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A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 146

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146: Maleável 146: Maleável Eve
O chão sob meus pés inclinou.

O esvaziamento está te matando.

O ar parecia mais espesso, pesado, e eu não conseguia respirar o suficiente. Meus dedos tremiam contra o braço da cadeira, e eu o apertei mais forte para me estabilizar. “Você está enganada”, eu sussurrei, minha voz mal audível.

Lia não piscou, seu olhar firme. “Eu queria estar, princesa. Mas isto não é algo que se possa desejar que desapareça.”

Uma risada vazia surgiu em minha garganta. “Estou bem. Eu estive bem. Não estou morrendo. Se estivesse, Hades teria me dito. Alguém — qualquer pessoa — teria me dito.” Isso foi tão inesperado. Eu esperava qualquer coisa, menos isso.

Os olhos de Lia suavizaram, e aquela emoção indecifrável atravessou seu rosto novamente. Pena.

Eu odiava pena.

“Hades não sabe a extensão completa”, ela disse calmamente. “E eu suspeito que ele só agora está juntando as peças.”

Eu endureci, meu pulso pulsando em meus ouvidos.

“Começa sutilmente. O veneno do lobo enfraquece sua conexão com seu corpo e mente. Mas o dano de uma exposição prolongada é… irreversível. Seu lobo era o elo que te mantinha presa à realidade. Sem ele, a tensão vai te consumir.”

Engoli em seco, forçando o pânico para baixo. “E daí?” eu disse asperamente. “Se eu não resolver isso, eu apenas—desapareço? Isso não faz sentido.”

Lia se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Ela me estudou cuidadosamente, como se pesasse suas próximas palavras. “Pense assim,” ela começou, sua voz calma, mas firme. “Seu lobo é mais do que apenas uma segunda alma. É parte da sua essência, tecida em cada fibra do seu ser. Sem ele, seu corpo é como um navio sem âncora, à deriva onde a correnteza levar.”

Seus olhos se fixaram nos meus, implacáveis. “Mas essa deriva tem um preço. Seus sentidos estão embotados, seus reflexos mais lentos. E lentamente, seu corpo deixará de se reconhecer. Seu coração, seus órgãos—eventualmente, até sua mente. O desligamento se espalha até não sobrar nada para mantê-lo unido.”

Pressionei a palma da mão no peito, como se pudesse fisicamente segurar tudo por dentro. “Por quê… por que ninguém disse nada? Por que agora?”

Lia hesitou, e essa pausa fez meu estômago retorcer. “Porque até agora, o processo era lento—gerenciável. Mas algo desencadeou uma aceleração. E eu acredito que você sabe o que é.”

Eu estavai para ela, minha boca aberta. “Não sei o que você quer dizer.”

“Seu trauma. Aquele do qual você não consegue se curar porque se recusa a enfrentar, você deixa que ele te oprime. Você deixa que ele te sufoque…”

As palavras de Lia se perderam, mas o peso do que ela deixou não dito pressionou sobre mim como uma mão de ferro.

Eu apertei a borda do braço da cadeira mais forte, sentindo minhas unhas cravarem no tecido. “Eu não deixo que oprima nada,” eu retruquei, mas até eu pude ouvir a rachadura em minha voz.

O olhar dela não vacilou. “Você deixa, princesa. Eu vi. Você guarda isso, fora de vista, mas isso corrói. A dor não desaparece só porque você se recusa a reconhecê-la.”

Eu balancei a cabeça, mechas de cabelo caindo em meu rosto. “Eu estive tentando”, eu murmurei, como se dizê-lo em voz alta tornasse verdade.

Lia exalou suavemente. “Tentar não é o mesmo que curar.”

Meu coração batia furiosamente, cada batida ecoando em meus ouvidos. “O que você espera que eu faça, Lia?” eu sussurrei, mal conseguindo formar as palavras. “Reviver tudo? Eu não posso. Não vou sobreviver.” As palavras transbordavam de mim como um torrente.

Ela se aproximou mais, sua voz mais suave. “Você vai. Mas não sozinha.”

