A Companheira Amaldiçoada do Alfa Vilão - Capítulo 269
Capítulo 269: Egoísta
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A atmosfera no palácio estava tensa após a reunião. Esme voltou para seus aposentos, incapaz de dormir mesmo após um curto passeio pelos corredores silenciosos do palácio.
Ela não conseguia parar de pensar em Leonardo e Cora – se estavam seguros, sobre a situação deles, sobre a condição de Aqueronte e o comportamento estranho de Donovan.
Ela estava tão perdida em seus pensamentos que não percebeu a pequena mesa até que seu quadril esbarrou nela, fazendo o jarro balançar perigosamente. Seus reflexos reagiram a tempo, e ela o pegou antes que pudesse cair no chão.
“Isso foi por pouco.”
Ela exalou aliviada e cuidadosamente colocou o jarro de volta no lugar. Ela se repreendeu mentalmente para prestar mais atenção aonde estava indo, a fim de evitar esse erro.
Assim que virou a esquina, outra figura apareceu na direção oposta, e eles colidiram.
Uma mão firme disparou, segurando-a pela cintura antes que ela pudesse tropeçar.
“Tenha cuidado,” ele disse, sua voz baixa e firme.
Os olhos de Esme se arregalaram quando ela percebeu em cujos braços havia caído, aqueles olhos azuis inconfundíveis.
Ela imediatamente se retraiu, dando um passo para trás para se livrar do seu abraço.
Kael a soltou sem resistência, sua expressão suavizando ligeiramente. “O que é isso? É a primeira vez que alguém recua da minha presença. Posso perceber que você não gosta de mim, Esmeray da família Montague.”
Esme mordeu o interior da bochecha, incerta de como responder.
Ela o odiava? Ódio era uma palavra forte, mas a presença dele fazia sua pele formigar com desconforto. Depois do que ele deve ter feito ao seu Donovan a portas fechadas, não havia espaço para confiança. Ainda assim, ela não podia expressar isso aqui – não em seu domínio, onde cada respiração que ela tomava era por sua permissão e misericórdia.
A melhor maneira de proteger Donovan era jogar de acordo com as regras deles.
Ela abaixou o olhar.
“Não é… isso.”
“Hm?”
As sobrancelhas de Kael se levantaram ligeiramente, divertimento cintilando em seus olhos. “Você vem de um lar muito prestigioso, e ainda assim se envolveu em tal desastre. Apaixonar-se por um demônio é como convidar a tragédia para a sua vida. Por que faria isso consigo mesma? Especialmente com um inimigo?”
Esme balançou a cabeça firmemente.
“Deve ser isso que você pensa. Mas Donovan vale cada momento. Não vejo o seu ponto. Por mais que eu aprecie sua disposição em nos deixar ficar aqui, apesar dos problemas, eu não tenho nenhum desejo de discutir minha vida pessoal com você – ou com qualquer um.”
Kael considerou suas palavras antes de inclinar a cabeça, seu sorriso indecifrável.
“Claro. Mas se eu desse ordens exigindo isso, você teria pouca escolha senão obedecer.” Ele deixou aquela palavra no ar, capturando sua reação alarmada antes de suavizar o tom e dar um passo mais perto.
“Ainda assim, não precisa se preocupar. Acho que estarei muito mais interessado no seu presente e no seu futuro. Certifique-se de aproveitar o tempo de qualidade que tiverem juntos. Assim, não haverá arrependimentos.”
Seu olhar pairou apenas o suficiente para tornar o significado incerto. “Você deve estar cansada já que é tarde. Descanse um pouco.”
E ele foi embora.
Esme permaneceu enraizada no lugar, observando as costas de Kael se afastarem até que ele desapareceu no final do corredor. Suas sobrancelhas se franziram enquanto tentava compreender o significado por trás do que suas palavras queriam dizer. Em algum lugar dentro dela, ela podia sentir seu lobo – ou o lobo impostor, agitar-se em retaliação às palavras de Kael.
