A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 206
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206: O Fechamento que Ele Precisa 206: O Fechamento que Ele Precisa Hades
“Com três baixas e um sobrevivente, foi um desastre completo. E então Silverpine assumiu a responsabilidade.”
Eve se enrijeceu, e a culpa brilhou em seu rosto.
Eu acariciei sua bochecha, meu polegar deslizando levemente contra sua pele. “Não se atreva a se culpar. Você não fazia parte dos planos insidiosos deles. Tínhamos que encontrar o traidor.”
A garganta dela moveu-se conforme ela engolia. “Vocês encontraram?”
Sua voz estava tensa de expectativa, ansiedade entremeada nela.
Eu suspirei lentamente. “Não. Porque, ao contrário do que acreditávamos inicialmente, não havia traidor. Apenas rastreadores.”
Suas sobrancelhas se juntaram. “Mas os rastreadores teriam sido detectados durante as varreduras de segurança. Tenho certeza disso.”
Eu suspirei, o peso da verdade pressionando contra minhas costelas. “Não se o rastreador não estivesse em uma pessoa. Não se não fosse uma simples peça de tecnologia.”
Os olhos de Eve se aguçaram. “Então onde estava?”
“Na gasolina,” eu murmurei. Minha voz estava baixa, escura com a realização. “Foi no próprio combustível.”
Ela inalou bruscamente. “Eles marcaram o combustível?”
Assenti com a cabeça. “Um rastreador. Embutido em nível molecular. Um seguro.”
Os dedos dela cravaram em meu braço. “Isso significa… que nunca houve um traidor. O comboio estava condenado desde o momento em que encheram os tanques.”
Uma risada amarga saiu da minha garganta. “Inteligente, não era? Passamos meses interrogando, procurando um informante que não existia, apenas para perceber que estávamos olhando na direção errada.”
A expressão dela se escureceu. “Quem forneceu o combustível?”
“Nossa alcateia,” eu admiti, minha voz oca. “Mas depois descobrimos uma violação dentro do sistema de destilação. Subterrâneo. Não detectado. Tudo estava correto no papel. Nada parecia suspeito. Mas quando fizemos varreduras moleculares após o ataque…”
Ela inalou bruscamente. “Vocês encontraram.”
“Um sinal. Embutido no próprio composto químico da gasolina. Nenhum rastreador tradicional. Nenhum dispositivo físico. Apenas um marcador codificado que transmitia nossas coordenadas no momento em que o combustível queimava.” Eu exalei bruscamente. “Foi assim que eles os encontraram. Foi assim que sabiam exatamente quando e onde atacar.”
As mãos de Eve se fecharam em punhos. “E Silverpine… assumiu a responsabilidade?”
Eu dei uma concordada firme. “Foi a vitória deles. Eles tinham que saboreá-la. O primeiro assassinato bem sucedido não apenas do rei mas de seu pai. Danielle ficou no fogo cruzado, mas sua morte apenas alimentou o ego deles.”
Um silêncio tenso se estendeu entre nós antes de eu falar novamente.
“Após o enterro do meu irmão e do meu pai, Montague ainda não tinha liberado o corpo dela.”
A sobrancelha de Eve se franziu. “O da Danielle?”
Assenti com a cabeça, meu maxilar tensionado. “Ele a manteve. Recusou-se a liberar seus restos mortais. Não me foi permitido lhe dar um descanso digno.”
Ela inalou bruscamente, a raiva relampejando em seus olhos. “Até que você lhe deu justiça.”
“Sim,” eu murmurei. “Eu precisava da cabeça da Besta da Noite.”
Eve me estudou, sua expressão ilegível. “E então você a deixou ir.”
Eu hesitei. “Eu tentei mas…”
Ela balançou a cabeça. “Você não conseguiu.”
Meus dedos se apertaram na borda dos lençóis.
“Você não pode deixá-la ir até que você encontre um fechamento,” ela disse suavemente.
Respirei fundo lentamente. “Fechamento vem com…”
“Deixando-a descansar,” ela completou por mim.
