A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 195
195: Verdade 195: Verdade Eve
Meu estômago despencou.
Um frio agudo e antinatural varreu meu corpo, infiltrando em meus ossos como geada rastejante.
O calor de seu corpo, o peso dele sobre mim — tudo isso desapareceu, engolido pela pressão esmagadora de suas palavras.
Diga-me por que ela tem olhos vermelhos como um Lycan.
Meu pulso retumbava em meus ouvidos, minha respiração presa na garganta, me sufocando.
Não.
Não.
Hades sentiu meu corpo tensionar debaixo dele, seus olhos se estreitando enquanto ele levantava a cabeça, seu aperto apertando em minha cintura.
“Vermelho?” Sua voz era mais suave agora, questionadora.
Eu não conseguia falar. Não conseguia respirar.
Porque a verdade estava rastejando pela minha espinha como um fantasma, uma força inegável pressionando sobre mim, apertando, sufocando.
O mundo ao nosso redor se tornou turvo, mas sua voz veio nítida, com uma borda afiada que eu não podia nomear.
“O que você está escondendo?”
Eu tentei me mover. Escapar.
Mas ele não deixou.
Hades pegou meu pulso em um movimento rápido e fluido, seus dedos se enrolando em volta de mim como grilhões.
“Vermelho,” ele disse novamente, desta vez mais duro, mais sombrio.
O peso do meu segredo pressionava contra meu peito, ameaçando me esmagar.
Ele não podia saber.
Ele jamais poderia saber.
Porque se ele soubesse — se ele entendesse o que isso significava —
Eu já estava morta.
Um tremor sacudiu meu corpo, e seus olhos prateados afiaram.
Minha respiração falhou e imediatamente comecei a me afastar, mas ele me aprisionou no lugar, puxando-me de volta totalmente sob ele.
Seus olhos permaneciam intensos enquanto ele olhava para baixo em minha direção, sua expressão ilegível, mas penetrante. “Vermelho…” Sua voz era um carinho doloroso, enchendo-me de mais temor. “Você não vai a lugar algum até me dizer exatamente o que está escondendo,” ele engoliu em seco, o primeiro sinal de que isso estava afetando-o muito mais do que ele demonstrava. “Eu tenho minhas suspeitas, mas quero ouvir da sua boca.” Em um gesto surpreendente, ele acariciou minha bochecha com o polegar.
Lágrimas encheram meus olhos enquanto eu o encarava, boquiaberta, minha língua travando enquanto balançava a cabeça. A pressão sobre mim era monumental. Cada respiração que eu tirava era uma tarefa.
Sua carranca se aprofundou, embora seu toque permanecesse terno. “Diga-me, meu amor.” Ele sussurrou.
Meu coração disparou ao que ele me chamou. Era tudo que eu acreditava que sempre quis. Aqui estava eu, nua, sob o homem que eu amava, pele com pele, tão perto quanto poderíamos estar, ainda assim o abismo permanecia, sempre provocador e sempre assustador. Os segredos pressionavam contra mim, mantendo minha língua presa enquanto minhas lágrimas continuavam a cair.
Um soluço me sufocou enquanto eu o encarava, meus lábios se separando, mas nenhuma palavra saía.
Eu havia segurado esse segredo como uma tábua de salvação, arranhado e sangrado para mantê-lo enterrado onde ninguém — nem mesmo Hades — pudesse alcançar.
Mas ele estava alcançando agora.
Cavando em mim, desmontando as camadas de mentiras e silêncio, exigindo a verdade que poderia nos separar.
Seu toque ainda era gentil, mas seu aperto era implacável.
“Vermelho.” Sua voz era suave, persuasiva, mas seus olhos — essas íris ardentes — eram ilegíveis.
Esperando. Esperando.
Eu balancei a cabeça, apertando os olhos. “Não pergunte isso,” eu sussurrei, minha voz quebrando.
Eu não podia.
Se eu dissesse, isso se tornaria real.
A mandíbula de Hades se contraiu, seus dedos deslizando de minha bochecha para minha garganta — não apertando, apenas segurando. Sentindo meu pulso acelerar sob sua palma.
“Eu já sei, não é?” ele murmurou.
Eu ofeguei, meus olhos se abrindo, o pânico me rasgando.