Desviei o olhar, piscando rapidamente para afastar a ardência nos meus olhos. O nó em minha garganta se intensificou. “Eu pensei que tinha superado isso. Eu pensei… talvez eu pudesse apenas continuar. Se eu continuasse me movendo, não teria que sentir.”

A mão de Lia roçou a minha novamente, me ancorando. “Eu sei,” ela disse gentilmente. “Mas você não superou, princesa. Tem estado à espreita, esperando um momento para te puxar para baixo. E agora, com seu lobo gone, não há nada que te proteja mais disso.”

Suas palavras pareciam agulhas sob minha pele—dolorosas, e impossíveis de ignorar. “Não pode ser tão ruim,” tentei permanecer delusionalmente otimista. “Eu sobrevivi a muitas outras coisas.” Eu tinha. Eu sobreviveria a isso também.

Os olhos de Lia se tornaram tristes, mas sua voz permaneceu estável. “O esvaziamento vai tomar o que restou de você. Primeiro mentalmente, até que você se esqueça completamente de si mesma. Depois fisicamente, até seu corpo desligar. Você vai se sentir como se estivesse se afogando em sua própria pele, princesa. Eu não quero isso para você.”

Minha respiração falhou.

Afogando em minha própria pele.

Pressionei uma mão trêmula no peito, como se já pudesse sentir o puxão sob minhas costelas—a força invisível silenciosamente me desfazendo.

Fechei os olhos, sentindo o peso de suas palavras se acomodar como tijolos empilhados um sobre o outro. No entanto, balancei a cabeça, “Eu treino. Eu sou ágil. Não me sinto fraca. Estou até melhorando a cada dia.”

Os ombros de Lia se curvaram, seu olhar suave, mas carregado com conhecimento que eu não estava pronta para aceitar.

“Você pode se sentir forte agora, mas essa força é emprestada, princesa,” ela disse gentilmente. “Seu corpo é resiliente, mas não pode fugir da verdade. Isso não é sobre agilidade ou resistência. É mais profundo que isso. As células em seu corpo—cada pedaço de você que uma vez foi conectado ao seu lobo—estão começando a se deteriorar.”

Eu endureci, sentindo uma lasca de pavor descer por minha espinha.

“Deteriorar?” ecoei, a palavra estrangeira e áspera em minha língua.

Lia assentiu. “Sem o vínculo com seu lobo, essas células estão… encolhendo. Elas estão famintas. Pense no seu lobo como a energia que as mantinha prósperas. Sem ele, não há nada para sustentá-las. Elas vão definhar, deixando apenas fragmentos para trás.”

Sua voz era calma, mas cada palavra desgastava a frágil parede que eu havia construído ao meu redor. Eu não conseguia parar de visualizar—meu próprio corpo consumindo-se silenciosamente, pedaço por pedaço.

Engoli em seco, pressionando uma mão trêmula contra o peito, como se de alguma forma pudesse proteger os órgãos abaixo. “Mas eu me senti bem,” eu sussurrei, minha voz se quebrando. “Como isso pode estar acontecendo se ainda me sinto bem?”

Os olhos de Lia se suavizaram ainda mais, mas não havia conforto neles. “Sua mente está te protegendo. Por enquanto. Mas não vai durar, princesa. Você sentiu o esgotamento, não sentiu? O frio que perdura em seus ossos, não importa quanto você descanse?”

Abri minha boca para negar, mas as palavras ficaram presas em minha garganta.

Ela não estava errada.

Eu tinha sentido—the estranha sensação de peso em meus membros depois do treinamento, como se minha respiração às vezes fosse muito superficial, como se meus pulmões esquecessem como se expandir adequadamente. Eu tinha atribuído isso ao excesso de esforço, ao estresse. Eu pensei que empurrar mais forte afogaria isso.

Mas não tinha.

E agora eu sabia por quê.

A voz de Lia baixou, seus olhos trancados nos meus. “Está começando a afetar seu coração. O vazio se espalha lá primeiro, encolhendo os próprios músculos que te mantêm viva. Eventualmente, seu corpo não se reconhecerá. Sua mente vai se perder, esquecendo como respirar, como ser.”

