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A Luna Amaldiçoada de Hades - Capítulo 137

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137: Um Voto a Você 137: Um Voto a Você Eve
O ar estava pesado, mas eu me forcei a olhar para frente. Para Jules. Seus olhos também estavam em mim, ilegíveis de uma maneira sinistra.

Eu abri minha boca para pedir desculpas, mas a mão dela levantou.

“Você não precisa”, ela disse. “Não foi sua culpa. Só estou feliz que você está melhorando.”

Eu olhei para baixo, para as mãos que ela dobrava em seu colo. Todas as outras partes dela estavam imóveis como uma estátua, exceto pelos dedos, que se entrelaçavam inquietos, traindo a expressão calma que ela mostrava. O silêncio se estendeu entre nós, tenso e delgado, como se qualquer palavra errada pudesse estilhaçá-lo.

Eu queria acreditar nela. Que não era minha culpa. Mas o peso pressionando contra meu peito não se aliviava.

“Jules…” Eu disse o nome dela suavemente, saboreando a hesitação na minha língua. “Eu—”
Os dedos dela se aquietaram. O olhar dela subiu para encontrar o meu, agudo e investigador.

“Está no passado”, ela interrompeu, um pequeno sorriso ensaiado curvando seus lábios. “Não há motivo para trazer isso à tona novamente, certo?”

Ela estava se esquivando. Eu conhecia aquele sorriso muito bem. Era o mesmo que eu já havia dado a Hades incontáveis vezes—aquele que dizia estou bem quando eu não estava.

“Talvez”, respondi, embora a minha voz carecesse de convicção. “Mas ainda assim sinto que lhe devo uma explicação.”

Jules exalou pelo nariz, uma respiração silenciosa, como se se acalmasse.

“Não”, ela insistiu, seu tom agora mais firme. Sua mão roçou a minha por um segundo antes de recuar, entrelaçando as mãos firmemente novamente. “Sério, vossa alteza. Deixe pra lá.”

Vossa alteza?

Assenti, mas o mal-estar entre nós não se dissipou.

“Eu que deveria estar pedindo desculpas por não respeitar limites. Sei que as coisas têm sido tensas entre nós ultimamente, mas quero que você saiba que sempre serei sua amiga.” Por um momento, o brilho nos olhos dela recuou, dando lugar a algo mais leve antes de mudar novamente. “Mesmo que às vezes eu pareça uma pessoa completamente diferente.”

Uma pessoa completamente diferente?

Mas com a maneira como a expressão dela se fechou de novo, eu sabia que era melhor não insistir. Eu não conseguiria uma resposta—eu apenas sabia. Então eu sorri, dessa vez alcançando a mão dela.

A pele dela estava fria ao toque e úmida. Ela estava muito mais ansiosa do que eu inicialmente pensava. Ela se imobilizou ao contato, seus olhos se arregalaram.

“Acho que ambos temos falhas”, murmurei baixinho. “Mas isso só mostra o quanto avançamos desde que éramos estranhos. Amigos sempre serão um pouco complicados, certo?”

Jules não respondeu imediatamente. Seus olhos baixaram para onde as nossas mãos se encontravam, e por um segundo fugaz, pensei que ela pudesse se afastar. Mas ela não o fez. Seus dedos tremeram sob os meus, e mesmo que sua pele permanecesse fria, ela permitiu que o contato perdurasse.

“Complicado, huh?” ela ecoou em voz baixa, quase para si mesma. “Acho que sim.”

A tensão nos ombros dela relaxou levemente, mas o olhar cauteloso em seus olhos nunca desapareceu por completo.

“Eu estou falando sério”, insisti gentilmente. “Você pode me contar se algo está errado. Não quero fingir que as coisas estão bem quando não estão.”

Os lábios de Jules se separaram, mas qualquer coisa que ela pretendia dizer desapareceu em sua garganta. Seus olhos desviaram para a janela, como se procurassem por uma saída. Havia algo trágico em seu olhar, algo premonitório, e no meu íntimo, era tão familiar.

