A Armadilha da Coroa - Capítulo 416
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416: Controle Suas Asas (1) 416: Controle Suas Asas (1) [Décima noite dentro da Floresta dos Elementos]
Xenia respirou fundo enquanto meditava em cima de uma pequena pedra. Ela estava fazendo tudo que podia para tentar controlar suas asas, e aparentemente, meditar era a primeira coisa que ela tinha que fazer antes mesmo de tentar fazer exatamente isso.
Então ela meditou. Com a noite caindo sobre a floresta, os ventos frios batiam contra sua pele exposta, tornando mais difícil para ela se concentrar e manter os olhos fechados. Era tão frio, mas ela não podia parar de tentar, caso contrário, ficaria para trás em seu treinamento e falharia em usar corretamente suas novas habilidades quando chegasse a hora. Ainda assim…
“Existe uma maneira mais rápida de fazer isso?” Xenia não pôde deixar de reclamar, sua paciência se esgotando apesar de manter os olhos fechados. “Eu sinto que não estou fazendo muito progresso.”
“Infelizmente, não há maneira mais rápida para você aprender a focar no seu centro, Xenia,” Helena aconselhou, a visão da Rainha das Fadas pairando sobre ela enquanto ela sentia a luz do luar bater em sua pele. “Essa é a única maneira que permitirá a você sequer começar a tentar controlar seus novos membros. Uma vez que você puder fazer isso sem se concentrar, só então você poderá realmente começar a controlar suas asas.”
Xenia resmungou, fazendo o melhor para não cerrar os dentes. Ela tinha certeza de que estava fazendo o melhor que podia, e ainda assim ali estava ela, sentada em cima de uma pedra fria fazendo absolutamente nada além de respirar fundo e esperar que isso ajudasse.
“Chega,” Helena suspirou. “Claramente, isso não está funcionando para você no momento.”
Ao abrir os olhos, Xenia não pôde deixar de se sentir mal ao ver a expressão de decepção no rosto da Rainha das Fadas. Ela estava realmente tentando o seu melhor aqui, e não pôde evitar de sentir que estava apenas desperdiçando tempo.
Ainda assim, sentia que tinha falhado. “Me desculpe se eu não sou boa o bastante para isso.”
“Está tudo bem,” Helena balançou a cabeça. “Ficou claro que eu deveria ter interrompido este exercício horas atrás. Sua paciência agora está tão fina quanto um pavio. Não é de se estranhar que a mediação não funcionaria para você no momento.”
Ouvir essas palavras fez a princesa mergulhar em sua auto decepção. E ela pensava que estava indo, se não bem, ao menos suficientemente bem para fazer progresso.
“É apenas… Eu preciso sair deste lugar o mais rápido possível,” Xenia murmurou desculpando-se enquanto se levantava. “Ficar parada assim só faz esse sentimento ficar mais forte, infelizmente.”
“Exatamente,” a Rainha das Fadas concordou. “A falha é minha. Irei tentar e ajustar nossa abordagem em como domar suas asas. Você deve descansar enquanto isso. Tenho certeza de que está cansada.”
“Obrigada…”
Acenando para a Rainha das Fadas, Xenia fez seu caminho de volta ao lugar onde acordou quando chegou a este lugar pela primeira vez. O território da Rainha das Fadas parecia mágico comparado a outras partes da Floresta Elemental, com fadas de vários formatos e tamanhos flutuando entre as árvores enquanto brincavam tanto com a vida selvagem quanto entre elas.
“Como está o seu treino, Princesa?”
Xenia suspirou enquanto se sentava em sua cama. À sua frente, Devas a observava ansioso, como se fazendo isso a faria falar o que pensava. E claro, embora ele fosse de fato bonito, ele não era nada em comparação com o seu Darius.
“Bom o suficiente,” ela resmungou enquanto se deitava.
“Pelo seu tom, não parece que está indo ‘bom o suficiente’,” Devas apontou com uma pequena risada. “Vamos lá. Qual parece ser o problema?”
Revirando os olhos, Xenia virou a cabeça para o guardião em questão. “Não é nada. Apenas parece que não estou fazendo muito progresso com essas asas minhas.”
Foi um tempo difícil lidar com dois membros novos. Antes, ela mal podia se mexer sem que suas asas tentassem interferir nos seus assuntos. A cada movimento, suas asas eram uma barreira, bloqueando-a de fazer algumas das coisas mais básicas como deitar-se e comer de fato. Felizmente, ela conseguiu guardá-las em suas costas depois de uma hora inteira de xingamentos e flexionando os músculos das costas como se fossem saltar para fora. Ela não sabia como iria dormir ou comer direito se não tivesse conseguido fazer isso.
Infelizmente, sua habilidade recém-descoberta de guardar suas novas asas não veio com um manual que lhe dissesse como chamá-las de volta. Não importa o quanto tentasse, as malditas simplesmente não sairiam. Ela podia senti-las confortavelmente guardadas em suas costas, mas nem mesmo repetindo o que fez para mantê-las longe parecia funcionar.
“Ainda sem sorte em chamá-las para fora, então,” Devas mostrou-lhe um sorriso compadecido enquanto a consolava. “Bem, pelo menos você já sabe como escondê-las.”
“Mas já faz um dia,” Xenia lamentou. “Estou perdendo tempo de luz do dia só tentando fazer essas coisas malditas funcionarem. Não deveria ser algo natural para mim de qualquer jeito, já que estão literalmente presas ao meu corpo?”
Devas balançou a cabeça enquanto ria. “Xenia, literalmente só foi essa manhã que você acordou. Já é uma conquista que você conseguiu guardá-las com o pouco tempo que você tem tido com elas.”
“E ainda assim, isso conta como um dia para mim,” Xenia resmungou enquanto se sentava novamente. Flexionando as costas mais uma vez, ela suspirou enquanto nada surgia de suas omoplatas. “Ah… Talvez eu deveria apenas voltar assim. Talvez não doeria…”
Antes que Xenia pudesse deitar-se novamente, Helena anunciou seu retorno movendo-se silenciosamente até o lado da cama da princesa. Olhando para ela, a Rainha das Fadas parecia ter algo em mente enquanto lhe dava um sorriso pensativo.
Xenia já sabia o que iria ouvir. “Você me ouviu reclamando, não foi… ”
Helena simplesmente sorriu enquanto respondia, “Xenia, você tem que se dar algum crédito. Mal se passaram horas desde que você começou a tentar controlar suas asas. Nem todos nascem com asas, e até mesmo os humanos precisam de algum tempo antes que possam começar a usar suas pernas.”