A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 156
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156: Propaganda 156: Propaganda Hades
O caos ao redor deles pareceu silenciar, mesmo que por apenas um momento. Guardas começaram a forçar a multidão em pânico a recuar, formando um perímetro rígido como se para garantir que ninguém pudesse desviar o olhar. Seus movimentos eram suaves demais, deliberados demais — não para proteção, mas para garantir que todos assistissem. Eles tinham que assistir, ou esse ardil mortal teria sido em vão.
A audiência era a cereja do bolo.
Endureci, mandíbula se apertando.
Isso não era contenção.
Era um espetáculo.
Uma mensagem.
Um murmúrio lento ondulou pela multidão quando Ellen desceu, degrau por degrau, até o nível do chão. Ela avançou, seus passos assustadoramente calmos contra a pedra banhada de sangue. Um guarda se aproximou, apresentando-lhe uma arma.
Uma metralhadora.
Mas não uma qualquer.
Seu quadro era mais pesado, seu cano inscrito com runas fracas que brilhavam sob a luz fraca — do tipo usado em zonas de guerra. A PDL 87-X, uma arma especializada projetada para uma coisa.
Matar Lycans.
Matar Eve.
Ellen agarrou-a sem hesitação, seus dedos enrolando no gatilho como se já tivesse feito isso antes. Seu corpo esguio parecia frágil demais para tal arma brutam, mas seu rosto permanecia imóvel, composto.
Morto.
Senti então — o cheiro forte e cortante no ar.
Prata.
Arrepiou minha pele, uma queimação sob minha carne, rastejando pelas minhas veias como fogo.
Todo Lycan conhecia essa ardência.
Cerrei os dentes, forçando meu corpo a permanecer imóvel, a manter controle. O cheiro roía meus instintos, um alerta primitivo gritando para mudar, correr, lutar. Mas eu não me movi.
Ainda não.
Ellen nivelou a metralhadora a Eve, que ainda estava contida, mal conseguindo levantar a cabeça. Sangue — escuro e antinatural — saía de suas feridas, mas seus olhos ardiam com ódio, com vida.
Ela não estava morta.
Ainda não.
Ellen não falou.
Não precisava.
A arma rugiu para a vida.
Projéteis de prata rasgaram o corpo de Eve, cada tiro perfurando carne e osso, cada impacto enviando ondas de choque brutais pelo ar. Sangue espirrou em arcos, escuro e fumegante ao atingir a pedra fria.
Eve convulsionou contra as amarras, garras cavando o chão em uma última tentativa fútil de se libertar. Seu rugido não era mais ensurdecedor; ao contrário, saiu abafado em um rosnado áspero.
Tiro após tiro.
Ellen nunca estremeceu.
Nenhuma vez.
Seu rosto estava tão vazio quanto antes, seus olhos tão vazios quanto estavam com o primeiro disparo.
A arma clicou ao esvaziar.
Fumaça se enrolou do cano, e Ellen baixou a arma com graça mecânica.
Eve não se mexeu.
Seu corpo massivo tombou para a frente, membros frouxos, sangue escuro formando uma poça embaixo dela. Carne despedaçada pelo ataque.
Silêncio.
Por um longo momento sufocante, ninguém se moveu.
Então Darius se endireitou, ajustando seu casaco como se nada tivesse acontecido.
“Está feito”, ele declarou, sua voz alcançando o pátio ensanguentado.
As palavras pareceram pesar mais do que antes, finais de uma forma que fez minha pele arrepiar.
A multidão ficou paralisada, muito atônita para comemorar, muito horrorizada para falar.
Minhas mãos se fecharam em punhos.
Meus olhos ardiam com a fumaça de prata que contaminava meus sentidos.
Os passos de Ellen ecoavam de maneira assustadora contra a pedra ensanguentada enquanto ela subia de volta à plataforma, o cheiro de prata ainda grosso no ar. A metralhadora pendia pesadamente ao seu lado, mas sua pegada era sem esforço, como se fosse apenas uma extensão de si mesma. A multidão permanecia imóvel, sufocada pelo horror do que acabara de testemunhar.
