A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 166
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166: Meu Abençoado Amigo 166: Meu Abençoado Amigo Eve
Por um momento, o mundo parou diante do som estrondoso do tiro rasgando o ar. Meu ouvido zumbia, meus olhos estavam arregalados, meu corpo em choque, minha mente em pedaços.
Não sabia se gritava ou sussurrava, mas sabia que chamei seu nome. “Jules…”
Só voltei a mim quando ela desabou para frente. Meu braço se afastou de sua garganta enquanto ela caía sobre mim.
Minhas pernas estavam trêmulas, assim como meus pensamentos, então não demorou muito até eu desabar de joelhos, Jules em meu colo.
Meu olhar nervoso se dirigiu ao rosto dela. Ela estava sorrindo. Não fazia sentido. Foi então que percebi completamente, o escarlate se espalhando em seu peito. Abri a boca e meus pulmões queimaram enquanto soltava um grito. Era cru, áspero, minha garganta parecia machucada. O desespero preenchia o som, ecoando mais alto que o alarme que ainda soava ao fundo.
Joguei a arma, levando minha mão trêmula ao peito dela, onde o sangue jorrava desenfreado. Pressionei tão forte que temi quebrar um osso, mas ela nem sequer fez uma careta enquanto mantinha seus olhos em mim.
Os olhos dela não estavam vidrados enquanto olhava para cima, para mim. “Ela-ele teria contado… a ele,” ela murmurou. “Eu tinha que… impedi-la.”
A confusão nem teve tempo de se assentar enquanto eu a envolvia mais perto de mim, pressionando na ferida aberta.”
“Por favor!” Eu gritei, minha voz crua e desesperada, ecoando pelas paredes frias e insensíveis. “Alguém ajude! Por favor!”
Minhas mãos pressionavam mais forte contra o peito de Jules, tremendo enquanto o sangue gushava entre meus dedos, manchando tudo — ela, eu, o chão abaixo de nós. Não pararia. Não pararia.
“Fique comigo,” eu sussurrei, minha visão turva de lágrimas. “Você vai ficar bem. Eu posso consertar isso. Eu posso —” Minha voz vacilou, quebrando em soluços enquanto ela tossia, um som fraco e úmido que me gelava até os ossos.
Os olhos de Jules tremularam, pesados e turvos, mas incrivelmente calmos. Um pequeno sorriso, suave e assombroso, curvou seus lábios. Sangue escorria do canto de sua boca, mas ainda assim, ela sorria. Como se não estivesse desaparecendo. Como se não estivesse morrendo em meus braços.
“Jules?” Minha voz se quebrou, pânico subindo pela minha garganta. “Jules, fique comigo, por favor. Por que você — por quê?” Minha respiração se interrompeu violentamente. “Você não precisava fazer isso!”
Ela levantou uma mão trêmula, os dedos tocando minha bochecha, espalhando calor pela minha pele. “Eve…” ela murmurou, sua voz mal acima de um sussurro. “Eu precisava.”
Eu sacudi a cabeça freneticamente, minhas lágrimas caindo mais intensamente. “Não, não precisava! Nós — poderíamos ter descoberto algo. Juntas! Por que você— ” Minha voz foi engolida pelo soluço que arrancou do meu peito.
“Você não… entende,” ela respirou, suas pálpebras tremendo. “Eu tinha que impedi-la.”
Minha mente girava. Impedir ela? Quem? O que ela estava falando?
“O que você quer dizer? Impedir quem?” Eu implorei, abraçando-a mais forte, como se pudesse mantê-la aqui, forçá-la a me responder.
A respiração de Jules estremeceu, seu sorriso vacilando como uma chama moribunda. “Você não… não poderia,” ela balbuciou. “Eu… eu te amo demais, Eve.” Seus dedos se curvaram um pouco contra minha bochecha. “Eu não poderia deixar… acontecer.
Eu soluçava enquanto o corpo de Jules ficava mais pesado em meus braços, mas eu me recusava a soltá-la. Meus dedos se enroscavam sob sua moldura inerte, meus músculos gritando enquanto tentava levantá-la.