Assenti com a cabeça, minha voz mais quieta desta vez. “Saber que ela está em paz.”
Eve me estudou por um longo momento, depois balançou a cabeça. “Não, Hades. Isso não é fechamento.”
Eu franzi ligeiramente a testa, e ela se aproximou mais, seu calor me aterrando.
“Fechamento,” ela murmurou, “não é apenas sobre dar descanso a ela. É sobre permitir que você mesmo descanse também.”
Meu maxilar se tensionou. “Eu não preciso descansar.”
Ela me lançou um olhar — um que deixava claro que ela não estava engolindo meu desvio de assunto. “Você está carregando a morte dela como uma ferida aberta. Mantendo sua morte viva porque você não se permitiu parar de viver nela.”
Eu exalei bruscamente pelo nariz. “Não é tão simples.”
“Nunca é,” ela admitiu. Então, mais suavemente, “É como segurar um caco de vidro.”
Meu olhar passou para ela, confuso.
Eve pegou minha mão, traçando seus dedos levemente sobre minha palma. “Imagine que você está segurando um caco de vidro. Forte. Porque você não quer esquecer o que te cortou. Porque largar significaria que acabou.” Ela olhou para mim, sua expressão firme. “Mas quanto mais tempo você segura, mais profundo ele corta. Mais você sangra. Mais dói.”
Ela virou minha mão, seu toque leve como uma pena. “Você se diz que se agarrar te mantém forte. Que se você apenas apertar mais forte, você pode moldar a dor em algo útil.”
Seus olhos vasculharam os meus. “Mas Hades… isso não te faz forte. Só faz você sangrar.”
Engoli, minha garganta seca.
Ela deu um aperto gentil na minha mão. “Você pode colocar o vidro para baixo. Isso não significa que você esqueça o que aconteceu. Significa apenas que você para de deixá-lo te cortar toda vez que você respira.”
Olhei para longe, maxilar cerrado. As palavras se assentaram em mim, pesadas, pressionando contra algo cru.
“Deixar ir não significa que você para de amá-la,” Eve sussurrou. “Significa apenas que você para de se punir por sobreviver ao luto.”
O silêncio se estendeu entre nós.
Eu voltei meu olhar para ela, procurando por algo — raiva, ressentimento, dúvida. Mas não havia nada. Apenas compreensão.
E pela primeira vez em anos, senti algo mudar dentro de mim.
Um suspiro. Uma fissura. Uma escolha.
Respirei fundo. “Então eu preciso deixá-la ir.”
Eve assentiu, ainda firmando minha mão. “E eu estarei aqui quando você fizer.”
Toquei o brinco de esmeralda em minha orelha. A única peça dela que eu ainda carregava.
Eve o tocou também. “Onde está o segundo?” ela sussurrou.
“Foi arrancado da orelha dela,” eu disse, minha voz tensionada. “Talvez durante a confusão ou como um troféu doentio. Mas nada foi tirado nem de Leon nem do meu pai, então não faria sentido. Era…”
Eu congelei no meio da frase.
O corpo de Eve sacudiu violentamente, um arrepio rasgando ela como um tremor sob sua pele.
A pegada dela no meu pulso virou de ferro.
Então — sua cabeça foi abruptamente para trás.
Um grito estrangulado saiu de sua garganta, seu corpo inteiro convulsionando como se algo a tivesse agarrado por dentro e puxado.
“Eve—?”
Seu fôlego prendeu — então sangue.
Um fino rastro de carmesim escorreu do seu nariz, deslizando por seus lábios entreabertos.
Eu avancei para a frente, segurando-a justo quando seus joelhos cederam.
“Eve!” Minha voz era afiada, urgente, mas o corpo dela não estava respondendo. Suas pupilas dilataram de maneira antinatural, os dedos dela tremendo contra os meus como se ela estivesse tentando se segurar.
“Fale comigo!”
Os lábios dela se abriram, mas nada saiu.
Então — seu corpo inteiro ficou rígido.
E ela caiu para trás.