Ela alcançou o topo da escada, ficando ao lado de Darius novamente. Pela primeira vez, Ellen se moveu sem o rigor mecânico que a definira antes. Ela se virou em direção às massas silenciosas e quebradas abaixo e ergueu o queixo, o vento frio puxando mechas de seus cabelos pálidos.
E então, ela falou.
Sua voz era afiada e clara, cortando a quietude sufocante como uma lâmina.
“Isto…” a voz de Ellen carregava sem esforço, comandante, mas perturbadoramente calma, “…é o que acontece quando você não se submete a seus soberanos.”
As palavras penduraram no ar como a queda da guilhotina.
“Morte. Brutalidade. Perda.”
Ela varreu os olhos sobre a multidão, seus rostos aterrorizados e arregalados refletindo de volta para ela sem resistência.
“Que isso sirva de lição.” Seu tom era firme, intocado por emoção. “Desafio gera ruína. Rebelião gera apenas cadáveres.”
Seus olhos turquesa brilhavam sob a luz pálida, mas permaneciam ocos, desprovidos de empatia.
“Sou a gêmea abençoada”, ela declarou, sua voz subindo com fria convicção. “E hoje, eu encerrei a amaldiçoada.”
Respirações contidas ondularam pela multidão, misturadas com soluços engasgados.
“A profecia era clara. Uma traria ruína, e a outra traria luz.” Ela gesticulou em direção ao corpo mutilado de Eve, agora não passando de uma massa despedaçada de sangue e osso. “Vocês testemunharam a verdade com seus próprios olhos — um lobisomem, torcido em um Lycan. Um monstro entre nós. Um que muitos de vocês foram cegos, tolos demais, para acreditar que existia.”
Murmúrios de medo e confusão surgiram como fantasmas inquietos na multidão.
Ellen inclinou a cabeça, sua expressão se aguçando com algo que poderia ter sido desdém.
“As mentiras acabam hoje. A propaganda acaba hoje. A Rebelião Eclipse, essa fantasiosa patética de resistência, não é nada além de um caminho para sua própria destruição.”
Ela deu um passo adiante, sua voz escurecendo.
“Disseram-lhes que o segundo verso da profecia falava de uma Lua de Sangue. Uma Lua de Sangue que nos destruiria. Mas digo agora — isso é uma farsa. Uma fabricação tecida por forças insidiosas que buscam nada além do caos. Vocês viram a consequência desse caos aqui hoje. A Rebelião trabalha para nossa verdadeira ruína — Lycans.”
Gritos abafados ecoaram pela multidão.
Seu olhar varreu as massas, fixando-se nos rostos pálidos tremendo embaixo dela.
“Uma verdadeira ameaça foi extinta.” Ela apontou o cano ensanguentado da arma para o cadáver imóvel de Eve. “Outro Lycan foi abatido, como a fera que era.”
Os olhos de Ellen se estreitaram, frios como geleiras.
“Mas eu não terminei.”
Sua voz afiou-se até um ponto letal.
“Prometo-lhes isso: Vou terminar o que comecei. Os Lycans restantes da Alcateia Obsidiana cairão. A escuridão que espalharam será extinta, e em seu lugar, uma nova era se levantará. Uma era de luz, como prometia a profecia. Todo Lycan será exterminado como insetos até que seu território seja nada além de uma cidade fantasma.”
Sua mão apertou a arma, levantando-a levemente — um lembrete sutil do poder que ela ainda detinha.
“Sim, um herdeiro foi terminado…” Os lábios de Ellen se curvaram em um sorriso fino e sem alegria. “Mas outro se levantou em seu lugar.”
As palavras ecoaram, permanecendo como fumaça sobre a multidão atônita e ensanguentada.
Darius nada disse. Ele simplesmente ficou ao lado dela, observando a multidão absorver cada uma de suas palavras. Observando o medo deles se aprofundar, a esperança rachar.
A expressão de Ellen suavizou, mas apenas levemente.
“Vocês se ajoelharão”, ela sussurrou, embora sua voz ainda carregasse. “Ou serão queimados.”
O silêncio se aprofundou, pesado e sufocante.
E nessa tranquilidade, Ellen virou-se novamente para Darius, abaixando a arma para o lado.
O espetáculo havia terminado.
Mas a guerra só havia começado.