“Você é uma boa pessoa, Ellen”, sua voz suavizou, quase etérea.

“Fico feliz que pense assim”, disse, embora meu sorriso tenha ficado trêmulo.

Seus olhos dispararam para os meus, seu olhar afiado mas suas palavras amenas.

“Não, eu estou falando sério. Você é genuinamente gentil.” Seus olhos se tornaram investigadores, como se tentassem destrancar algo no fundo dos meus olhos. “Você não culpa, não julga. Mesmo quando deveria.”

Engoli, o peso das palavras dela se assentando pesadamente sobre mim. Havia algo cru na maneira como Jules me olhava—como se ela estivesse segurando uma verdade muito áspera para ser dita em voz alta.

“Não vejo o ponto em julgar alguém que eu me importo”, disse suavemente. “Não quando eu sei a dor que já estão sentindo.”

A expressão de Jules piscou só por um momento. Seus lábios se juntaram em uma linha fina, e ela deu um aceno curto, como se minhas palavras confirmassem algo que ela já sabia.

“Você é do tipo que oferece pedaços de si até não restar nada para dar. Você faz isso porque considera muitas pessoas dignas. Mesmo quando você sangra pela faca que elas cravam em suas costas.”

Um calafrio horrível subiu pela minha espinha. Minhas palmas ficaram úmidas, e ficou mais difícil manter o olhar dela.

“Você não deveria ser tão perdoadora”, ela murmurou, mais para si mesma do que para mim.

“Talvez não”, admiti. “Mas eu não consigo mudar quem eu sou.”

Pela primeira vez naquela noite, a máscara de Jules rachou. Seus olhos brilharam com algo que eu não conseguia identificar—talvez luto, talvez culpa. Ela olhou para baixo novamente.

Eu não perguntei. Eu sabia que ela não iria me contar.

“Você chama isso de perdão”, ela disse depois de uma longa pausa. “Eu chamo isso de perigoso.”

O silêncio que se seguiu estava mais espesso do que antes, prensando ao nosso redor como neblina.

“Você não é perigosa para mim”, eu sussurrei, mas as palavras se sentiram frágeis, mesmo enquanto eu as dizia.

O olhar de Jules encontrou o meu, agudo e conflitante. Havia algo em seus olhos—algo que ela desesperadamente queria dizer mas não podia.

“Talvez você devesse parar de confiar tanto em mim, Ellen.” Sua voz era mal audível, mas o peso de suas palavras ecoava alto na minha mente.

Eu a encarei, coração batendo acelerado. “Por que você diria isso?”

Ela hesitou por apenas um segundo. “Só… tenha cuidado. É só isso.”

“Eu terei,” sussurrei.

Pela primeira vez, ela sorriu para mim, mas eu poderia jurar que havia lágrimas brilhando em seus olhos. Ela piscou, e desapareceu.

“Ellen,” ela sussurrou tão baixo que eu tive que me aproximar para ouvir.

Eu inclinei minha cabeça. “Sim?”

“Quando eu te encontrei, eu estava assustada. Você estava chorando no chão, de olhos fechados, seu corpo tremendo. Você estava soluçando um nome em seus lábios.” Havia uma estranheza em sua voz que fez eu congelar. De quem seria o nome que eu teria—? Então eu gelei. Ellen. Seria o nome dela. Deusa, não—
“Ellie,” Jules murmurou. “Você estava sussurrando o nome Ellie.”

Pisquei como se acordando de um transe. “Ellie?”

Jules assentiu, seus olhos se estreitando. “Sim, Ellie. Havia tanta dor na sua voz enquanto você dizia. Como se o nome em si estivesse te despedaçando.”

“Eu—” Gaguejei, insegura do que dizer. Eu não podia acreditar na minha sorte. Ela tinha ouvido Ellie, em vez de Ellen.

“Eu estava preocupada sobre quem Ellie era e por que o nome incitaria tanto luto, então perguntei.”

