A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 205
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205: Verde Esmeralda 205: Verde Esmeralda Hades
“Felícia e Danielle seguiram com meu irmão e pai enquanto eu cuidava dos protocolos de segurança, assegurando que ninguém nos seguia. Uma vez que estavam no fundo da floresta, seguindo as coordenadas, eu pensei que estavam seguras. Pensei que tinha feito meu trabalho.”
Minha voz falhou na última palavra.
Eve se aproximou, fazendo círculos lentos e firmes em minhas costas. “Era o seu trabalho,” ela sussurrou. “Você não poderia saber.”
“Mas—”
“Shh…” Ela me interrompeu gentilmente, sua voz firme. “Conta-me o que aconteceu, amor.”
Meu peito apertou, mas eu forcei as palavras para fora. “Felícia e Danielle eram uma prioridade. Ambas estavam grávidas – bênçãos para a alcateia.”
Ela assentiu, sem parar o movimento tranquilizador de sua mão em minhas costas.
“Então o som de um helicóptero… e aquele uivo penetrante.”
Um calafrio percorreu-me, minhas próprias palavras envolvendo meu pescoço como um laço. “Não eram elas. Era algo totalmente diferente. Eu sabia. Eu simplesmente… sabia.”
A escuridão estava espessa, o terreno implacável. Eu podia ouvir as árvores caindo, seus troncos se quebrando sob a força de algo massivo.
“Estava abrindo caminho pela floresta, derrubando árvores com seu corpo. Depois vieram os gritos. A luta. O cheiro de sangue. Eu sabia que seria um massacre.”
Engoli em seco, meu estômago revirando. “O cheiro de gasolina. Fogo. Fumaça. Estava por toda parte.”
As mãos de Eve nunca pararam de se mover, mantendo-me preso ao presente enquanto o passado dilacerava minha mente.
“Eu corri,” eu murmurei, minha voz rouca. “O mais rápido que pude. Mas a floresta era densa, o terreno um labirinto. Quando cheguei à clareira, as chamas já estavam subindo.”
O fogo rugia, engolindo tudo em seu caminho. Fumaça subia densa para o céu noturno, sufocante, entupindo meus pulmões a cada respiração. O fedor de metal ardendo, couro chamuscado e sangue pairava no ar.
“Eu corri,” eu repeti, minha voz oca. “Mas quando lá cheguei… já era tarde demais.”
O comboio havia desaparecido – os SUVs blindados nada mais eram que esqueletos retorcidos e enegrecidos. O aço reforçado tinha sido rasgado como papel, despedaçado por algo mais forte que balas ou explosivos.
E os corpos – deuses, os corpos.
Os dedos de Eve pressionaram um pouco mais firmes em minhas costas, mas ela permaneceu em silêncio. Ela sabia que eu precisava colocar isso para fora.
“Leon estava estraçalhado – nada mais que fitas de carne.”
Eu hesitei, meus lábios se curvando amargamente. “E eu não senti nada. Nem culpa. Nem tristeza. Apenas… nada.”
Eve não se abalou, não julgou. Ela simplesmente esperou.
“Felícia parecia morta,” eu cuspi. Sacudi a cabeça, minha garganta espessa. “Ela estava encharcada.”
Eve inalou bruscamente. “E Danielle?”
Engoli em seco, a memória me cortando. “Ela ainda estava viva. Mal. Mas a menos que um Delta materializasse do nada, ela não sobreviveria.”
Fechei meus olhos por um momento, mas isso não ajudou. A imagem estava queimada em minha memória.
Danielle estava no chão, presa sob o corpo inerte de meu pai. Lucas havia caído, meu pai tinha lacerações sangrentas nas costas, eu podia ver onde sua coluna fora arrancada.
O sangue se acumulava sob Daniellle, manchando o asfalto rachado com manchas brilhantes.
Quando tirei meu pai de cima dela, os olhos dela se abriram.
E ela sorriu.
“Ela estava aliviada,” eu sussurrei. “Que eu estava vivo.”
