A Companheira Amaldiçoada do Alfa Vilão - Capítulo 235
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Capítulo 235: Um Brinde à Noite
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“Sem mais conversas sobre o verdadeiro portador,” disse Althea suavemente, mantendo sua voz gentil, mas firme, enquanto seus olhos passavam por todos sentados à mesa. “Não esta noite, pelo menos. Viemos aqui para compartilhar uma refeição, para encontrar um pouco de paz juntos – como sempre fazíamos. Quando foi a última vez que todos jantamos juntos? Vamos deixar de lado o peso do que está por vir. Apenas por esta noite. Podemos fazer isso?”
Um silêncio pesado seguiu-se, espesso com dúvidas não ditas e tensão persistente. Ninguém disse uma palavra e apenas trocaram olhares, o desconforto pairando no ar como fumaça. Althea podia sentir isso se infiltrando, e ameaçava desmoronar a frágil calma que ela estava tentando preservar.
Com um suspiro frustrado, ela olhou em direção à escada e imediatamente se moveu para interceptar Esme, que descia lentamente para se juntar a eles.
Sem esperar por formalidades, Althea apontou para a mesa, já no meio de sua queixa.
“Pode falar algo que faça sentido para eles?” Ela implorou, sua voz baixa, mas urgente. “Eles não param de se preocupar com toda a aliança desmoronando. Eu disse a eles que esta noite era para ser diferente. Quero que nos sentemos apenas e comamos sem que o medo engula cada palavra. Apenas uma noite em que fingimos que está tudo bem. Isso é realmente pedir muito de todos?”
Esme piscou, pega de surpresa pela explosão, mas a sinceridade no rosto de Althea suavizou sua expressão. Ela segurou gentilmente Althea pelo braço e a trouxe junto com ela, mas antes que pudesse dizer algo, Revana havia levantado seu cálice alto, sua voz cortando a tensão como uma lâmina envolta em veludo.
“Brindemos a um bom e velho jantar,” declarou ela, instigando os outros a levantarem seus cálices. “Vamos lá, vamos dar folga aos nossos fantasmas exaustos esta noite.”
“Acho que todos obedeceram,” disse Esme, olhando para Althea, que sorria enquanto todos levantavam seus cálices em um brinde unificado. Com um sorriso orgulhoso, ela entregou um cálice a Esme também, e todo o grupo fez um brinde à noite.
Mais tarde, depois que os pratos na mesa foram retirados e a quentura do vinho havia se estabelecido profundamente em seus ossos, Donovan afundou para frente, descansando a cabeça preguiçosamente na mesa de madeira polida. Esme, que ainda estava sentada ao lado dele, estendeu a mão e passou os dedos distraidamente por seu cabelo prateado e sedoso. Uma risada suave escapou de seus lábios ao perceber como ele ficara relaxado e desprotegido.
“Parece que vocês não foram os únicos que levaram o brinde de Revana um pouco a sério demais,” disse ela com diversão, observando enquanto todos os outros começavam a se levantar e bocejar, seus suspiros de contentamento enchendo o ar enquanto se preparavam para voltar a seus aposentos.
Leonardo hesitou por um momento, observando o irmão com a sobrancelha levantada. Ao contrário dos outros, ele parecia muito sóbrio. Era óbvio que ele e Esme foram os únicos que mal beberam o vinho. “Tem certeza de que não quer ajuda para carregá-lo escada acima? Vou garantir que ele não esqueça disso amanhã quando estiver sóbrio,” disse ele, sua voz repleta de um toque de retaliação, mas também de genuína preocupação.
Esme ofereceu-lhe um sorriso agradecido e balançou a cabeça. “Vocês todos tiveram um longo dia. Eu dou conta.” Em seguida, ela se voltou para Althea. “O jantar estava maravilhoso, como sempre. Obrigada por isso.”
O elogio fez as bochechas de Althea florescerem de prazer. “Oh, você é gentil demais,” respondeu ela, seus olhos brilhando. Ela fez uma reverência brincalhona para Esme antes de passar o braço por Revana e arrastar sua irmã para o corredor.
Quando os últimos passos desapareceram e a sala de jantar ficou quieta, Esme voltou sua atenção para Donovan. As velas tremulavam gentilmente, lançando poças de luz quente sobre seu rosto pacífico. Ela se inclinou, sua voz suave, íntima e afetuosa.
“Dom?” Ela murmurou perto de seu ouvido, “É hora de dormir.”
O Alfa não respondeu de imediato. Sua respiração era lenta e pesada, o tipo de ritmo que só o vinho e a exaustão podem invocar. Esme sorriu para si mesma, carinho brilhando por trás de seus olhos, e tocou levemente o ombro dele.
“Vamos agora, você é orgulhoso demais para ser pego dormindo na mesa assim,” ela provocou suavemente, tocando-o no ombro mais uma vez.
Um gemido baixo roncou em sua garganta enquanto ele finalmente se mexia, levantando a cabeça com relutância lenta. “Não estava dormindo…” ele murmurou em defesa, fazendo Esme rir baixinho, calor florescendo em seu peito.
“Tem certeza?” Ela perguntou. “Seus olhos estavam fechados por bons dez minutos. Devo chamar isso de meditação, então?”
Ele se mexeu ligeiramente, sua testa franzindo à observação dela. “Você realmente ficou contando apenas para poder zombar de mim, minha Rainha?”
Esme piscou com o apelido. Mesmo através da névoa da bebida, ele o disse com tal afeto desarmante que a pegou de surpresa. Suas bochechas aqueceram antes de ela poder evitar, e ela rapidamente se levantou, espanando o pó invisível de sua saia para esconder sua inquietação.
