A Esposa Roubada do Rei Oculto - Capítulo 208
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- Capítulo 208 - 208 Prática 208 Prática Rafael parecia estar em guerra
208: Prática 208: Prática Rafael parecia estar em guerra consigo mesmo. Ele olhou para o monte de moedas de ouro, brilhando em suas mãos, antes de finalmente suspirar.
“Para que você precisa de dinheiro? Ou da bolsa, aliás?” Rafael perguntou. “Eu posso trazer qualquer coisa que você desejar. Você só precisa pedir. Além disso, você nunca vai usar isso.”
“Porque eu não vou sair do palácio, é isso?” Soleia disse. Seu olhar se fechou enquanto ela desviava os olhos de Rafael.
Instantaneamente, os olhos de Rafael se arregalaram ao perceber o que suas palavras acabavam de implicar.
“Não! Não foi isso que eu quis dizer!” ele tentou dizer rapidamente. Ele colocou as moedas de volta na bolsa e a deixou de lado. Com as mãos livres, ele segurou Soleia gentilmente pelos braços, inclinando-se para encontrar seu olhar. “Eu só quero dizer que é meu dever, como seu marido, prover para você. Quero que você possa depender de mim.”
Os olhos dela cintilaram, poupando-lhe um segundo antes de desviar o olhar mais uma vez.
“Eu não quero ter que depender de você o tempo todo,” Soleia disse. Sua voz soava até um pouco rouca. “Eu tenho meu próprio orgulho, Rafael, e eu gerenciei as finanças de Orion por muito tempo antes de vocês dois voltarem da guerra. Eu conheço meu caminho entre os números.”
“E eu não estou duvidando disso,” Rafael disse. “É só…”
“Só o quê?” Soleia respondeu rispidamente. A mágoa dançava em seus olhos. “Admite logo. Eu sou uma prisioneira aqui, não sou? Eu… Estou esperando você resolver as coisas com Elinora e seu pai, esperando que nosso casamento seja verdadeiro, mas tudo que você planeja é me manter por perto como sua concubina suja e indesejada que nunca verá a luz do dia ―”
Suas palavras foram rapidamente seladas com um beijo, e Soleia praticamente se derreteu nos braços de Rafael. Ele gentilmente segurou a parte inferior de suas costas, puxando-a um pouco mais para perto. Quando se separaram, as bochechas de Soleia estavam coradas de vermelho, e os dois estavam levemente ofegantes ao tentar recuperar o fôlego.
“Você é minha esposa, meu amor,” Rafael disse, suas palavras sobrevoando sobre ela em um sussurro suave. “Você jamais será minha concubina.”
Soleia franziu os lábios e desviou o olhar. Mas, mesmo assim, Rafael pôde ver o leve contorno de contentamento no canto de seus lábios.
“Fique com o ouro e a bolsa,” Rafael disse. Ele pegou a bolsa e a colocou firmemente nas mãos de Soleia, soltando-a apenas quando teve certeza de que ela estava segurando. “Guarde em algum lugar seguro. Isso é muito dinheiro. Embora a segurança seja rigorosa aqui no palácio, não podemos ter certeza de que não haja ladrões entre os ajudantes.”
Rafael deu uma risada de desprezo.
“Honestamente, eu nem duvidaria se Ricard tentasse aparecer e roubar o dinheiro de volta. Ele pode ser bastante mesquinho.”
Soleia sorriu, assentindo com entusiasmo. Ela enfiou a bolsa firmemente no bolso por enquanto, mas o brilho nos olhos dela não desapareceu. O coração de Rafael se aqueceu só de olhar para ela, tão facilmente satisfeita com uma pequena fortuna.
Se ela quisesse, ele daria a ela todas as riquezas e o ouro disponíveis em Raxúvia. Torres douradas seriam construídas em sua honra e cristais de todo o mundo financiariam seus experimentos. Mas tudo isso só seria possível se ele tivesse mais poder.
Só um pouco mais de poder.
“Venha,” ele disse, estendendo uma mão para que ela segurasse. “Vou levá-la aos praticantes de magia com quem você vai treinar.”
Soleia assentiu com entusiasmo e segurou sua mão. Mas no momento em que Rafael virou para andar na frente dela, o sorriso dela desapareceu, o frio invadindo seus olhos. Ela tocou o vestido onde a bolsa estava em seu bolso, certificando-se de que estava segura.
Esse dinheiro garantiria que ela tivesse uma vida confortável onde quer que fosse. Ela não conseguiu contar quanto Ricard tinha dado a ela, mas deveria ser suficiente para durar pelo menos as próximas três vidas.
Com a cabeça cheia de planos para o futuro, Soleia seguiu Rafael sem pensar pelo corredor e pelas escadas. Foi apenas quando eles chegaram ao subsolo que ela começou a franzir a testa, seu nariz se enrugando quando um cheiro pungente invadiu suas narinas.
Instintivamente, Soleia engasgou, e o som que fez não passou despercebido. Rafael virou-se e sorriu constrangido.
“Que cheiro é esse?” ela perguntou, usando a mão livre para pinçar o nariz. Apenas enrugá-lo não era mais o suficiente ― cheirava como se houvesse cem cadáveres apodrecendo apenas fermentando no fundo das escadas. “Como podem haver praticantes de magia vivendo lá?”
“Você vai entender,” Rafael disse. Suas sobrancelhas estavam franzidas e ele parecia apenas apologético.
Soleia sentiu o coração despencar até o estômago quando um pensamento lhe veio.
De fato, quanto mais próximos chegavam ao fim das escadas, mais altos se tornavam os sons de lamentação. Ela mal conseguia distinguir pelo que estavam implorando — comida, água, remédio — mas todas as vozes compartilhavam uma semelhança.
Soiavam próximas da morte.
“Rafael, onde estamos?” Soleia exigiu, os pelos da nuca se arrepiando enquanto olhava para Rafael em alarme. “Eu achei que íamos buscar praticantes de magia?”
“Vamos,” Rafael disse com um aceno. Ele acendeu as tochas e, uma vez que o corredor foi iluminado, Soleia prendeu a respiração em um arquejo entre os dentes.
Para toda a glória e beleza do palácio acima do solo, era um caso completamente diferente lá embaixo. Raízes se infiltravam nas paredes de pedra, e água pingava do teto para o chão em um ritmo constante. Havia lama por todo o pavimento de pedra, já rachado com o tempo. Até as paredes tinham musgo, além de ocasionalmente alguma trepadeira.
“Aqui é onde meu pai e Raziel mantêm os praticantes de magia,” Rafael disse com um suspiro.
Ele gesticulou para o caminho sombrio adiante. Soleia teve que semicerrar os olhos para enxergar o que estava no outro lado da sala e, quando viu as gaiolas, ela recuou de surpresa.
“Ou melhor,” Rafael disse, “suas vítimas.”