Quando ela voltou para seus aposentos, Donovan estava diante do espelho, meio vestido, seus músculos se flexionando sutilmente enquanto examinava o brilho suave das runas gravadas em seu torso. Ele parecia estar colocando uma camisa nova, e a visão a fez parar na porta.
“Você voltou.”
Ele captou seu reflexo no espelho antes de se virar para encará-la. “Estava prestes a ir procurar você.”
Esme entrou, fechando a porta suavemente atrás de si. Mesmo que não fosse o momento certo, era difícil ignorar o quanto ele estava distraidamente lindo– todos aqueles ombros largos, a cintura esguia, e a luz da vela traçando cada linha afiada em seu peito. Não importava quantas vezes ela já o havia visto sem camisa, sempre a deixava solta da melhor, mas inadequada maneira possível.
“Você está bem?”
Havia uma preocupação clara em seus olhos. “Ainda não consegue dormir?”
Esme não respondeu imediatamente. Em vez disso, ela se aproximou e envolveu os braços ao redor dele, descansando a cabeça contra seu peito nu. Ouvir o ritmo constante do seu coração a ancorava de uma maneira que nada mais conseguia.
“Só quero ficar assim,” ela murmurou.
Os braços de Donovan a envolveram, segurando-a como se ele entendesse o que ela precisava.
Ela fechou os olhos, seus dedos se curvando levemente em suas costas. “Eu… finalmente posso relaxar agora.”
Um leve sorriso curvou seus lábios. “Aconteceu alguma coisa?”
Esme balançou a cabeça.
“Mas eu dei de cara com o rei ou o Alto Mago, seja lá como o chamem. Por algum motivo, ele me dá arrepios. Pela primeira vez, não quero pensar no que acontecerá em dois dias. Sou egoísta por querer isso?”
“Não tem problema ser egoísta de vez em quando,” ele respondeu suavemente, e Esme ergueu o olhar para encontrar o dele.
A preocupação em seus olhos aliviou algo profundo dentro dela – mas foram os lábios dele que chamaram sua atenção em seguida. Cheios, um pouco separados enquanto ele respirava, o tipo de lábios que a faziam esquecer o mundo sempre que tocavam os dela. Ela não havia percebido o quanto sentia falta de todos os momentos juntos.
Parecia que havia se passado uma eternidade desde que se beijaram pela última vez. Muitas crises e noites sem dormir estavam os afastando. Mas agora, com o calor dele contra ela e o silêncio entre eles a envolvendo como um casulo, ela não queria pensar em nada disso.
Ela queria ser egoísta esta noite.
Se tudo desmoronasse amanhã, pelo menos ela teria isso – as memórias dele para mantê-la à tona, para se agarrar quando o mundo ficasse frio.
Seu coração vacilou quando seus olhos se encontraram novamente – e de repente o silêncio entre eles não era mais silêncio. Ela não percebeu o quão perto tinha se aproximado até que ele fechou o último centímetro e tomou seus lábios nos dele.
Não foi um beijo apressado, mas algo mais profundo, cheio das palavras que não ousaram dizer. A mão dele deslizou para a nuca dela, puxando-a para mais perto até que o espaço entre eles deixou de existir.
O leve murmúrio que escapou dele enviou um arrepio pela espinha dela, e quando ele finalmente se afastou, havia uma leve tensão em sua expressão, seu olhar demorando-se nos lábios dela, sua respiração tranquila. Então, sem palavras, ele a levantou, colocando-a contra a mesa, o calor de seu corpo pressionando-se junto.
“Dom? Sua febre está voltando?”
Esme sussurrou, a preocupação permeando o tremor em seu tom enquanto seus dedos acariciavam a bochecha dele. A pele dele estava claramente quente sob seu toque, mas ele apenas se inclinou, descansando a testa contra a dela.
“Esqueça isso – Vamos ser egoístas… um pouco mais,” ele murmurou, sua voz rouca de contenção e necessidade.
Isso fez seu peito doer.
E então ele a beijou novamente.