“Nós partimos ao amanhecer amanhã,” ela o lembrou, estendendo a mão para puxá-lo. “Vamos levá-lo para a cama antes que seu orgulho recupere a consciência e perceba que tolo você está sendo. Duvido que ele ache isso tão encantador quanto eu. Leonardo já disse que não vai te deixar esquecer disso amanhã.”
“Ahh… eu não deveria ter aceitado aquele desafio com Arqueiro,” ele se levantou. “A sala não para de girar.”
“Eu tentei te alertar,” Esme passou o braço pelo dele com facilidade prática, prendendo-o. “Mas você não quis me ouvir. Você pode ter vencido o desafio, mas a que preço? Me sinto triste por Arqueiro porque ele foi arrastado pelos pés. Talvez da próxima vez vocês dois aprendam com isso.”
Balançando levemente a cabeça, ela o conduziu escada acima. Os corredores estavam quietos e iluminados apenas pelo suave brilho de lamparinas de óleo. O carpete grosso abafava seus passos enquanto ela seguia o caminho, o braço ainda enlaçado ao dele. Ela estava agradecida por ele saber que não deveria descansar seu peso inteiro sobre ela.
“Você cheira a uvas esmagadas,” Esme murmurou enquanto seguiam, sua voz baixa e provocante perto do ombro dele.
Uma risada preguiçosa escapou dele. “Eu gostei mais da vermelha.”
“Era romã,” ela disse com um sorriso suave.
“Era?” ele perguntou, como se tentasse evocar a memória através da névoa do vinho. A leve inclinação de sua cabeça e o ligeiro franzido em sua testa fizeram ela rir suavemente. Esse lado dele era um dos seus favoritos – o lado raro, desprotegido e quase juvenil dele.
Quando eles chegaram à câmara, ela empurrou a porta e o guiou para dentro. O ar estava fresco, e o aroma de lavanda pairava levemente, com todas as cortinas fechadas para abafar o luar. O fogo na lareira havia há muito tempo se apagado, mas o calor entre eles parecia preencher o lugar.
Esme o ajudou a se sentar na borda da cama. Ele se sentou pesadamente, com os cotovelos sobre os joelhos, a cabeça baixada, e os ombros relaxados sob a camisa. O tecido aderiu ligeiramente à força de suas costas. Esme simplesmente se ajoelhou diante dele, seus dedos roçando contra o joelho dele.
“Dom,” ela chamou suavemente, “você deveria deitar agora.”
Ele não respondeu. Em vez disso, sua mão deslizou para baixo, encontrando a dela na luz tênue. Seus dedos se enrolaram lentamente ao redor do pulso dela, não apertado, mas apenas o suficiente para mantê-la ali. Ela o observou silenciosamente, seu coração batendo no peito enquanto estudava seu rosto – a forma como a sombra de seus cílios descansava sobre seus olhos violetas. Ele parecia hipnotizante sem nem mesmo tentar.
“Esme,” ele disse seu nome como um voto, o som mal mais alto que um suspiro. “Mais cedo, quando senti aquele puxão repentino… eu sabia que era a ligação de companheiros. Mas por um instante, foi como se meu lobo fosse.. afastado. Não por você, mas pelo seu lobo. Parece uma rejeição silenciosa – uma que eu ainda estou lutando para explicar. Mas então desapareceu, como se nunca tivesse acontecido. Tenho tentado entender isso desde então. Eu só… não quero sentir isso novamente.”
“Você não vai,” Esme o assegurou, sua voz mais suave do que sua convicção. “Você não tem nada a temer. Nem mesmo do meu lobo. Porque se ela acordar, tenho certeza de que ela te amará tão intensamente quanto eu amo. Ela não terá escolha. Você é meu companheiro, e seu lobo é dela. Se algo, ela nos deve uma enorme desculpa por nos manter esperando.”
“Espere–” ele piscou, uma súbita luz dançava em seus olhos. “Diga isso de novo.”
“O quê?” Esme perguntou, parecendo claramente confusa.
“O que você acabou de dizer. Sobre se ela alguma vez acordar. O que você disse depois disso?”
Era a vez de Esme piscar, suas bochechas esquentando. “Eu disse… bem–” não demorou muito para perceber no meio da frase, e ela hesitou. Seu olhar foi instintivamente para o dele, depois imediatamente desviado, já atrapalhada pelo peso de suas próprias palavras.
“Entendo, sua memória é afiada para lembrar isso, mas não da romã?”
“Não mude de assunto,” ele protestou, gentilmente alcançando o queixo dela e inclinando seu rosto em direção ao dele. Os joelhos de Esme permaneceram enraizados abaixo dela, mas ela não sentia mais vontade de correr. Na verdade, ela queria parar de fugir de tudo o que sentiu até este ponto.
“Você não acha que eu mereço ouvir isso?” ele perguntou suavemente, seu polegar acariciando sua bochecha com terna reverência. Seus olhos buscavam os dela, pacientes e esperando, e ele parecia mais sóbrio agora do que quando ela o trouxe. Ele realmente queria ouvir ela dizer isso?
Esme amaldiçoou seu coração por bater demais, mas eventualmente seus lábios se separaram em rendição enquanto ela travava o olhar com ele. “Eu.. amo você,” ela sussurrou. “Eu amo você. Muito.”
Por um segundo, ela viu – o leve rubor que arrebatou suas bochechas. Então ele riu, o som baixo e caloroso, como se suas palavras derramassem luz do sol em seu peito. Ele trouxe seu rosto um pouco perto demais do dele, a ponto de ele poder beijá-la se quisesse, mas resistiu.
“Eu amo você,” ele ecoou, seus olhos brilhantes. “Muito.”
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(E não – qualquer coisa que você esteja imaginando, exatamente o que está em sua cabeça, não vai acontecer em seguida. 😌)