A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 158
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158: EU NÃO AMO ELA 158: EU NÃO AMO ELA Hades
Seus olhos não eram apenas curiosos; eram vorazes, agarrando-se àquele envelope selado como se ele contivesse as respostas para todas as perguntas não ditas que roíam sua mente. Mil pensamentos devem ter estado arranhando-a, cada um mais desesperado que o último.
Notei o leve tremor em sua mão, uma inconsciente ânsia de ir adiante. Ela queria ver. Não, ela precisava ver.
Kael notou também. Seu aperto no envelope apertou, sua mandíbula tique-taqueava com um aviso silencioso.
“Nos deixe,” eu disse, meu tom não admitindo discussão.
Jules estremeceu, mas desta vez, ela não protestou. O último resquício de teimosia drenou dela enquanto ela baixava a cabeça. Seus movimentos eram lentos, mecânicos, como se se arrastasse através de melaço. Ela hesitou no limiar, seus ombros subindo com um respirar agudo — como se pudesse dizer algo, implorar mais uma vez.
Mas então ela não fez.
A porta clicou fechada atrás dela.
O silêncio floresceu em sua ausência, espesso e sufocante.
“Kael,” eu disse calmamente, meus olhos nunca deixando o envelope, “dê-me isso.”
Ele atravessou o cômodo e colocou delicadamente em minha mão, como se pudesse se estilhaçar. O peso era mais pesado do que o mero papel permitiria.
Passei um polegar ao longo do selo, hesitando por meio segundo antes de rompê-lo.
O rasgo nítido ecoou no cômodo silencioso.
Desdobrando o documento, meus olhos percorreram a linguagem clínica, escaneando pela informação que importava.
E então eu vi.
Meu aperto apertou involuntariamente, o papel enrugando levemente sob meus dedos.
Deusa…
Subitamente, meus pés viraram líquidos, o mundo inclinando-se abaixo de mim. Ainda assim, cada nervo acendeu-se com exaltação.
“Vossa Majestade?” A voz de Kael era cautelosa.
Li novamente, mais devagar desta vez, como se as palavras pudessem se rearranjar em algo que fizesse sentido.
Mas elas não fizeram.
Relatório do Índice de Sincronização Lunar
Sujeito 1: Hades Stravos (Lycan, Alcateia Obsidiana)
Sujeito 2: Ellen Valmont (Lobisomem, Silverpine)
Tipo de Teste: Análise de Compatibilidade de Parceiro
Status: 100% Compatível
—
Achados:
— O Sujeito 1 possui a Veia do Vassir (Corrupção do Fluxo), uma anomalia rara e instável derivada da Essência Vampírica do Príncipe Vampiro, Vassir.
— A Sujeita 2 carrega o Marcador de Fenrir, um traço antigo e volátil de lobisomem significando descendência direta da Linhagem Progenitora.
— Análise Cruzada indica compatibilidade de espectro completo entre a Veia do Vassir e o Marcador de Fenrir, apesar da linhagem de espécies tradicionalmente incompatível.
— Ligação anômala detectada: A sincronização entre ambos os sujeitos transcende parâmetros padrão de acasalamento.
— *Compatibilidade Absoluta sobrepõe todas as barreiras genéticas, de espécies e metafísicas. Este nível de sincronização é classificado como Sem Precedentes.
— Força de Ligação Projetada: Imutável e irreversível.
— Aviso: A fusão da Veia do Vassir e o Marcador de Fenrir pode desencadear consequências desconhecidas e potencialmente catastróficas sob tensão lunar ou emocional.
Eu encarei as palavras, sentindo o chão debaixo de mim ceder.
Impossível.
A Veia do Vassir — minha maldição, minha força, meu tormento — nunca foi projetada para coexistir com algo. Era volátil, uma rasgão cru em minha própria natureza, algo que até meu pai temia o suficiente para nunca tomá-lo, apesar do poder que vinha com sua infecção.
E ainda assim aqui estava.
Vinculado, equilibrado, combinado perfeitamente com o Marcador de Fenrir.
As duas maiores anomalias que já foram descobertas, encaixando-se como aço forjado e pedra afiada.
Nenhuma força de sangue, linhagem ou natureza deveria ter permitido.
Mas o relatório era claro.
Esta ligação não se importava com espécies. Não se importava com regras.
Era.
A voz de Kael cortou a tempestade fria dentro de mim. “Vossa Majestade… o que diz?”
Eu mal conseguia formar as palavras, minha mente enrolada firmemente.
“Diz,” eu comecei devagar, dobrando o papel com cuidado deliberado, “que Ellen e eu somos parceiros.”
O fôlego de Kael prendeu, apenas audível, mas eu ouvi.
O choque cintilou em seus olhos antes de ele rapidamente mascará-lo por trás de uma compostura de soldado. Mas, eu podia ver o cálculo correndo por trás de seu olhar.
A Alcateia Obsidiana não receberia bem esta notícia.
Nem Silverpine.
E o mundo… o mundo queimaria antes de entender o que isso significava.
Um lobisomem e um Lycan eram parceiros?
Era uma abominação escrita em tinta, mas eu sabia que era tudo o que eu ansiava. Era quase perfeito demais. A deusa ouviu realmente as preces de um vilão.
Era a última peça do quebra-cabeça. Eu iria despertar a loba dela e o Marcador de Fenrir em seu sangue se desenvolveria ao seu potencial total.
“Então está decidido,” Kael murmurou, mas ele tinha um olhar estranho em seus olhos. Aquele que me dizia que ele tinha algo a dizer.
“O que é?”
Ele ergueu a sobrancelha tentando parecer desentendido. “O que você quer dizer?”
“Mesmo?” Eu perguntei, desimpressionado.
Finalmente, ele soltou um suspiro, passando as mãos pelos cabelos. Finalmente deixando sua surpresa aparecer. “Eu nunca pensei que fosse possível, mas agora que sei de fato… que ela é sua parceira, faz mais sentido.”
Ele estava evitando o assunto. E ele percebeu a pergunta em meu olhar então continuou.
“Eu pensei… pensei que você tinha se apaixonado por ela.”
Eu pisquei.
Depois eu ri.
Uma risada aguda, sem humor, que rasgou a quietude sufocante.
“Amor?” Eu cuspi a palavra como se queimasse minha língua.
Kael não se encolheu, mas seus olhos aguçaram, observando-me atentamente.
A ideia era tão absurda, tão grotesca, que fez meu estômago torcer.
Eu não era algum bobo apaixonado, tropeçando em afeição. Amor era fraqueza. Uma coleira. Uma vulnerabilidade que eu não podia me permitir.
Mas—
Seus olhos.
Turquesa. Claros, frios e ardentes ao mesmo tempo.
Eles brilharam em minha mente sem aviso, e algo no meu peito se contraiu.
A curva de sua boca quando ela zombou de mim, a nitidez de suas palavras, cada uma delas feita para cortar, para ferir.
E então—
Um lampejo de algo mais escuro.
A memória de sua voz, rouca e ofegante, o som de seus gemidos — inesperado, invasivo — infiltrando-se em minha mente como veneno.
Calor enroscou-se baixo e agudo no meu ventre.
Meu pulso gaguejou.
Um tremor violento passou por mim antes de eu forçar meus músculos a estabilizar. Meu aperto no papel apertou, as bordas cortando minha pele.
Não.
Não.
Isto era a ligação. A força antinatural torcendo suas garras em mim. Estava fazendo truques. Distorcendo necessidade em algo mais.
Enganoso. Manipulador.
“Eu não a amo,” eu rosnei, voz baixa e venenosa.