A Companheira Amaldiçoada do Alfa Vilão - Capítulo 241
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Capítulo 241: Febre de Acasalamento
Rhyne sabia melhor do que tomar uma atitude tola.
Ele podia ver nos olhos violetas de Donovan, o desafio silencioso, a fome por provocação, e isso só irritava seus nervos. O Alfa queria que ele mordesse a isca, que aceitasse o desafio explícito entre eles, e por um momento, ele quase fez isso. Seu orgulho inflamou-se, e seu punho se fechou. Mas então, algo primitivo o puxou. Um aviso.
Seus instintos sussurravam o que seu ego se recusava a ouvir, e essa era a realidade de que ele não tinha escolha a não ser recuar. Não era o momento para violência – não agora.
Até mesmo seu lobo, que deveria ter estado ansioso para mostrar os dentes a ele, permaneceu em silêncio dentro dele. Seu lobo não estava disposto a enfrentar um homem tão mortal, e Rhyne sabia mais do que agir de acordo com seus desejos egoístas.
Com um último olhar para Esme, que permanecia quieta ao lado de Donovan, Rhyne girou abruptamente em seus calcanhares, com o maxilar tenso. Ele levantou a mão em comando silencioso, e seus homens o seguiram sem questionar, sua formação recuando do porto como uma maré quebrada.
Esme exalou lentamente enquanto os observava partir. Graças a Deus, essa seria a última vez que ela o veria.
Quando a poeira da confrontação assentou e todos retornaram a suas tarefas, o navio finalmente despertou para a vida. Ordens foram dadas às tripulações que haviam embarcado, e passos soaram contra as madeiras.
A corda final foi desatada com um estalo pesado, enquanto a prancha estalou ao ser içada de volta, protestando em suas velhas dobradiças. Por um momento, todo o porto caiu em um silêncio estranho e suspenso, como se o ar ousasse não respirar.
Quando o navio se moveu, um rangido baixo ecoou por sua espinha, seguido pelo profundo borbulhar da água abaixo. A princípio, era nada mais do que um leve deslocamento sob seus pés. Mas então, um leve deslizar para a frente fez com que Althea se balançasse para encontrar equilíbrio, o que, é claro, encontrou, nos braços de Aqueronte. Ele a segurou perto contra ele, protetoramente, para que ela não perdesse o equilíbrio.
“Você está tensa,” ele murmurou perto do ouvido dela, com a voz provocante. “Tem medo de cair na água?”
“Você não tem escutado?” Ela sussurrou de volta, sem fazer movimento para se afastar de seu abraço. “E se acabarmos passando pelo rio negro? Não quero ser infectada pelo que está nele.”
“Você não será,” ele a tranquilizou, com um tom que a ancorava no lugar. “Essa é uma promessa do seu único, ok?”
Althea lhe lançou um olhar, e a vermelhidão em suas bochechas traiu a seriedade em sua expressão. Ela virou a cabeça, e a expressão de Aqueronte iluminou-se quando ela não negou dessa vez. Ela era sua adorável Althea, afinal de contas.
Enquanto isso, a corrente da água apanhou o navio, puxando-o para águas mais profundas. O vento pressionava as velas, e o casco cortava limpo através da maré. Esme estava na amurada, seus dedos entrelaçando-se ao redor da borda de ferro enquanto o navio se libertava da terra. Ela começou a encolher atrás deles, engolida pela crescente distância e pela névoa, até que a única coisa que restava era o mar.
A viagem deles havia começado.
O vento captou o cabelo de Esme, levando mechas azuis sobre seu rosto. Sentia-se estranho viajar em um navio, mas o fato de não estar sozinha tornava a experiência mais fácil de aproveitar.
Ela se virou para Donovan, que estava se aproximando dela novamente depois de emitir um breve sinal ao timoneiro. Ele estendeu a mão para ela pegar, e quando ela o fez, ele silenciosamente a conduziu abaixo do convés, onde os quartos haviam sido preparados.
O convés do navio era amplo, e Atticus, que estava ocupado carregando carga para o nível inferior, fez uma pausa para acenar para Esme enquanto ela passava com Donovan. Ela sorriu de volta em resposta. O navio era surpreendentemente bem-organizado e dividido em câmaras destinadas a longas viagens. Mas mesmo que o timoneiro já tivesse estimado que poderiam passar três dias, tudo estava no lugar para garantir que ninguém faltasse com conforto. Donovan não poupou detalhes, e isso era uma coisa que Esme realmente admirava nele.
Os quartos eram pequenos, mas sólidos, cada um com uma cama estreita, uma lanterna a óleo montada na parede e um conjunto de cobertores de lã grossa. Os pisos estavam limpos, a madeira escura e polida, e o ar tinha um leve cheiro de ferro e sal do mar. A maioria dos quartos era compartilhada, e outros para armazenamento.
Ele levou Esme para seus próprios aposentos, que ficava afastado do barulho dos conveses inferiores. A porta rangeu ao abrir, revelando outra cabine surpreendente. A luz morna da lâmpada tremeluzia contra as paredes de mogno escuro, lançando sombras suaves pelo espaço modesto.
Uma janela estreita deixava entrar uma faixa do mar e do céu, seu vidro redondo cercado de sal.
Enquanto ele a conduzia para dentro, Esme percebeu que seus pertences já haviam sido organizados com cuidado– seu baú ao lado da parede, sua capa cuidadosamente dobrada sobre uma cadeira de madeira entalhada. Uma cama de tamanho modesto estava fixada ao chão, e estava colocada sob uma prateleira alinhada com livros, mapas e feixes de pergaminho.
