A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 171
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171: Diga-me, Lucy 171: Diga-me, Lucy Hades
“Você é um babaca, Cain,” eu rosnei para ele através da tela, abaixando a voz para que Eve não acordasse. Não era como se ela pudesse acordar facilmente depois do dia agitado e da cura dos Deltas.
“Palavras tão vulgares vindas do rei majestoso da Alcateia Obsidiana,” ele caçoou. “O que a Mãe diria?”
“Corta essa,” eu retruquei, com voz baixa e venenosa. “Ultrapassar o limite e interferir no meu território já foi ruim o bastante, Cain. Mas tocar no que é meu?” Meu aperto na mesa se intensificou, a madeira rangendo sob a pressão. “Essa foi sua primeira falha. Tornar isso pessoal foi a sua última.”
Cain se recostou na cadeira, o sorriso presunçoso visível mesmo através da tela. “O que é meu, você diz? Que territorialista você é, Hades. Não sabia que o grande rei tinha amolecido, reivindicando pequenos animais de estimação agora. Esqueça o que a Mãe pensaria—vamos falar sobre Danielle e a criança que a fera do pai da Princesa arrancou dela.”
Senti um nó na garganta, e engoli a vontade de tocar no brinco balançando na minha orelha. O cheiro de Ellen ainda invadia meus sentidos apesar de ela não estar mais nos meus braços. Mas eu me recusei a vacilar. Como qualquer outro Lycan, Cain ansiava pela fraqueza de seu oponente.
“Não me provoque, Cain,” eu rosnei, minha paciência pendendo por um fio. As sombras na sala se aprofundaram, respondendo à raiva crescente na minha voz. “Você e eu ambos conhecemos as regras. Nós dois sabemos onde estamos. No entanto, você faria bem em se lembrar de que estamos do mesmo lado no grande esquema das coisas. Vou fazer você se arrepender, Cain, se ficar no meu caminho.”
Cain deu uma risada sombria, sua expressão inabalada pelo meu aviso. “Arrependimento? Dificilmente. Se tem algo, estou curioso. Curioso sobre a coisinha que te deixou tão irritado. Deve ser algo especial para te afetar assim. O fato de ela ter levado apenas dois meses para te contar que alguém estava a avisando para fugir? Você se saiu bem.”
Minhas unhas se cravaram na mesa enquanto a onda de poder pulsava em mim, suplicando para ser liberada. Mas eu não podia deixar que tomasse controle. Não ainda. “Mantenha-se longe dela. Este é o seu último aviso.”
O sorriso dele se alargou. “Ganho outro aviso?” Suas sobrancelhas se ergueram. “Realmente está ficando mole, Lucy.”
Eu cerrei os dentes com o apelido há muito esquecido. “Cain,” eu rosnei em aviso.
“Ela está te mudando,” ele comentou, uma emoção desconhecida permeando sua voz. “Eu quase posso te reconhecer de novo—aquele menino de oito anos que tentava me tirar das sombras. O único que me considerava digno de um sorriso. O filhote dourado da Mãe. Aquele que ainda não havia aprendido a enterrar seu coração sob camadas de aço e veia do Vassir.” O sorriso de Cain vacilou por uma fração de segundo, e eu o peguei—uma visão do irmão que eu conheci antes de nossas vidas se tornarem uma teia de sangue, traição e vingança.
“Aquele menino está morto,” eu disse friamente. “E se você acha que eu amoleci, então você é delirante ou suicida. Vou te perguntar uma última vez, Cain. Mantenha-se. Longe. Dela.”
Cain inclinou a cabeça, me estudando com uma expressão que eu não conseguia decifrar completamente. “Ah, mas veja só, Lucy. Eu não acho que consigo. Veja bem, ela é… intrigante. E eu não acho que você contou a ela tudo, não é? Sobre você. Sobre seus maravilhosos planos. Sobre os planos que tem para ela.”
Meu peito apertou, a calma na voz dele acendendo uma fúria tão potente que eu podia saboreá-la no fundo da minha garganta. “Você não sabe nada dos meus planos.” Ele nem começou a compreender.
“Ah, mas eu sei,” Cain retrucou, se inclinando para frente. “Você acha que pode protegê-la de tudo, mas nem consegue protegê-la de si mesmo. Quanto tempo antes dela ver o que você realmente é, Hades? Quanto tempo antes dela perceber que o monstro nas sombras não é o que está fora da janela dela—é o que compartilha a cama dela?”
“Você me ouviu, Cain. Fique longe da minha esposa.”
Ele levantou a sobrancelha novamente, aparentemente realmente surpreso. “Sua esposa? Quem é Danielle, então?”
Sua pergunta atingiu seu alvo.
“Ah, eu esqueci. Ela foi massacrada, e você passou para a filha do homem que fez isso com ela.” Ele passou a mão pelo cabelo. “Diga-me, a voz dela ainda assombra você? Você olha nos olhos de Ellen e vê Danielle? Você pensa no seu filho? Aquele cujo corpo nunca foi encontrado. Diga-me, Lucy.”
As palavras de Cain atingiram como veneno, cada sílaba cavando fundo em feridas antigas que nunca cicatrizaram completamente. Minha visão embaçou por um momento, as memórias surgindo—o riso de Danielle, o calor do toque dela, e então o sangue. Tanto sangue. Os gritos dela ainda ecoavam nos recantos da minha mente, unidos pelos gritos assombrados da criança que eu nunca consegui segurar. Meus sonhos nunca estiveram tão assombrados quanto naqueles anos.
Meu aperto na mesa a partiu ainda mais, fragmentos de madeira se espalhando pela sala. “Você não sabe porra nenhuma sobre o que eu vejo,” eu cuspi, minha voz infestada de fúria mal contida. “Você não sabe as escolhas que eu tive que fazer. As vidas que tive que salvar enquanto afundava nas minhas próprias falhas. Então não fique aí parado e aja como se tivesse o direito de me questionar.”
Cain se inclinou para frente, seu sorriso se suavizando em algo mais sinistro, quase piedoso. “Ah, mas eu tenho, irmão. Você usa suas falhas como armadura, esperando que ninguém veja as rachaduras por baixo. Mas eu vejo. Eu vejo você. E você está certo—a voz de Danielle assombra você. O sangue dela está nas suas mãos, tanto quanto está nas de Darius. E Ellen? Ela é a sua penitência, não é? Sua tentativa patética de redenção.”
“Você não tem o direito de falar o nome dela,” eu rosnei, minhas garras se estendendo instintivamente, rasgando os restos da mesa. As sombras na sala se contorciam e se revolviam, alimentando-se da minha raiva. “Nem de Danielle. Nem de Ellen. Nem de ninguém. Esta é sua última chance, Cain. Afaste-se.”
Cain deu uma risada, um som baixo e sem alegria. “Afaste-se? Oh, Lucy, você ainda não entendeu, não é? Isso não é só sobre você. Nunca foi. Você acha que reivindicá-la como sua esposa muda alguma coisa? Que apaga os pecados que você enterrou sob camadas de mentiras e sangue? Você acha que ela vai ficar quando souber a verdade?”
Eu me endireitei, o peso de suas palavras me atingindo como um golpe físico. Ele estava jogando um jogo perigoso, puxando fios que eu não podia me dar ao luxo de desenrolar. Mas eu não lhe daria o prazer de me ver quebrar.