“Eu vou tirar você daqui,” eu ofegava, cambaleando para ficar de pé, quase desmoronando sob o peso dela. “Aguente firme, está bem? Nós vamos buscar ajuda. Nós—”
“Eve…” Sua voz era suave, mas continha uma força que me fez congelar no lugar.
Minha respiração se interrompeu enquanto eu a olhava, suor e sangue escorrendo por nós duas. Seus olhos, turvos mas ainda focados em mim, continham algo muito pior que a dor — aceitação.
“Por favor,” ela sussurrou, sua mão trêmula agarrando meu braço fracamente. “Não… Não quero desperdiçar o pouco tempo que me resta… não assim.”
“Mas Jules—”
“Por favor,” ela implorou, sua respiração dolorosamente interrompida. “Eu só… eu só quero conversar com minha única amiga antes de morrer. Minha irmã.”
Eu desabei sob o peso de suas palavras, caindo de volta aos joelhos, abraçando-a mais perto de mim como se pudesse nos fundir e mantê-la aqui, impedi-la de desaparecer. Minhas lágrimas caíam livremente, encharcando o tecido de sua camisa, misturando-se ao seu sangue.
“Estou aqui,” eu sussurrei quebradamente. “Estou aqui, Jules.”
Ela sorriu, aquele sorriso suave e assombroso que me despedaçou em um milhão de pedaços. Sua mão ensanguentada tremulamente alcançou e acariciou meu rosto, seu polegar enxugando uma lágrima solitária da minha bochecha.
“Eu deveria ter percebido,” ela murmurou, sua voz frágil, um sussurro entre o caos ao nosso redor. “Você… você passou por tanto, Eve. Eu sei agora.” Seus lábios tremiam. “Eu deveria ter visto… sua dor era igual à minha.”
Engoli o nó em minha garganta, sacudindo a cabeça freneticamente. “Não, Jules, não faça isso. Você vai ficar bem. Só aguente. Por favor!” Minha voz se quebrou, mas ela apenas sorriu novamente, seu toque suave.
“Cinco anos, querida,” ela sussurrou, seus olhos escuros e pesados com memórias. “O que eles fizeram com você?” Seus dedos passavam pelo meu cabelo, seu toque tão carinhoso quanto o de uma mãe, quanto o de uma irmã. “Mas… eu entendo agora. Você não podia me contar a verdade. Você tinha que salvar sua matilha. Você tinha que salvar a si mesma.”
Eu soluçava, pressionando minha testa à dela. “Você não entende,” eu engasguei. “Eu não queria mentir. Não queria isso, Jules, eu juro—”
“Você é tão corajosa,” ela interrompeu, sua voz suave, mas resoluta. “Apesar de todas as cicatrizes que não consigo ver… você carregou tudo. E ainda assim, encontrou espaço para cuidar de mim.” Seus lábios se curvaram em um sorriso nostálgico e agridoce. “Não me arrependo de ter te conhecido.”
Ela segurou meu rosto com o pouco de força que lhe restava, seus olhos nadando de calor mesmo enquanto seu corpo a falhava. “Em meus olhos, Eve Valmont… você é minha amiga abençoada.”
Suas palavras me esmagaram, espremendo o ar dos meus pulmões, a dor no meu peito insuportável. “Não,” eu sussurrei, sacudindo a cabeça. “Não fale assim. Você vai ficar bem. Vamos superar isso, juntas, como sempre.”
Jules sorriu novamente, mas desta vez estava tingido de tristeza. “Há tanto para dizer agora que sei a verdade,” ela murmurou. “Mas é hora… de descansar.” Uma lágrima única deslizou por sua bochecha, e meu coração se despedaçou novamente.
“Estou cansada, Eve,” ela admitiu suavemente, seus olhos olhando além de mim como se estivesse vendo algo que eu não podia. “Cansada da dor… das memórias… da escuridão.”