O aperto de Eve em mim se fortaleceu, seus dedos se enrolando levemente.
“Ela tentou falar, mas estava engasgando com o próprio sangue. Eu pressionei sobre as feridas dela, tentei parar o sangramento, mas ela—” Minha garganta fechou.
“Ela apenas me olhou, Eve. E então ela sussurrou, ‘Nosso bebê.'”
Eve inalou profundamente, seu corpo se tensionando.
Assenti, minha mandíbula se tensionando. “O ventre dela estava rasgado. Nosso bebê se foi. Ela estava morrendo.”
O zumbido das hélices do helicóptero cortou as chamas rugindo, mas eu mal percebi. Todo o meu mundo havia se estreitado para a mulher sangrando embaixo de mim.
Então—eu vi.
Uma sombra contra os destroços em chamas.
Não dentro do helicóptero.
Pendurada nele.
Endureci, minha voz se tornando aguda. “Aquela coisa… não era humana. Também não era um Lycan.”
O fôlego de Eve engasgou. “Você viu?”
Assenti, meus punhos cerrando. “Era imenso. Pelo menos três vezes o tamanho de um Lycan, mas não só em massa. A maneira como se movia, como se agarrou ao helicóptero como se não pesasse nada—não era apenas uma besta. Era algo totalmente diferente.”
Ela engoliu. “Você tem certeza?”
Eu encontrei o olhar dela. “Eu vi seus olhos, Eve.” Minha voz estava crua. “Estavam queimando. Como brasas na noite mais escura. E estava olhando direto para mim.”
O helicóptero se afastou, desaparecendo no céu noturno.
Então—um grito.
Um berro agudo e penetrante. Não de dor. Não dos moribundos.
Um bebê.
Eve se rigidificou, segurando a respiração. “Um bebê?”
Assenti, minha garganta apertada. “Estava vindo de Felícia.”
Ela piscou, confusão atravessando seu rosto. “Mas você disse—”
“Eu pensei que ela estava morta,” eu murmurei, a mandíbula se cerrando. “Ela estava imóvel. Seu corpo estava torcido, quebrado. Mas então eu vi—os braços dela. O jeito que ela estava encolhida, protegendo algo embaixo de si.”
Os dedos de Eve pressionaram mais forte minha pele. “Ela estava protegendo o filho dela.”
Exalei abruptamente. “Ela devia saber que não iria sobreviver. Mas mesmo enquanto morria, ela o cobriu com seu próprio corpo.”
As sirenes vieram a seguir.
Holofotes.
Paramédicos.
Soldados.
Deltas.
Tarde demais para impedir a carnificina. Mas a tempo de recolher os cacos.
O recém-nascido ainda estava vivo.
Ajoelhei-me ao lado de Felícia, minhas mãos escorregadias de seu sangue enquanto eu cuidadosamente, hesitante, abria suas mãos.
E lá estava ele.
Pequeno. Mal respirando. Mas vivo.
Eve soltou um sopro leve, seus dedos pressionando minha costas. “Um milagre.”
“Uma bênção,” eu murmurei, embora a palavra parecesse amarga.
Talvez fosse a dor falando. Ou algo mais sombrio.
Pois naquele momento—eu tinha desejado que ele fosse meu.
Só por um segundo.
Se ele fosse, se Danielle tivesse sobrevivido o suficiente para trazer nosso filho ao mundo, eu teria algo dela deixado.
Mas o destino não foi tão misericordioso.
“Felícia e Danielle pareciam-se,” eu murmurei. “O suficiente para que, nos primeiros segundos, com a fumaça e sangue embaçando tudo, eu me permiti acreditar—”
Engoli em seco. “Então Elliot abriu os olhos.”
Verde esmeralda.
Os olhos de Felícia. Não os da Danielle.
Não os meus.
Eve exalou, sua voz mais suave. “Mas você ainda queria ter esperança.”
Silêncio.
Então eu admiti, “Sim.”
E antes que eu pudesse processar tudo isso, um Delta gritou.
“Ela tem um pulso!”