Não. Não, ele não podia.
Ele não podia saber.
Mas algo em seu olhar mudou, afiado.
“Eu só preciso que você diga.”
Eu tremi. Lágrimas turvaram minha visão, minha respiração vindo em rajadas afiadas e irregulares.
Mas eu não podia dizer. Eu não diria.
Seus dedos apertaram, não em raiva, mas como se me ancorando. Me segurando no lugar antes que eu pudesse fugir.
“Você está tremendo,” ele observou, sua voz quieta, mas carregada de algo sombrio.
Ele sabia.
Talvez ele soubesse desde o momento que ele a viu — o momento em que ele viu os olhos de Rhea.
Seu olhar percorreu meu rosto, buscando, lendo cada emoção que atravessava minhas características.
Então, seu corpo inteiro tensionou.
Um breath. Uma imobilidade.
E finalmente — as palavras que me destruíram.
“Você nunca foi apenas uma lobisomem, não é?”
Eu desmoronei.
Um soluço me rasgou, cru e violento, minhas mãos cerrando contra seu peito como se eu pudesse empurrá-lo para longe, empurrar a verdade para longe.
Mas Hades não se mexeu.
Ele apenas me observou se desfazer debaixo dele.
E seu silêncio era pior que a raiva.
Seu silêncio era entendimento.
Aceitação.
E isso foi o que verdadeiramente me destruiu.
Porque isso significava que não havia saída.
Não há mais como fingir.
Um tremor sacudiu meu peito enquanto eu finalmente sussurrava, tão baixinho que mal ouvi a mim mesma —
“Não.”
A única palavra rachou entre nós como um trovão, final e inescapável.
Hades suspirou, seus olhos se fechando brevemente, seu polegar ainda traçando desatentamente ao longo da minha garganta como se fixando esse momento na memória.
Então — ele me olhou novamente.
“Diga-me o que você é, Vermelho.”
Eu estremeci, o peso do momento pressionando em meu peito, infiltrando em meus próprios ossos.
“Eu não sei,” eu admiti, minha voz quebrando, minhas lágrimas escorrendo livremente agora. Eu era Lobisomem ou Lycan? Eu nunca soube. Como eu poderia explicar quando nunca fez sentido para mim? Como eu poderia desmontar a casa de mentiras que eu tinha construído?
Seu maxilar tencionou. “Então me diga o que você sabe.”
Eu lambi meus lábios, peito arfando.
O que eu sabia?
E eu sabia — eu sabia o que olhos vermelhos significavam.
Eu sabia o que eles assumiam.
Algo contaminado. Corrompido. Uma abominação.
Um lycan.
Eu deixei escapar uma respiração irregular, meus dedos agarrando seus ombros, me ancorando nele, neste último momento antes de eu arruinar tudo.
“Deixe sair, querida,” disse Rhea. “É hora de você soltar tudo.”
Um suspiro irregular rasgou de minha garganta enquanto a verdade se debatia para sair de mim.
“Eu não sou quem eu disse que era.”
Hades não se moveu. Não respirava.
Mas seus dedos se tensionaram em minha cintura, sua pegada firme, mas não áspera.
Balancei a cabeça, lágrimas derramando livremente agora, meu corpo tremendo sob o peso do que eu estava prestes a dizer.
“Eu não sou a gêmea abençoada,” eu solucei. “Eu sou a amaldiçoada.”
As palavras pareciam vidro na minha garganta.
Os olhos de Hades cintilaram — não com choque, não com raiva, mas com algo muito mais aterrorizante.
Uma intensidade tão aguda que me cortava.
Forcei-me a continuar.
“Aquela que despertou um Lycan, conforme a profecia predizia.”
Sua mandíbula se trancou, mas ele não disse nada.
E esse silêncio me esmagou.
“Eu não sou Ellen Valmont,” sussurrei. “Eu sou a irmã gêmea dela.”
A verdade pendia entre nós como uma sentença de morte.
Hades expirou, lento e controlado, mas a mudança no ar era sufocante.
Então — ele falou.
Uma única palavra.
Um único nome.
“Eve.”
Estremeci, meu fôlego se prendendo.
Soava tão diferente quando ele falava.
Não como uma maldição.
Não como uma mentira.