“Quem?”

“Beta Kael. Ele me disse que Ellie era o apelido que você deu para Elliot Stravos, o filho do falecido rei.”

Alívio inundou minhas veias. “Sim, Ellie.” Soltei um suspiro.

Como se um interruptor fosse virado, seus olhos agudos suavizaram. “Eu ouvi dizer que você salvou ele. Você deve ter sentido muita falta dele.”

Eu senti falta do menino, mas a dor no meu peito não era por ele.

“Sim,” eu disse, forçando um sorriso. “Ellie era como um irmãozinho para mim.” Ele foi, por um pouco de tempo.

Jules me estudou cuidadosamente, mas a suspeita que havia antes desapareceu. Ela assentiu, como se satisfeita com minha resposta, mas algo me dizia que essa não seria o fim de sua curiosidade.

Sua mão descansou brevemente sobre a minha mais uma vez antes dela se levantar. “Isso é doce,” ela disse suavemente.

A dor em meu peito apertou, mas eu a engoli. “Obrigada, Jules.”

Ela hesitou na porta, olhando por cima do ombro. “Sabe,” ela começou, a voz mal acima de um sussurro, “eu pensei por um momento… talvez Ellie fosse outra pessoa. Alguém que você perdeu.”

Forcei uma risada suave. “Não, nada disso.”

Seus olhos se demoraram em mim, buscando uma última vez por fissuras que eu não poderia deixá-la encontrar. De repente, ela desatou a rir. “Por que você é tão rígida?”

Sua risada me pegou de surpresa—leve, mas carregando um tom que eu não conseguia identificar. Pisquei, sem saber como responder.

“Rígida?” Ecoei, tentando combinar com o tom dela, mas a aperto no meu peito persistia.

Jules sorriu, afastando-se da porta e cruzando os braços relaxadamente sobre seu peito. “Você sempre se senta como se estivesse se preparando para impacto. Como se alguém estivesse prestes a jogar uma lança em você.”

Não pude evitar o pequeno sorriso que surgiu em meus lábios. “Talvez eu esteja mesmo.”

Sua risada amoleceu, mas enquanto desaparecia, algo pensativo piscou em seu rosto. “Ellen, você não precisa manter tudo junto o tempo todo. Você pode relaxar, sabe?”

Assenti, mas nós duas sabíamos que não era tão simples.

Jules me examinou por um momento mais, seu divertimento desaparecendo em algo mais introspectivo. “Foi estranho…”

Meu coração disparou na garganta novamente. “O que foi estranho?”

“Ver Sua Majestade daquela forma. Quando ele viu você no chão. Ele parecia—desesperado. Desesperado…” Ela quase divagou. “Ele te recolheu em seus braços como a coisa mais delicada do mundo. Como se você estivesse se desmoronando e ele quisesse—precisasse—te manter unida.”

Engoli, um nó doloroso se formando em minha garganta com a menção de Hades. Mas mais do que isso era a surpresa. “Ele fez o quê?”

“Eu não acreditaria se eu mesma não estivesse bem ali. Foi a coisa mais belamente trágica que eu já vi.”

As palavras de Jules pairaram no ar, densas com algo não dito. Eu me senti congelada sob seu peso.

Hades… desesperado?

Não parecia possível. Não ele.

“Eu não achava que ele…” eu parei no meio da frase, incerta de como terminar o pensamento.

“Eu também não,” Jules admitiu baixinho, seu olhar distante como se lembrasse do momento. “Por um segundo, pensei que ele poderia despedaçar qualquer um que chegasse muito perto. Eu nunca o vi assim antes.”

“Ele só estava preocupado que poderia ter havido um intruso.”

“Talvez… mas se fosse o caso, ele não teria sussurrado seu nome como uma prece ou feito um voto para você.”

“Um voto?”

A expressão de Jules tornou-se indecifrável, sua voz quase ameaçadora. “Ele jurou nunca te trair.”

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