento me atingiu, arrancando o ar dos meus pulmões.
“Eu tirei Danielle dele.”
Meus ombros tremiam violentamente, um soluço rasgando minha garganta tão quebrado que não parecia humano.
“Seu filho… o filho dele…”
A verdade me esvaziou, deixou-me cru e vazio.
Eu tinha feito isso.
Eu a havia tomado dele.
De Hades.
Assim como eles haviam dito.
“Não foi sua culpa, Eve,” a voz de Rhea atravessou meus pensamentos, tentando me acalmar. “Você não estava em si mesma…”
“Mas foram minhas garras… meus presas… meus dentes que a dilaceraram.”
Minha voz quebrou em nada. Meu corpo convulsionou com soluços que eu não conseguia controlar. Pressionei minha testa contra o mármore frio, desejando que ele pudesse me engolir.
“Eu senti o sangue dela na minha língua,” sussurrei roucamente. “Eu provei sua vida… e a terminei.”
A presença de Rhea girava na minha mente — firme, calma — mas eu podia sentir sua dor também, sangrando na minha. Seu desespero e sofrimento eram tão agudos quanto minha agonia.
“Você não escolheu isso,” ela murmurou suavemente. “Eles forçaram sua natureza licantrópica, manipularam suas ações. Eles me transformaram em uma arma… e, através de mim, transformaram você.”
“Mas isso não muda o sangue nas minhas mãos.”
Eu as levantei novamente, olhando para elas através da visão embaçada. O sangue não saía. Eu havia esfregado até minha pele estar crua e queimando, mas ele continuava ali. Entranhado.
Eu me arrastei até o espelho.
Minha reflexão olhou de volta para mim — selvagem, quebrada, manchada de sangue. Meus olhos — antes âmbar quentes — agora cintilavam com algo mais escuro. Algo monstruoso.
As memórias surgiram, mais claras agora do que nunca. Cada grito. Cada osso que eu havia quebrado. Seu grito final… o borbulhar de sangue enquanto ela lutava para respirar.
Eu a havia assassinado.
Eu havia tomado a companheira de Hades.
Seu filho.
A única coisa que ele tinha.
Uma respiração trêmula me escapou, e eu engasguei com ela.
“Eles disseram que eu o arruinaria,” eu sussurrei. “Que eu traria morte onde quer que eu fosse.”
E eu trouxe.
Eu cumpri a profecia.
Eu me levantei com dificuldade, agarrando a pia, respiração se despedaçando em meu peito. Minha cabeça abaixada, testa apoiada contra o espelho.
Eu teria que enfrentá-lo.
Eu teria que olhar nos olhos de Hades… e dizer a ele que eu havia massacrado a mulher que ele amava.
A mãe de seu filho.
Meus joelhos cederam novamente, mas eu me segurei.
“Eu não consigo fazer isso,” sussurrei.
“Você precisa,” a voz de Rhea suavizou, como uma mãe embalando um filho. “Ele merece saber a verdade. Não importa o quanto isso doa. Ele conhece nós duas. Ele conhece você. Ele sabe o que eles fizeram conosco.”
Meu estômago revirou. Eu queria gritar. Correr. Me esconder. Mas eu não podia.
Ele merecia mais do que uma covarde.
Ele merecia minha confissão.
Eu puxei uma respiração trêmula e levantei minha cabeça.
Minha reflexão me encarou — e, pela primeira vez, eu vi o que realmente era.
Não uma guerreira.
Não uma protetora.
Não uma vítima.
Um monstro.
E monstros… eles pagam por seus pecados.
Eu me afastei do espelho.
Era hora de encontrá-lo.
Era hora de destruir qualquer esperança que ele ainda tivesse em nós.