Eu encarei ela, incapaz de desviar o olhar enquanto o pânico subia por minha garganta.

Eu podia ouvir meu coração—rápido, errático, como se já estivesse lutando.

Forcei uma respiração trêmula. “Eu vou morrer,” eu sussurrei, como se dizê-lo em voz alta me ajudasse a entender. As palavras soavam muito finais. Demais inevitáveis. “Depois de tudo… Eu vou morrer.”

Lia estendeu a mão para a minha, mas eu puxei para trás, me encolhendo. Meu peito doía—não fisicamente, mas de uma forma que eu não podia explicar.

“O que eu fiz de errado?” eu sussurrei, mais para mim mesma do que para ela.

Um nódulo se formou em minha garganta, quente, dolorido e lágrimas que eu não percebia que estavam lá escorriam pela minha bochecha.

Eu tentei. Eu tentei sobreviver. Lutei, arranhei meu caminho através de tudo que eles jogaram em mim.

Mas agora, meu próprio corpo estava me traindo.

Eu me sentia como se estivesse desmoronando, não pelas palavras de Lia, mas pelo peso esmagador da impotência.

Todos me traem. E agora até o meu corpo.

Lia não falou, mas seu silêncio pesava mais do que as palavras.

Eu limpei meu rosto às pressas, mas isso não parou o tremor. “Por que ninguém impediu? Por que ninguém—”
“Você sobreviveu mais tempo do que qualquer outra pessoa teria,” Lia interrompeu suavemente. “O veneno do lobo—seu corpo não deveria ter aguentado tanto tempo. Mas você aguentou, você é a gêmea abençoada, afinal.”

Dei uma risada oca. “Força não significa muito quando estou definhando.” Ellen, você está feliz agora. Eu vou morrer e você não precisará levantar um dedo.

O olhar dela endureceu. “Isso não é verdade. Você ainda está aqui. E enquanto você estiver aqui, ainda há uma chance de parar isso.”

Encontrei os olhos dela, e por um momento, eu quis acreditar nela. Eu precisava.

Mas essa frágil esperança tremeluzia perigosamente, ameaçando se extinguir sob o peso de tudo que eu carregava.

Eu aspirei uma respiração trêmula e me endireitei, ignorando a maneira como meu coração protestava. “Me diga o que eu preciso fazer.”

Lia hesitou, como se não tivesse certeza se eu tinha o que era necessário, mas ela assentiu.

“Há maneiras de desacelerar,” ela disse suavemente. “Mas elas exigem ajuda. Você não pode fazer isso sozinha, princesa.”

Mordi a parte interna da bochecha para evitar que o soluço escapasse.

Eu odiava essa impotência.

Mas eu odiava morrer ainda mais.

“Você precisa encontrar seu lobo novamente.”

Eu fiquei imóvel, meu coração dando um solavanco. “Rhea?”

“O nome dela é Rhea?” Ela perguntou, um sorriso instável surgindo em seus lábios. Como se ela também ousasse ter esperança.

Eu assenti.

“Sua reconexão com Rhea é fundamental para estabilizar suas células. Será o vínculo dela com você que o impedirá de desmoronar.”

Meu estômago afundou, a esperança se extinguindo como uma chama ao vento.

Rhea estava gone.

Eu não a sentia há anos – como uma sombra que tinha escapado na noite em que fui esvaziada.

“Não consigo encontrá-la,” eu sussurrei, minha voz mal audível. “Eu tentei. Eu chamei por ela de todas as maneiras que eu conhecia. Ela não está lá, Lia.” Há cinco anos.

“Você não pode chamá-la, você deve atraí-la.”

Eu pisquei. “Atrair meu lobo?”

“Você deve encontrar seu companheiro.” Ela segurou minhas mãos. “Vamos encontrar seu companheiro e quando chegar a hora você deve estar pronta para fazer o que deve fazer para trazer Rhea de volta.”

—
Hades
Eu sabia quem era antes de atender a ligação. “Está feito, Amelia?” eu perguntei.

Não houve pausa ou hesitação. “Está feito. Ela estará muito disposta. Ela não vai resistir.”

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