Um soluço saiu da minha garganta, e eu segurei sua mão com força. “Não, por favor, não me deixe,” eu implorei, minha voz rachando sob o peso da minha dor. “Eu preciso de você, Jules. Você é minha família. Você é tudo que eu tenho.” Naquele momento, ela era tudo que eu tinha. Eu não tinha ninguém em casa. Ela era minha família agora e estava escorregando por meus dedos.
Ela sorriu através de sua dor, sua expressão dolorosamente gentil. “Mas eu vou ver minha luz antes de descansar,” ela sussurrou, sua voz ficando mais fraca. Seu polegar roçou minha bochecha mais uma vez, seu olhar inabalável. “Você, Eve Valmont… você é minha luz.”
Eu sacudi a cabeça, sussurrando súplicas desesperadas, mas ela alcançou algo ao redor de seu pescoço, uma corrente prateada delicada que eu tinha visto tantas vezes antes, mas nunca tinha prestado atenção. Seus dedos tremiam enquanto ela puxava, revelando um pequeno pingente desgastado.
Com mãos trêmulas, ela o pressionou em minha palma. “Pegue,” ela sussurrou, fechando meus dedos ao redor dele. “É… é seu agora.”
Olhei para o pingente, minha visão turva com lágrimas, e vi um pequeno compartimento escondido em seu centro. Uma chave. Um segredo. Uma parte de Jules que eu nunca tinha conhecido.
“Jules…” eu soluçava, agarrando o pingente em meu peito como se fosse sua batida cardíaca.
Ela suspirou, seu corpo ficando mais pesado contra mim. “Eu gostaria de poder te contar,” ela murmurou. “Mas… algumas coisas… você tem que descobrir por conta própria.”
“Não,” eu choraminguei, minhas lágrimas caindo livremente em seu rosto. “Por favor, não vá.”
Ela sorriu mais uma vez, seus olhos tremulando fechados. “Eu te amo, Eve,” ela sussurrou, sua voz mal audível. “Minha irmã… minha luz… Me diga algo…”
Eu funguei. “Qualquer coisa,” eu prometi.
“Você realmente estava na execução?” Ela perguntou.
Eu sacudi a cabeça. “Não era eu,”
Ela sorriu. “Graças à deusa… isso teria… doído.” seu tom esperançoso. “Esteja pronta para lutar, Eve,” ela sussurrou. “O pior ainda está por vir. As intenções de Hades não são puras. A verdade vai te despedaçar. Mas… ele… ama… você.”
Minha respiração prendeu.
Mas então, com um último suspiro trêmulo, ela parou em meus braços.
Por um momento, tudo estava silencioso — meus soluços, os alarmes, o mundo em si. Tudo deixou de existir, exceto pelo peso insuportável de Jules em meus braços, e a realidade fria que afundava em meus ossos.
Dei um grito estrangulado, angustiado, balançando seu corpo sem vida, meu coração se partindo a cada soluço trêmulo. “Jules… Jules, por favor!”
Mas ela se foi.
Eu a segurei junto a mim, pressionando meu rosto em seu cabelo ensanguentado, meu mundo inteiro desmoronando ao meu redor. “Eu também te amo,” eu sussurrei, mesmo que fosse tarde demais.
Ela não me ouviu.
Balancei o corpo sem vida de Jules em meus braços, meus soluços saindo em suspiros irregulares que queimavam minha garganta. Meus dedos se cravaram em sua pele resfriada, desesperada para segurar algo que já estava escorregando. Jules, minha amiga, minha irmã — estava sangrando em minhas mãos, e eu não podia fazer nada além de me afogar no horror disso.
“Eu também te amo,” eu sussurrei novamente, repetidamente, como se dizer o suficiente pudesse desfazer o dano, pudesse trazê-la de volta. Minha voz se quebrou em um grito sufocado, cru e desesperado. “Jules, por favor, por favor não me deixe. Por favor…”
O estrondo forte da porta sendo aberta cortou pelo ar, mas eu mal o registrei. Passos pesados corriam em nossa direção, gritos enchendo a sala — abafados, distantes, sem sentido.