Como tudo havia sido movido, Esme mal sabia.
“Está do seu agrado?” Ele perguntou. “Eu a trouxe aqui para que pudesse ver você mesma. Se não for confortável o suficiente, farei alguém refazer tudo–”
“Não, não, isso é perfeito,” Esme disse rapidamente, sinceramente também, enquanto se virava para ele de olhos arregalados. Ela realmente gostava. O espaço era acolhedor e cuidadosamente preparado, como um raro momento de cuidado em um mundo que frequentemente parecia demandar resistência.
Além disso, ela não suportava a ideia dos trabalhadores serem ainda mais pressionados após o que já devia ter sido um esforço longo e exaustivo. Enquanto isso, Donovan estava ocupado estudando seu rosto, procurando qualquer sinal de polidez forçada ou desconforto oculto. Quando não encontrou nenhum, só então seus ombros relaxaram.
— Eu já mandei alguém trazer algo para você — disse ele novamente. — Você deve estar com fome agora. Descanse um pouco enquanto isso. Preciso falar com o timoneiro sobre o rio negro e se há uma maneira de contorná-lo.
— Quão sério é? — perguntou Esme.
— Com base no que foi dito, está matando os peixes debaixo d’água — ele contou a ela. — Acho que uma vez vi o rio negro quando escapei daquela fortaleza. Um longo trecho de água negra. As pessoas o conhecem pelo nome – é uma das maneiras de descreverem a rota que leva até a fortaleza. Um marco de certo tipo, mas não um agradável.
Esme de repente lembrou-se de ter visto algo assim quando escoltou Lennox até a fortaleza naquela época. — Parece um momento terrível para ser rei — ela murmurou, imaginando como Lennox lidaria com esse novo problema também.
Suas palavras arrancaram uma risada de Donovan – o som foi suave, mas genuíno. — Talvez, se ele realmente fizer algo a respeito — respondeu ele. — Mesmo assim, o problema não deve ficar sem solução. E se isso se espalhar para a água limpa e deixar as pessoas sem nada para beber? Não é nossa preocupação imediata por enquanto, a menos que comece a atrasar nossa viagem.
— Fico me perguntando se o conteúdo do rio já foi analisado — Esme murmurou, seus dedos já mexendo nos fechos de seu vestido de inverno. O tecido pesado farfalhou enquanto ela o puxava para baixo de seus ombros, revelando o linho fino por baixo.
Donovan virou-se para responder, mas as palavras ficaram presas na garganta. O quarto parecia mais quente agora, e mais uma vez, seu doce aroma floral atingiu suas narinas da mesma forma que fez na carruagem. Ele não conseguia entender o que estava acontecendo com ele subitamente, mas estava fazendo o melhor para distrair seus pensamentos de se desviar nessa direção.
Esme simplesmente olhou por cima do ombro. — Você se importaria? — ela pediu, indicando um fecho teimoso nas costas de seu vestido. — Está emaranhado de novo.
Percebendo que ela realmente precisava de sua ajuda, ele se aproximou dela em silêncio. Seus dedos tocaram o tecido – então, pausaram quando sentiu sua pele. A pele dela era suave, quente. Quente demais. E muito próxima. O cheiro de seu cabelo subiu levemente enquanto ela se mexia sob seu toque, alheia ao efeito que estava causando nele.
— Você viu? É esse aqui em particular — Esme tentou mostrar a ele sem entender. Ele não hesitou em desatar o fecho depois que ela o fez, mas algo estava errado.
Um calor estranho agitou-se em seu peito, espalhando-se rapidamente também, enrolando-se sob sua pele como fogo selvagem. Sua boca estava seca, e o cheiro dela agora parecia inebriante para ele. Ele estava de repente consciente de cada centímetro entre eles – e quão pouco restava. Tudo era familiar, mas mais magnético do que ele lembrava.
Recuperando um pouco de senso racional na cabeça, ele deu um passo atrás. Esme olhou para ele com um leve sorriso. — Obrigada —
— Eu… eu tenho que ir — disse ele bruscamente, já se dirigindo para a porta. — Descanse um pouco.
Ele não esperou pela resposta dela. Ele se virou e saiu da câmara, a porta se fechando mais forte do que deveria.
Esme simplesmente piscou, imaginando se algo urgente havia surgido.
Enquanto isso, Donovan emergiu do convés inferior, exalando bruscamente enquanto passava a mão pelo rosto. O ar fresco atingiu sua pele como misericórdia, suavizando o calor que estava ameaçando incinerá-lo de dentro para fora.
O que diabos estava acontecendo com ele?
Ele já ansiara por Esme antes — muitas vezes. Mas isso… isso era diferente.
Não era apenas desejo. Era uma necessidade — crua, consumidora, e completamente fora de controle.
Era algo mais selvagem.
— Idiota — ele ouviu seu lobo dizer. — Isso se chama febre de acasalamento. Como você não reconhece?
— Uma febre de quê? — Donovan arquejou, sua mente turva de calor e confusão.
Seu lobo bufou, irritado. — Acontece quando seu vínculo com sua parceira começa a se enraizar – aprofundar além da superfície. A febre é a maneira do corpo exigir mais proximidade. Empurrando você em direção ao que ele precisa. Se ela não responder logo, a febre continuará crescendo até ela acalmá-la. A sensação é mais demorada para o parceiro oposto, então é melhor se apressar.
— De jeito nenhum — Donovan recusou. — Todos estão atualmente focados na viagem, e eu não posso sobrecarregar Esme com isso. Vou aguentar até voltarmos.