Como se ele sempre soubesse.
Meu peito subia e descia em tremores agudos, erráticos, meus pulmões lutando para puxar o ar.
Mas seu silêncio se prolongou.
E estava me matando.
Sua expressão era ilegível, seu olhar fixo no meu, suas mãos ainda me segurando, mas sem se moverem.
Seu silêncio era pior que a rejeição.
Era cálculo.
Uma pausa tão pesada que me esmagava por baixo dela.
O nó na minha garganta se tornou insuportável.
Eu queria que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa.
Eu queria que ele gritasse, que se despedaçasse, que me amaldiçoasse.
Mas ele não fez nada.
E isso me aterrorizava mais do que qualquer coisa.
“Hades?” Minha voz era um sussurro quebrado.
Ele expirou abruptamente, seu olhar dourado escurecendo, seu peito subindo e descendo em respirações medidas.
Então — ele se moveu.
Tão rápido que eu não vi chegando.
Um momento eu estava tremendo sob ele —
No próximo, eu estava de costas, seu corpo pressionando o meu, suas mãos prendendo meus pulsos acima da minha cabeça.
Um grito de surpresa escapou de minha garganta.
Seu rosto estava tão perto, seu calor, seu cheiro, sua presença avassaladora pressionando contra mim como uma marca.
“Você tinha escolha?” Ele perguntou, sua voz era suave, magoada. “Você conspirou com eles?”
Um soluço agudo rasgou minha garganta enquanto suas palavras me cortavam como uma lâmina.
Apertei os olhos, tentando — falhando — impedir-me de desmoronar.
“Não, eu não tinha escolha,” eu ofeguei, minha voz quebrando sob o peso de tudo. “Eu fui forçada.”
Hades não se moveu. Não respirava. Mas seus olhos prateados se aguçaram, seu aperto em meus pulsos se apertando levemente.
“Eles fizeram você substituir Ellen.”
Engoli em seco, meu peito subindo e descendo em tremores irregulares. “Sim.”
Sua expiração foi lenta, medida.
Então — sua próxima pergunta roubou o ar dos meus pulmões.
“Onde você estava durante os cinco anos depois que você se transformou, depois que você ‘morreu’?”
Prendi a respiração.
As paredes dentro de mim se fecharam — as mesmas paredes que eu tinha passado anos construindo, me arrastando para fora do abismo apenas para empurrar tudo para baixo onde ninguém podia ver.
Mas Hades estava vendo.
Seus olhos prateados perfuravam os meus, afiados e conscientes, como se as peças do quebra-cabeça estivessem se encaixando de uma vez.
“Hades…” Minha voz quebrou, implorando.
Mas ele não tinha terminado.
“É por isso que você dorme no chão?”
Meu pulso pulou violentamente em minha garganta.
“É por isso que você tem pesadelos?”
Puxei uma respiração aguda, meu corpo ficando rígido sob ele.
“É por isso que você não suporta o cheiro de sangue?”
O soluço escapou do meu peito antes que eu pudesse impedi-lo.
Suas palavras me atingiram como uma força física — uma verdade que nunca havia falado, nunca admitido, nem mesmo para mim mesma.
O maxilar do Hades tiqueava, mas ele não me pressionou. Seus olhos brilharam com desprezo e eu esperei pelo impacto.
Em vez disso, suas mãos se moveram — gentis, reverentes.
Ele acariciou meus braços, aliviando os tremores que me sacudiam.
Seus polegares acariciaram minhas bochechas, enxugando minhas lágrimas mesmo enquanto mais caíam.
E então — ele me puxou para perto.
Não exigindo. Não enjaulando.
Apenas me segurando.
Seus lábios tocaram minha testa, um sussurro de calor contra minha pele.
“Porque eu posso imaginar,” ele murmurou, “é por isso que você os teme tanto assim.”
Engasguei com meu fôlego.
Suas mãos me embalavam, me ancorando enquanto meu corpo ameaçava desmoronar.
“Não é só porque eles te esvaziaram,” Hades continuou, sua voz impossivelmente suave, “mas porque eles também te prenderam.”
Um tremor violento percorreu meu corpo.
“É por isso que o chão te conforta,” ele murmurou. “Porque sua cela não tinha cama.”